IFF/Fiocruz promove evento no Novembro Roxo, mês internacional de sensibilização para a causa da prematuridade

 

Com objetivo de sensibilizar as pessoas quanto à prematuridade e com foco na troca de experiências, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, no dia 26/11, evento que chama a atenção ao Novembro Roxo, no Anfiteatro A do Centro de Estudos Olinto Oliveira (CEOO).

A mesa de abertura foi composta pela coordenadora de eventos do Centro de Estudos, Tânia Barroso, a coordenadora do Comitê de Aleitamento Materno do IFF/Fiocruz, Nina Savoldi, a chefe de gabinete da direção do instituto, Mariana Setúbal, a gestora da Área de Atenção Clínica ao Recém-Nascido do Instituto, Suyen Villela, e a gestora do Banco de Leite Humano (BLH) e membro do Comitê de Aleitamento Materno, Danielle Aparecida da Silva.

Mesa de abertura (da esquerda para a direita): Tânia Barroso, Nina Savoldi, Mariana Setúbal, Suyen Villela, Danielle Aparecida da Silva (Foto: Bruno Guimarães)

Em sua fala de abertura, Tânia parabenizou o cuidado neonatal realizado no Instituto: “A neonatologia está de parabéns por trazer esse evento, com toda essa singularidade e sensibilidade que o prematuro nos remete. Então, é necessário que todas as nossas práticas sejam de excelência”.

Danielle, por sua vez, falou sobre a força do prematuro e como ele nos oferece ensinamentos, bem como refletiu sobre os impactos que são causados no futuro de todos nós.

“Precisamos pensar que ele é o amanhã. E eles não são fracos, apenas parecem frágeis. Fizemos vários vídeos do Banco de Leite com mães de prematuros e doadoras e uma delas falou: ‘eu dou o leite para esses meninos porque eu tenho certeza de que, lá na frente, eles podem ser um advogado que me atenda, alguém que trabalhe comigo e até mesmo um médico que vai cuidar desses mesmos prematuros’. Sendo assim, tem a importância de a gente chamar a atenção para esse dia tão importante”, salientou Danielle.

O trabalho realizado no IFF/Fiocruz é educativo e multiprofissional, como aponta Nina. Ela ainda explica como funciona o procedimento de preparo das gestantes de bebês prematuros com todas as fases necessárias para apoiar as famílias.

“Aqui, nós temos muitas gestantes com risco fetal, com risco também de ter um bebê prematuro. Então, essas gestantes já são preparadas nos grupos educativos, desenvolvidos no Banco de Leite e no Pré-Natal. Preparamos essas mães para o nascimento dos seus bebês e para a manutenção da lactação. Tem sido feito um trabalho com a equipe multiprofissional, junto com essas mães, para que elas possam ter livre acesso na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e possam extrair o seu leite, pois vai ajudar muito na recuperação das crianças”, declarou Nina.

Em seguida, coube a Suyen explicar como seria distribuída a programação, usando como base as fases de vida dessas crianças: “O evento vai dividir um pouquinho a trajetória de um prematuro, as dificuldades que ele enfrenta desde o nascimento, durante o período de internação e o acompanhamento pós-parto.”

O debate acerca do tema principal do evento é um tema necessário para a sociedade atual e deve ser fomentado, como aponta Mariana. Ela ressalta os vários tipos de prematuros que são amparados e atendidos no Instituto.

“Pensar nesse Novembro Roxo revela a importância de alertar para a sociedade a questão do cuidado, a atenção que a gente tem que ter com partos prematuros, que geram, como consequência, muitas crianças com morbidades que dependentes de tecnologia. Temos pacientes que conseguem sobreviver sem nenhuma grande sequela, mas tem aqueles que vão nos acompanhando ao longo dessa linha de cuidado do IFF/Fiocruz com uma série de intercorrências”, frisou Mariana.

Ainda durante a mesa, a neonatologista do IFF/Fiocruz Letícia Duarte Villela explicou sobre as classificações da Organização Mundial da Saúde (OMS) referentes aos bebês nascidos prematuros.

 “A classificação é em relação à idade gestacional, tendo o extremo pré-termo, muito pré-termo, o pré-termo moderado e o pré-termo tardio. Além disso, tem a classificação em relação ao peso, que a gente chama de muito baixo peso (os menores de 1.500 gramas)”, declarou Letícia.

Além disso, Letícia citou a importância de cuidar dos bebês por tempo suficiente, observando se eles terão algum tipo de dificuldade: “Quando a gente tem um ambulatório de segmento e a gente olha para esse bebê que nasceu muito pequeno, não podemos dar alta com 2 anos porque a gente precisa ver como que ele vai enfrentar as questões cognitivas um pouco mais à frente e o quanto essas questões impactam na saúde mental deles”.

Tendo uma visão macro do funcionamento da terapia ocupacional para bebês prematuros, a terapeuta das Áreas Neonatais, Clínica, Cirúrgica e Ambulatório Especializado de Terapia Ocupacional do IFF/Fiocruz, Bárbara Gameleira, explicou como funciona esse cuidado.

 “As ocupações para a terapia ocupacional são a nossa principal área de atuação. Para nós, elas se referem às atividades diárias que as pessoas realizam como indivíduos, em famílias e com comunidades para preencher o tempo e trazer sentido e propósito à vida. As ocupações incluem atividades que as pessoas precisam, querem e esperam realizar. Todas essas ocupações são influenciadas por fatores como contexto, ambiente, fatores pessoais, padrões de desempenho, ou seja, os hábitos, rotinas, papéis, rituais e competências de desempenho. Isso é especialmente evidente quando falamos de crianças prematuras”, frisou Bárbara.

O Centro de Estudos recebeu grande público durante o evento (Foto: Bruno Guimarães)

O evento também debateu temas como Método Canguru na contemporaneidade; Manuseio essencial de recém-nascidos: executamos o que desejamos?; e relato de experiência do grupo de pais e responsáveis da Unidade Neonatal do IFF/Fiocruz.

Clique aqui e assista o evento na íntegra.