Dois egressos de Doutorado da Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulher (PPGSCM) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) estão na relação final dos Premiados e Menções Honrosas do Prêmio Oswaldo Cruz de Teses – edição 2024. O reconhecimento foi divulgado pela Presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no dia 1º de outubro, com a finalidade de distinguir teses de elevado valor para o avanço do campo da saúde em diversas áreas temáticas de atuação.
Ao todo, quatro teses foram reverenciadas na relação final do Prêmio, uma para cada área de atuação, além de oito menções honrosas. Importante ressaltar que 11 unidades da Fundação foram contempladas. Na categoria “Saúde Coletiva”, o pesquisador do IFF/Fiocruz Carlos Renato Alves da Silva foi premiado pela tese “Travestis e mulheres transexuais em situação de prisão na região metropolitana do Rio de Janeiro: seus corpos e suas (sobre)vivências”, sob a orientação da professora do Instituto Claudia Bonan.
Carlos Renato comemora a honraria e frisa que a vitória lança luz sobre um problema grave e atual em nossa sociedade: a vulnerabilidade de travestis e transexuais. “Esse é um estudo falando delas, para elas e com elas. O objetivo principal em submeter a tese para concorrer a um prêmio de grande impacto institucional foi dar visibilidade a pessoas em extrema vulnerabilidade social: travestis e transexuais em situação de prisão. Principalmente num momento histórico no qual falamos de ações afirmativas para pessoas trans, seja no acesso aos programas acadêmicos, seja na empregabilidade para essa população. Mas principalmente mostra que elas existem!”, declara Carlos Renato.
O egresso do PPGSCM do IFF/Fiocruz Salvador Pereira Campos Corrêa Júnior teve menção honrosa na categoria “Ciências Humanas e Sociais” com a tese “O trânsito entre armários: encontros entre ativismo, HIV e Arte no Brasil”, sendo orientado pelo professor do Instituto Marcos Nascimento.
Agraciado com a Menção Honrosa, Salvador Pereira recebeu com muita satisfação e explicou a pesquisa. “A tese tem o objetivo de compreender os trânsitos entre arte, ativismo e saúde nas narrativas de vida de artistas vivendo com HIV. O campo da saúde apresenta o desafio de incorporar ainda mais arte em seus processos de pesquisa e produção de conhecimento, de forma a explorar as infinitas possibilidades que a arte pode trazer para o lidar com doenças estigmatizadas. Recebo a menção honrosa com muita gratidão, especialmente por entender que é um reconhecimento da importância da arte e dos artistas no campo da saúde”.
Além disso, Salvador Pereira dividiu os méritos com o corpo docente do Instituto, em especial com seu orientador: “Tive a honra de refletir junto com sensíveis artistas, autores ancestrais, uma banca muito generosa e fui literalmente orientado pelo Marcos Nascimento. Meu profundo respeito e gratidão a toda equipe e colegas do IFF/Fiocruz. Que possamos nos conectar cada vez mais com a arte na produção acadêmica, como guia, em todas as suas etapas e facetas”.
Coordenadora do PPGSCM do IFF/Fiocruz, Ivia Maksud destacou a importância que as conquistas trazem para o campo da Saúde Coletiva. “Recebemos com alegria e orgulho o reconhecimento do Prêmio Oswaldo Cruz ao trabalho dos egressos e orientadores. Parabenizo Carlos Renato e Claudia Bonan (orientadora), e Salvador Campos e Marcos Nascimento (orientador) pelas pesquisas realizadas. As referidas teses tratam de temas extremamente relevantes do ponto de vista da saúde coletiva/pública, abordando pessoas vulnerabilizadas e construindo com elas estudos importantes no marco das Ciências Sociais e Humanas em Saúde. Tanto as travestis e as mulheres transexuais em situação de prisão quanto as pessoas que vivem com HIV que militam no campo da arte, em interlocução com os pesquisadores, oferecem respostas importantes para questões de saúde pública e configuram verdadeiras contribuições para formuladores de políticas públicas, profissionais de saúde e da atenção”, frisa Ivia.
Honrada com a repercussão geral da premiação no contexto dos 35 anos do PPGSCM, Ivia Maksud aproveita a oportunidade para destacar o trabalho relevante do Programa como produtor de conhecimento crítico: “Destaco também as abordagens teórico-metodológicas construídas cuidadosamente nos dois estudos e que as duas teses compõem a linha de pesquisa de Gênero, Sexualidade, Reprodução e Saúde do PPGSCM, que produz estudos na interface com os marcadores sociais de cor/raça, classe social, orientação sexual, identidade de gênero, geração, deficiências e cursos de vida”.
A solenidade de entrega acontecerá neste mês de outubro, durante a Semana de Educação Fiocruz



