O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) sediou, nos dias 27 e 29 de novembro, dois eventos da Agenda Laranja. Essa iniciativa do IFF tem por objetivo pautar atividades de sensibilização, informação e formação que contribuam para a construção de uma cultura institucional voltada para o enfrentamento das violências contra as mulheres e meninas que reproduzem iniquidades em saúde. Em sua última edição de 2017, aconteceu uma mesa de debates sobre racismo institucional, violência obstétrica e mortalidade materna de mulheres negras e uma conferência sobre o impacto intergeracional da violência durante a gravidez: aspectos psicológicos e epigenéticos.
Participaram da mesa de debates, que aconteceu no dia 27, Isabel Cruz, enfermeira obstétrica da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jussara Assis, doutoranda da Escola de Serviço Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roseli Rocha, assistente social do IFF e Erotildes de Souza Santos, mestranda do Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher do IFF. Isabel Cruz enfatizou a importância de se combater a inequidade no Sistema Único de Saúde (SUS). “Queremos que as pessoas entrem no sistema de saúde e recebam os mesmos cuidados e tenham os melhores resultados possíveis, pois devem ser resultados baseados em evidências científicas e não na aparência ou cor da pele. Para isso, precisamos entender que é nossa obrigação formar pessoas diferentes e ajudar os nossos futuros profissionais de saúde a identificar seus viesses, percebendo que eles podem ser uma barreira ao SUS, tendo um custo e efeito na saúde de quem é atendido. Precisamos também dar subsídios para que os profissionais tenham estratégias para reduzir riscos e que a tomada de consciência nos ajude a rever nossas posições”, explicou.
Jussara de Assis problematizou o uso de algumas expressões que se referem às mulheres negras de forma humilhante e degradante. “A história da mulher negra é construída na coletividade, por isso esse debate é tão importante. De fato, somos um país miscigenado, mas precisamos aprender a valorizar a diversidade e não transformar isso em racismo e preconceito. Isso é um caminhar constante, porque ainda falamos muito pouco sobre racismo. Quando fazemos isso não é nenhum segregacionismo, nós estamos apenas reconhecendo e lutando pelos nossos direitos”, salientou Jussara.
No dia 29 aconteceu a conferência sobre o impacto intergeracional da violência durante a gravidez e seus aspectos psicológicos e epigenéticos, proferida por Fernanda Serpeloni, pós doutoranda do Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher, com a participação do médico obstetra e epidemiologista Gustavo Lobato e a relatoria de Maria Amélia Saad, mestranda do Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher. Clique aqui (link para a outra matéria) e saiba como foi o debate.
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