O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) promoveu, no dia 25 de setembro, o 1° Simpósio de Cuidados Farmacêuticos em Pediatria e Neonatologia, no Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO). O evento objetivou a troca de experiências entre diversos profissionais a fim de difundir conceitos para o melhor exercício da prática farmacêutica.
Iniciativa da Farmácia do Instituto, o evento foi coordenado pelos gestores da Coordenação Diagnóstica e Terapêutica de Farmácia do IFF/Fiocruz, Luciana Moutinho e André Rodrigues Pinto, e debateu novidades, inovações e atuação no campo do cuidado, da farmácia clínica, nutrição parenteral e a atuação do farmacêutico como facilitador da adesão à farmacoterapia de doenças crônicas.
Mesa de abertura enalteceu a importância do 1º Simpósio (Foto: Bruno Guimarães)
Durante a mesa de abertura, André Rodrigues Pinto agradeceu aos palestrantes convidados e, em especial, aos residentes de farmácia do IFF/Fiocruz: “Esse evento só é possível graças aos nossos R1 e R2”.
Coordenadora de Atenção à Saúde, Patrícia Marques representou o diretor do Instituto no evento e salientou o compromisso do IFF/Fiocruz com a transdisciplinaridade, além de reforçar os desafios enfrentados por todos os profissionais que estão na linha do cuidado.
“O Instituto Fernandes Figueira sempre teve o compromisso com o trabalho multiprofissional, nossa missão institucional sempre foi a transdisciplinaridade. Para o farmacêutico, como outras profissões, é um desafio muito grande o nosso protagonismo na linha de cuidado, mas o que a gente identifica aqui no Instituto é a materialização de um movimento de literalmente ocupar os espaços”, afirmou Patrícia Marques.
Tesoureira do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF/RJ), Alexandra Gomes enfatizou a valorização que o Simpósio traz para o profissional de Farmácia e asseverou a importância da atuação no cuidado: “Estou muito feliz de estar aqui e, assim, representar o Conselho. A gente vê nossa profissão crescer cada vez mais e realmente ter uma valorização. O farmacêutico tem destaque nesse Instituto, pois a gente sabe da importância desse profissional dentro do que aqui é realizado. O farmacêutico é o autor de muitas histórias”.
Valorizar pessoas e adequar a linguagem técnica são pontos importantes que foram destacados pela representante da Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica, Ana Paula Queiroz. Em sua fala de abertura, ela pontuou a necessidade de se harmonizar conceitos para fins clínicos e acadêmicos.
“Hoje, eu estou como professora de Farmácia Clínica na Universidade Rural e a primeira aula que eu coloquei na ementa foi harmonização dos conceitos, porque eu acho que a gente precisa começar a falar a mesma língua, até para fins de publicação. A gente tem um artigo que fala da origem da Farmácia Clínica no Brasil e ele traz algumas questões conceituais que são importantes”, finalizou.
Em seguida à abertura, uma mesa-redonda apresentou “Farmácia clínica e cuidado farmacêutico em Pediatria e Neonatologia: Como eu faço?”. O debate rendeu aspectos relacionados ao tema central do Simpósio e contou com a farmacêutica do IFF/Fiocruz Mariana Andrade na moderação, a docente Rafaela Silva, a farmacêutica do Instituto Diana Graça, o farmacêutico clínico da Maternidade Escola da UFRJ Arthur Agrizzi, e a tutora de campo da área de Farmácia do Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde da Criança e do Adolescente do IPPMG/UFRJ, Michelle Caetano.
Na primeira palestra do dia, o farmacêutico do IFF/Fiocruz Fábio Menezes apresentou a nutrição parenteral: desafios e estratégias em Condições Crônicas Complexas de Saúde (CCCs). Em sua fala, Fábio explicou que a nutrição parenteral é um procedimento de alta complexidade em terapia nutricional fundamental na área da saúde (por via intravenosa), especialmente para aqueles que por diferentes razões não conseguem receber nutrientes de forma oral.
“É um procedimento terapêutico que faz parte do tratamento do paciente e deve ser visto como um medicamento ou uma técnica terapêutica avançada, principalmente para os pré-termos, que são aqueles que nascem antes das 37 semanas. Existe uma legislação específica que zela pelos objetivos da nutrição parenteral e os cuidados, além de outras questões que devemos oferecer para um bom suporte nutricional. A nutrição parenteral é a terceira via de opção para a gente fazer um suporte nutricional para o nosso paciente. A primeira via é oral, a segunda é tentar a via enteral (administração de medicamentos e nutrientes pelo trato gastrointestinal) e, como última opção, ele vai para a NPT (nutrição parenteral total)”, esclareceu Fábio.
O farmacêutico, então, enumerou e esmiuçou as etapas que são necessárias à aplicação da nutrição parenteral, desde estrutural até a dispensação do medicamento, assim como explicou questões técnicas acerca do tema, como condições específicas de locais adequados e controlados, manipulação de fármacos, utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPIs), entre outras.
No fim, a farmacêutica ambulatorial do IFF/Fiocruz Milene França Souza tratou do tema “Farmacêutico como facilitador na adesão à farmacoterapia de doenças crônicas”. Ela esclareceu como funciona a rotina ambulatorial e como se desenvolvem os programas assistenciais, com ênfase no programa de fibrose cística. Além disso, indicou como o farmacêutico pode ser preponderante para o tratamento dos pacientes.
“Como facilitador na adesão, a Farmácia Ambulatorial realiza o atendimento farmacêutico de todos os pacientes dos programas de saúde, garantindo o acesso aos medicamentos necessários. A gente não atende só um programa, a gente atende a todos no Instituto, mas temos quatro programas passando pelo ambulatório, que são: Toxoplasmose, tuberculose, HIV e fibrose cística”, afirmou Milene, acrescentando: “A estrutura é separada por três componentes: básico, estratégico e especializado. O básico é o que tem em uma farmácia de atenção básica, como Dipirona e Salbutamol. O estratégico é dado para toxoplasmose, tuberculose e HIV. Já a fibrose cística entra no componente especializado”.
Aproximadamente, 213 pacientes com fibrose cística recebem tratamento pela equipe multiprofissional especializada no IFF/Fiocruz. O atendimento, no entanto, vai além do cuidado aos cadastrados no programa, como frisa Milene França Souza.
“Nós somos o principal polo de dispensação de medicamentos de fibrose cística no Rio de Janeiro. Eu costumo falar que é um carro-chefe aqui da farmácia ambulatorial. Atendemos esse paciente e essa família todo mês, fazendo a dispensação do medicamento básico e do componente especializado, seguindo a regra do PCDT (Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas), que vem junto com a SEAF (Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica) mensalmente”, concluiu Milene.
Equipe do IFF/Fiocruz que coordenou o evento, liderada por Luciana Moutinho e André Rodrigues Pinto (Foto: Bruno Guimarães)
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