Referência na consolidação e no aprimoramento das políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes cronicamente adoecidos, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) reuniu mais de 100 pessoas, entre profissionais de saúde, mães de pacientes internados, representantes do poder legislativo e instituições para um debate sobre condições crônicas de saúde, os entraves da liberação de insumos e as linhas e redes de cuidados das crianças cronicamente adoecidas.
Em sua sexta edição, o Fórum de Políticas Públicas intitulado – Redes e Linhas de Cuidado para Crianças e Adolescentes Cronicamente Adoecidos e Pessoas com Deficiência retomou suas atividades em formato presencial, após a pandemia do Coronavírus. O evento, que aconteceu na última semana de maio, no Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO), contou com as presenças do diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Flávio Meirelles; da diretora substituta e coordenadora de Atenção à Saúde, Lívia Menezes; da chefe de Gabinete da Direção e coordenadora geral do Fórum, Mariana Setúbal, da representante da Coordenação das Ações Nacionais do IFF/Fiocruz, Maria Teresa Massari; da responsável técnica do Serviço Social do IFF/Fiocruz e coordenadora do evento, Aline Almeida, da coordenadora da Área de Atenção à Criança e Adolescente do IFF/Fiocruz, Maria Alcina, além de convidados e representantes das instituições de saúde Federal, Estadual e Municipal.
Mesa de abertura - VI Fórum de Políticas Públicas do IFF/Fiocruz
O principal objetivo do Fórum foi apresentar e discutir sobre os desafios que envolvem o tratamento e demandas de saúde das crianças e adolescentes adoecidos. Segundo Mariana Setúbal, a escolha do tema não foi fortuita, ela perpassa por momentos de incertezas, pobreza e, sobretudo, retenção de direitos e programas sociais. “Nesse contexto de regressões, pensar políticas públicas e ampliação de acesso dessa população usuária de recursos e insumos tecnológicos não nos coloca na contramão da história. Acreditamos que, na contramão da história, estão os que ainda insistem em perpetuar essa cultura racista, sexista, misógina, segregadora, onde todos são iguais perante a lei, mas uns são mais iguais que outros”, enfatizou. “Esse Fórum é fruto das nossas interpretações profissionais presentes em nosso cotidiano, por isso pretendemos discutir e apresentar os desafios que envolvem o tratamento e as demandas de saúde das nossas crianças e adolescentes cronicamente adoecidos e pessoas com deficiência,” complementou a assistente social, Aline Almeida.
Na sequência, Lívia Menezes falou sobre os desafios impostos na coordenação e proposição de políticas públicas no cenário das instituições públicas. “Somos Fiocruz e somos Sistema Único de Saúde (SUS) e vivemos os mesmos problemas, uns mais, outros menos. Esbarramos em questões relacionadas à articulação de rede, aquisição de insumos, às práticas de capacitação de equipes. Essas questões são comuns ao SUS, porém, ao mesmo tempo que estamos nesse lugar, nunca deixamos de ter o nosso braço assistencial forte e atuante, acreditamos que é dessa prática que vem, inclusive, a construção do que vamos propor nesse espaço de discussão”, complementou a coordenadora de Atenção à Saúde.
O diretor do IFF/Fiocruz aproveitou a ocasião para ressaltar a portaria Nº 4.159, de 21 de dezembro de 2010 que define o IFF/Fiocruz como órgão auxiliar do Ministério da Saúde (MS) no desenvolvimento, na coordenação e na avaliação das ações integradas para a saúde da mulher, da criança e do adolescente, o Instituto assumiu, com mais afinco, o compromisso de trabalhar as políticas públicas de uma forma mais articulada, coordenada e participativa. “O nosso papel junto ao Ministério da Saúde é unir forças, a fim de alavancar e trazer a essas crianças e suas famílias um atendimento digno, e que seus direitos não sejam violentados e nem invisíveis”, afirmou Antônio Flávio Meirelles.
Linhas de cuidados e seus entraves
A política de liberação de insumos e linhas de cuidados no contexto público ainda é muito imatura, dessa forma, é preciso pensar e trabalhar essa prática com legitimidade e comprometimento. O fortalecimento dos serviços para demandas mais complexas, como cuidados paliativos e ventilação mecânica invasiva; a utilização de protocolos clínicos e de acesso; a incorporação tecnológica; o uso de ferramentas de apoio ao trabalho dos grupos e a formação de uma equipe cuidadora, sobretudo em municípios menores, representam importantes desafios a serem enfrentados.
Nesse contexto, a médica cirurgiã pediátrica, Rachel Fernandes, apresentou as principais demandas e desafios relacionados às crianças e adolescentes atendidos no Ambulatório de Patologia do esôfago do IFF/Fiocruz. Na sequência, a assistente social Isabelle Bonisolo fez uma breve abordagem, com demonstração de dados, sobre o perfil das crianças com internações de longa permanência nas enfermarias de pediatria do IFF/Fiocruz e os seus impactos nas altas hospitalares. As apresentações foram encerradas com a demonstração do perfil das crianças e adolescentes cronicamente adoecidos atendidos no Instituto, conduzida por Aline Almeida, assistente social e responsável técnica do Serviço Social do IFF/Fiocruz.
Por fim, a sessão foi aberta para perguntas e questionamentos da plateia. Isso resultou em um documento de relatoria com discussões e encaminhamentos que serão, posteriormente, debatidos em Grupos de Trabalhados. Sobre os direcionamentos,
Mariana Setúbal enfatizou que o importante é unir esforços para avançar nessas práticas. Neste contexto, a assistente social lançou mão de uma citação conhecida de Dom Quixote para encerrar os trabalhos desta edição. “Mudar o mundo, amigo Sancho, não é loucura nem utopia, mas sim justiça” (Dom Quixote).



