Agenda Laranja discute ações pelo fim da violência contra mulheres e meninas

As atividades da Agenda Laranja no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) em 2018 iniciaram-se no último dia 7/3 com a mesa de debate "Usos e abusos nas redes digitais: o que afeta as mulheres?". O evento teve como convidadas a coordenadora de projetos Andrea Romani, representante da organização Cepia – Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação, responsável pelo desenvolvimento do aplicativo Partiu Papo Reto; e a assistente social e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do IFF Roberta Flach, tendo como mediadora a professora e pesquisadora do Instituto Suely Deslandes.

O objetivo do encontro foi refletir sobre a chamada Cybercultura e o uso de novos aplicativos e sua relação com temas como juventude, adolescência e violência nas relações afetivas-sexuais. Como destacou Suely Deslandes, a internet encontra-se hoje em sua terceira fase, na qual ações como ‘compartilhar, curtir e comentar’ não são suficientes. “Na metainteração que vivemos nesta nova etapa, na qual manifestamos uma infinidade de comportamentos - seguir, bloquear, discutir, entre outros – pela rede, corremos o risco de criar em bolha em volta de nós mesmos e perder a habilidade de conviver com o diferente”, ponderou a pesquisadora.

Para Andrea Romani, que apresentou a palestra “Mídias Digitais: desafios e oportunidades no empoderamento de jovens – experiência da Cepia”, trata-se de um campo bastante novo, repleto de novas terminologias, desafios e limitações. “Contudo, não se pode negar que o acesso vem crescendo de forma acelerada, sendo os jovens os principais usuários da internet, com significativa presença das mulheres nesse segmento – transversalizando gênero, faixa etária e classe social”, afirmou. Como exemplo, ela citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram que, já em 2011, 69% da população tinham acesso à internet.

Roberta Flach abordou o tema “O abuso digital nos relacionamentos afetivo-sexuais adolescentes”. A doutoranda defendeu a importância de se estudar o abuso digital na adolescência em razão de esses jovens serem ‘nativos digitais’. “A internet faz parte do cotidiano deles, e é nela que se expressam, expõem e cometem e sofrem violências”, esclareceu a assistente social. Segundo ela, vivendo no que alguns estudiosos chamam de ‘era do exibicionismo’, somos todos estimulados a anunciar, espontaneamente, tudo relativo à nossa vida pessoal, social e profissional, propiciando uma alta prevalência de abuso digital. “Esse abuso constitui um dano à imagem pública, à identidade, à autoestima, à integridade e à privacidade, produzindo marcas psíquicas que podem culminar até mesmo em suicídio”, concluiu.

Agenda Laranja em 2018

A Agenda Laranja IFF, organizada pelos professores Corina Mendes e Marcos Nascimento e vinculada à Coordenação de Ensino do Instituto, chega à sua oitava edição. O projeto tem como objetivo pautar atividades de sensibilização, informação e formação voltadas, especialmente, ao público interno do Instituto, no sentido de contribuir para a construção de uma cultura institucional de enfrentamento à violência contra as mulheres baseada nas relações de gênero.

A iniciativa se alinha à campanha criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o propósito de promover ações de engajamento de toda a sociedade pelo fim da violência contra mulheres e meninas, assim como para a equidade de gênero.

Em geral, as atividades da Agenda Laranja ocorrem no Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO) em torno do dia 25 de cada mês.

* A partir de relatoria do doutorando Wendell Ferrari e fotos da mestranda Maria Amélia Saad.