O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, no dia 29 de outubro, a Roda de Conversa: O acompanhamento familiar a crianças e adolescentes internados – precisamos falar sobre isso. Sob perspectiva interdisciplinar, o encontro reuniu profissionais de serviço social, psicologia, medicina e enfermagem para dialogar sobre os principais desafios e potencialidades presentes nessa dimensão tão importante do cuidado.
Segundo a responsável técnica do Serviço Social do IFF/Fiocruz, Alessandra Mendes, a roda foi proposta como desdobramento do Round Social (RS) – dispositivo criado pelo Serviço Social do Instituto, em julho desse ano, para promover a transversalização do atendimento social às crianças internadas.
Trabalhadoras do IFF/Fiocruz debateram a promoção da transversalização do atendimento social às crianças internadas
Nesses encontros, o acompanhamento familiar a crianças e adolescentes internados tem se apresentado como um desafio importante, quando se trata de condições crônicas complexas de saúde com longos períodos de duração. Essa problemática demanda uma abordagem interdisciplinar, uma vez que envolve os vínculos da família com as equipes de saúde, o enfrentamento às implicações sociais trazidas pela internação da criança, entre outros entraves. Por outro lado, a garantia desse acompanhamento durante a internação traz impactos positivos diretos no processo de desospitalização e cuidado domiciliar.
Para refletir sobre os desafios e potencialidades acerca dessa temática, a roda contou com as participações da gestora da Área de Atenção Clínica à Criança e ao Adolescente do IFF/Fiocruz, Thaíze Sobreiro, da técnica em enfermagem da Unidade de Pacientes Internados (UPI), Rosilene Santos, da assistente social do Ambulatório de Pediatria, Aline Santos, da psicóloga da Unidade de Pacientes Graves (UPG), Juliana Martins, e da assistente social da UPI e UPG, Isabelle Bonisolo.
Rosilene Santos assinalou a necessidade do fortalecimento das ações de saúde do trabalhador, reposição da força de trabalho, capacitações orientadas para essa tecnologia leve em saúde e humanização desse trabalho, como investimentos importantes para fortalecer a dimensão do cuidado, tema do encontro. “É preciso cuidar da subjetividade do trabalhador, olhar para o profissional que está na beira do leito, na linha de frente do cuidado 24 horas por dia, em um trabalho intenso. Como tocar corações e mentes que não estão presentes e que muitas vezes são aqueles que controlam corpos?”.
Espaços como a roda de conversa são importantes para promover a reflexão sobre as relações de poder presentes em certas instituições, onde podem ser reproduzidas práticas normatizadoras e de controle moral das famílias, como analisado por Foucault e citado por Thaíze Sobreiro e Juliana Martins. Quando acontecem, essas relações precisam ser cuidadas para não incorrer no risco do exercício acrítico de “pequenos poderes e pequenas violências”, conforme apontou Juliana.
Em sua participação, Isabelle Bonisolo levantou a reflexão de como podemos equilibrar as necessidades inerentes à desospitalização tanto para as equipes quanto para com as necessidades das famílias. No fim do evento, O debate foi aberto ao público, composto em sua maioria por profissionais e residentes do Instituto, de diferentes áreas de atenção e de formação.
A assistente social da Maternidade do IFF/Fiocruz, Géssica Martins, sinalizou a dimensão de gênero como aspecto importante a ser trabalhado no âmbito do acompanhamento familiar, dada a sobrecarga das mulheres/mães no cuidado às crianças (internadas e, ao mesmo tempo, dos irmãos que estão em casa), levando, muitas vezes, ao adoecimento dessas mães.
O público foi composto por profissionais e residentes do Instituto de diferentes áreas de atenção e de formação
Na sequência, a chefe de Gabinete da Direção e assistente social do IFF/Fiocruz, Mariana Setúbal, destacou a importância de dar continuidade aos encontros da roda de conversa e sugeriu a construção de uma agenda coletiva.
Nessa perspectiva, o grupo acordou a realização de novos encontros e a possibilidade de elaboração de materiais informativos unificados voltados às famílias, salvas as especificidades dos diferentes espaços de internação. Foi consensuada a intenção de
construção de uma agenda de trabalho e de elaboração de estratégias de capilarização do debate, de forma a fazê-lo chegar até os profissionais que executam os cuidados diários na beira do leito.
A roda proporcionou um encontro entre alguns dos vários interessados no fortalecimento da compreensão de que as famílias são parte importante do cuidado às crianças e aos adolescentes internados. Na oportunidade, abriu-se um espaço para conversas e ações futuras, incluindo-se outros atores capazes de potencializar esse cuidado ampliado.



