A Direção do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) manifesta, com muita tristeza e indignação, solidariedade aos familiares, amigas e amigos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes.
Marielle, nossa companheira de jornada na luta contra todas as formas de discriminação e violência. Mulher negra aguerrida, feminista, lésbica, moradora de favela, que sempre enfrentou corajosamente às múltiplas violações de direitos, defendendo de forma intransigente os direitos das mulheres, da população negra, de favela e periferia. Que nunca deu trégua ao arbítrio e às práticas criminosas que atentam contra a vida de jovens negras e negros oriundos das camadas empobrecidas.
No dia 14 de março, assim como no passado fizeram com o líder negro Zumbi, arrancaram-lhe a vida. Ato bárbaro, cruel, expressão máxima do fascismo que se alastra em nossa sociedade adoecida. Sua morte é mais uma tentativa de nos fazer calar pelo medo. Marielle sempre defendeu a democracia e o combate às desigualdades. Foi a voz daquele e daquelas que tiveram cassado o seu direito a fala por serem moradores de favela. Foi a voz de muitas mulheres que tiveram sua voz silenciada pela dor da tragédia do extermínio de seus filhos. Sua vida foi marcada por uma trajetória de luta por uma sociedade mais justa e igualitária, livre de preconceitos e do racismo. Sua voz não será silenciada com a morte.
Em todos os manifestos e protestos, lá estará firme e potente em cada um e uma de nós. Em cada praça pública, em cada ocupação das ruas, em cada cantinho e vielas da favela. Com a força ancestral, sua voz com as nossas vozes jamais será silenciada. Sigamos, embora tristes, por ela e por todas e todos nós! A travessia é longa, mas a vitória é possível. Anderson, para sempre, PRESENTE! Marielle, para sempre, PRESENTE!



