Sessão Nobre celebra a história da Neonatologia do IFF/Fiocruz

 

Com o tema Assim nasceu nossa história, foi realizada mais uma Sessão Nobre, em 30/5, no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Com o intuito de apresentar a retrospectiva da área de Neonatologia do Instituto, o evento contou com a presença dos aposentados que fazem parte dessa trajetória. Saudando o público, a coordenadora de Desenvolvimento Institucional do IFF/Fiocruz, Maria Auxiliadora Gomes Mendes, falou que o espaço era uma oportunidade em prol de ultrapassar erros e garantir acertos e boas práticas clínicas. “Estamos aqui celebrando uma história que marcou a vida de cada recém-nascido, de cada família de quem esse grande grupo da Neonatologia cuidou, e continuará cuidando e marcando a vida de cada um de nós. A Neonatologia do IFF/Fiocruz foi inovadora em termos nacionais e se constitui em um marco relevante na história da Neonatologia no Brasil”, afirmou ela.

Neste momento, os neonatologistas Manoel de Carvalho e José Maria Lopes foram convidados a contar sobre o surgimento da área no IFF/Fiocruz. Manoel comentou que eles iniciariam o trabalho, em 1982, quando organizaram uma unidade de atendimento a recém-nascidos graves, junto com a equipe já existente no berçário da instituição, mudando assim o perfil de cuidado prestado na instituição. “Colocamos no papel o que achávamos de como a assistência ao recém-nascido de alto risco deveria acontecer no Rio de Janeiro e fomos atrás de patrocínio para por em práticas as nossas ideias. O início do trabalho foi bem difícil devido a falta de suporte e a inexperiência da equipe se tratando desse tipo de paciente”, lembrou ele.

A residência médica começou oficialmente em 1984 e, até o momento, já são 34 turmas, com 199 neonatologistas formados na instituição. As primeiras residentes foram as neonatologistas Regina Lucia Ungerer e Rosane Reis de Mello, que se sentem honradas de fazer parte dessa história. “Estou muito emocionada de estar nesse encontro, o meu trabalho no IFF/Fiocruz moldou a minha trajetória profissional”, disse Regina. “Meu crescimento profissional se deu devido aos atendimentos ao longo dos anos, que me possibilitou o desenvolvimento de projetos de pesquisa, produção e publicação de dezenas de artigos, e a parceria com áreas, como a radiologia e a função pulmonar. Eu só tenho a agradecer, principalmente às famílias e aos prematuros, que me permitiram trilhar essa profissão com muita dedicação, ética, profissionalismo e amor”, agradeceu Rosane.

Feliz com os depoimentos, Manoel frisou que os maiores neonatologistas e enfermeiras neonatais atuais do país passaram pelo Instituto. “Essa aqui é uma casa de formação. Hoje, os que começaram como residentes são diretores de hospitais e grandes neonatologistas, isso é um orgulho muito grande”, completou ele. De fato, Jofre Cabral, que aparece nos registros como o primeiro residente, é atualmente diretor clínico da UTI Neonatal da Clínica Perinatal Laranjeiras, e foi lembrado com carinho pelos colegas.   “Alguns não estão mais conosco, mas não conseguimos esquecer o que nos ensinaram. Sempre tem aqueles que nos ajudam, porque não conseguem largar o serviço, mesmo não estando diretamente na equipe”, informou a neonatologista do IFF/Fiocruz Cynthia Amaral, atual gestora da área junto com a enfermeira Karla Pontes.

Em 1990, foi fundado o Laboratório de Função Pulmonar do IFF/Fiocruz pelo neonatologista José Maria Lopes. Sua experiência com pesquisa e fisiologia pulmonar neonatal motivou a construção desta linha de pesquisa e investigação. Sendo assim, importou aparelhos cedidos pela Universidade em Montreal, no Canadá, e iniciou pesquisas preliminares à beira do leito. “O laboratório ainda é de vital importância para o departamento e atende todos os serviços de Neonatologia do Rio de janeiro, público ou particular”, informou Cynthia, que homenageou também a pesquisadora Cynthia Magluta, que criou a Pesquisa Clínica do Instituto junto com a coordenadora de Pesquisa do IFF/Fiocruz, Maria Elizabeth Lopes Moreira.

Representando a primeira turma dos residentes de enfermagem do Instituto, a enfermeira Grace Araújo deu a sua declaração. “O trabalho era um prazer, não só pela busca do conhecimento, pois tudo era uma novidade, mas tinha além da tecnologia e do aprendizado. Aqui eu cresci como profissional e como ser humano”, falou emocionada. Nesse momento, Cynthia aproveitou para falar a respeito da equipe multiprofissional. “Vieram agregar e estão fazendo a diferença”, elogiou ela.

Os projetos recentes da área também foram apresentados por Cynthia, como o Planejamento Estratégico, onde são listados os problemas e as ações a fim de melhorar a qualidade do atendimento e proporcionar um ambiente de trabalho mais saudável. Já sobre os em desenvolvimento, Cynthia destacou o projeto referente ao Mínimo Manuseio, que consiste em um conjunto de medidas padronizadas e que devem ser executadas por toda a equipe da UTI Neonatal. A iniciativa visa promover conforto ao recém-nascido, facilitar o sono e repouso, e garantir a redução do número de manipulações desnecessárias as quais o recém-nascido prematuro extremo é submetido durante sua internação. “Depois que o projeto foi introduzido, em 2017, diminuímos em quase 50% a taxa de infecção, a parte nutricional e da função pulmonar melhoraram, e o tempo médio de permanência que era de 19 dias, passou para 10 dias”, comemorou ela.

No encerramento, Cynthia agradeceu pelos ensinamentos e contou que o que mais aprendeu com os que passaram antes dela foi a ter autoestima, confiança e ousadia. “Se não confiarmos no nosso trabalho e não tivermos a ousadia de mudarmos o que achamos que está errado, o serviço não evolui. Fazer esta apresentação é muito pouco para agradecer a todos vocês que construíram a nossa história”, disse ela. “Nessa jornada, criamos grandes amizades, uma equipe unida e de parceria. O serviço cresceu, mas estamos sempre juntos em festas, encontros científicos, em conversas na UTI... Todos temos boas lembranças!”, concluiu.