A primeira Jornada de Atualização Clínica e Funcional de Asma na Criança e Adolescente, foi realizada nos dias 27 e 28 de agosto de 2018, no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Organizada pelos Ambulatórios de Alergia e Imunologia, Pneumologia e Laboratório de Prova de Função Pulmonar, o evento reuniu médicos residentes e pós-graduandos em pediatria, alergologia e imunologia, pneumologia, corpo clínico médico institucional, médicos e fisioterapeutas.
Na mesa de abertura, o diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO), Antônio Meirelles, comentou que, tem muito orgulho de trabalhar diariamente com as equipes organizadoras e que o objetivo do encontro era de reforçar a excelência no cuidado com os pacientes.
Com a palavra, a responsável pelo Laboratório de Prova de Função Pulmonar do IFF/Fiocruz, Sandra Lisboa afirmou que, era um sonho realizado a união da parte clinica com o Ambulatório de Alergia e Pneumologia. “Além de ser um prazer enorme essa parceria, nós crescemos muito, pois começou a necessidade de um processo de aprendizado”, explicou ela.
Na sequência, a responsável pelo serviço de Pneumologia Pediátrica do IFF/Fiocruz, Tania Wrobel Folescu, comemorou a oportunidade de confraternização. “Não é só a proximidade física, é a capacidade de trocar experiências o tempo todo. Para mim, é a tradução do que fazemos todos os dias aqui no Instituto e é positivo para todo mundo”, alegou ela.
Em sua fala, a responsável pelo serviço de Alergia e Imunologia do IFF/Fiocruz, Sandra Bastos, disse que a integração dos serviços proporciona um crescimento muito grande para a instituição. Para concluir as saudações de abertura, o diretor do IFF/Fiocruz, Fabio Russomano parabenizou a concepção do evento multiprofissional. “Não poderia deixar de prestigiar um grupo que ensina, produz, publica conhecimento e defende o melhor cuidado para os pacientes e melhor condição de ensino para os alunos”, pontuou ele.

Integrantes da mesa de abertura
Dando continuidade, a primeira mesa-redonda abordou os “Aspectos Clínicos e Fisiopatológicos da Asma”, tendo como primeiro palestrante, o coordenador geral do ensino dos alunos da residência e pós-graduação médica em Alergia e Imunologia do IFF/Fiocruz Celso E. Ungier, que apresentou o tema "Asma Brônquica: Patogênese e Remodelamento Brônquico". Celso Ungier mostrou as definições de asma, que é entendida como uma manifestação de alergia reagínica, mediada pela Imunoglobulina E (reagina); uma manifestação decorrente de um estado de hiperresponsividade brônquica, de caráter genético e adquirido; uma doença inflamatória das vias aéreas; uma doença mediada por citocinas pró-inflamatórias e regulatórias da resposta imunoalérgica; e uma manifestação decorrente de injúria e remodelamento brônquico.
O alergista, prefere tratar a asma como uma síndrome, mas ressaltou que, os estudiosos a entendem como uma doença, e alertou para a sua complexidade, já que pode ocasionar a morte do paciente, principalmente, se for do tipo inflamatória, devido a sua gravidade. Outro ponto que Celso Ungier atentou, foi em relação ao emocional. “Em jornadas e congressos raramente se fala sobre a respeito, e todo dia eu vejo o emocional desencadeando crises de asma. É preciso entender o que é asma e estudar o paciente, para poder conduzir o caso”, finalizou ele.
Com o tema “Diagnóstico Clínico: Fenótipos e Endótipos da Asma”, o coordenador do serviço de Alergia e Imunologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Eduardo Costa F. Silva, iniciou sua apresentação informando que, a asma é a doença crônica mais comum na infância. “É definida pela história de sintomas respiratórios, tais como sibilância recorrente (sonoridade aguda e/ou chiada produzida pelas vias respiratórias), respiração rápida e curta, aperto no peito e tosse que variam com o tempo e de intensidade, associados a variação do fluxo expiratório e desencadeantes variáveis”, comentou ele.
Para ele, é necessário compreender sobre fenótipos e endótipos para tratar melhor a asma. “Precisamos chamar atenção para os vários aspectos e a multifatoriedade da evolução da asma, essa síndrome tão heterogênea, assim como os fatores ambientais e genéticos”, esclareceu ele.
Perguntas importantes para avaliar a presença de asma e auxiliar no diagnóstico
Concluindo a primeira mesa-redonda, Sandra Bastos retornou para falar sobre “Sibilância no Lactente: Quando Pensar em Asma”, explicando que, o lactente é detectado como sibilante quando apresenta mais de três episódios em um período mínimo de dois meses ou sibilância contínua por um período superior a um mês, e informou a necessidade de realizar a anamnese e exame físico diferenciado, para ter um raciocínio logico e coerente do caso. “A anamnese é fundamental, o conhecimento do que pode acontecer com os lactentes pela exposição aos vírus e a história familiar é muito importante, e precisamos avaliar com muito critério para que possamos direcionar os exames complementares, que serão selecionados às patologias que nos levaram a suspeitar daquela sibilância recorrente”, contou ela.
A alergista reforçou que, um profissional ao estar frente à um lactente sibilante deve ter cautela no diagnóstico, e como medidas gerais, solicitar um controle ambiental, imunizações de rotina, vacina para Influenza e pneumocócica conjugada. Já como medidas específicas, o tratamento deverá ser direcionado de acordo com o diagnóstico da patologia.
O evento, com carga horária total de 16 horas, realizou também outras mesas-redondas, debatendo temas, como: Diagnóstico de Asma, Tratamento da Asma e Casos Práticos – Relatórios e Interpretação.



