Juliana Xavier
Pensando sobre a recente inserção do psicólogo no âmbito hospitalar e na busca contínua de seu reconhecimento profissional dentro desse setor, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) comemorou, no último mês, mais uma jornada de Psicologia com o tema: Psicologia Hospitalar hoje: reflexões sobre a prática. O assunto foi um convite à reflexão crítica do processo de trabalho da Psicologia Hospitalar em vários contextos e realidades. A discussão foi protagonizada com o intuito de solidificar o conhecimento já acumulado dos profissionais e com isso, avançar na direção de novas perspectivas com a finalidade de melhorar as práticas de atendimento aos pacientes e seus familiares.
O momento foi oportuno para uma troca de experiência sobre a atuação do psicólogo em instituições públicas e privadas do Rio de Janeiro. A discussão permitiu aos profissionais exporem as suas práticas de trabalho e peculiaridades e como essa atuação minimiza o sofrimento provocado aos pacientes hospitalizados. Na abertura do evento, o diretor do IFF, Carlos Maciel, enfatizou a trajetória da Coordenação Técnica de Saúde Mental do Instituto e como esse trabalho vem contribuindo para o bem-estar emocional dos pacientes e seus familiares. “O nosso serviço não fica somente nos consultórios, a equipe busca, diariamente, aprendizado e aperfeiçoamento e transmite isso ao paciente em forma de um atendimento sólido e capaz de melhorar o seu entendimento, muitas vezes, diante de uma realidade tão difícil”.
Na sequência, a conselheira e presidente da Comissão Gestor da Subsede da Baixada Fluminense do Conselho Regional de Psicologia, Vanda Vasconcelos, parabenizou a equipe de psicólogos do IFF e disse que o trabalho desenvolvido pelo Instituto é uma referência nacional.
Para o diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira do IFF, Antônio Flávio Meirelles, essa prática só é possível porque o IFF conta com uma equipe empenhada na busca diária por um atendimento de excelência. A coordenadora técnica de Saúde Mental do Instituto, Jacqueline de Vicq lembrou que esse desafio requer muito trabalho e dedicação. “Estamos buscando oportunidades de ampliar, através da capacitação, o trabalho da psicologia hospitalar e com isso, atender as demandas trazidas pelos pacientes, ” enfatizou.
Atuação e prática
Outro ponto de reflexão do evento girou em torno das apresentações trazidas pelas profissionais de outras instituições. Para a psicóloga do Hospital Pedro Ernesto da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Andréa Albuquerque, a psicologia exerce um papel muito importante no sentido de sedimentar a inserção da equipe hospitalar, o que possibilita o aprimoramento dos vínculos entre os profissionais. Esse cenário de união contribui para o tratamento que vai além do adoecimento, o paciente e o seu familiar são vistos também na sua condição emocional. A psicóloga da Maternidade Perinatal, Helena Aguiar defendeu uma prática centrada no cuidado à família, ela acredita que esse acolhimento desfaz fantasias, muitas vezes trazidas pelas mães dos recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva, e com isso, aumenta a informação e reestrutura o pensamento, reduzindo a ansiedade e a depressão.
Outra vertente da psicologia hospitalar foi abordada pela psicóloga do Instituto Nacional do Coração (INC), Vanessa Espíndola, que relatou a escuta do paciente como ferramenta de intervenção, no sentido de ouvir a queixa e mediar a solução para o problema. “O sofrimento psíquico deve ser notado desde o primeiro momento e cabe ao profissional de psicologia direcionar e intervir através de um tratamento adequado para cada paciente”. Esse ponto também foi defendido pela psicóloga do hospital Copa D’or, Fernanda Saboya, que enfatizou o êxito do trabalho sob a luz da escuta clínica e suas representações.
“A causa e a cura do câncer permanecem na obscuridade, isso causa efeitos devastadores na vida de uma pessoa que adoece por câncer”. Foi nessa perspectiva que a psicóloga do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Alessandra Sousa conduziu a sua apresentação, ela relatou que o diagnóstico da doença e todo o seu processo são vividos pelo paciente e pela sua família como um momento de intensa angústia, sofrimento e ansiedade e que o profissional de psicologia precisa entender todo esse processo para que consiga atuar nesse cenário.
A segunda parte do evento foi dedicada à atuação no IFF e contou com uma mesa redonda sobre as práticas da psicologia hospitalar no Instituto, com a participação da médica psicanalista Selene Afonso, da pesquisadora e psicóloga Fátima Junqueira e da psicóloga do Banco de Leite Humano, Eliane Oliveira. Fátima Junqueira salientou a importância de eventos como o que aconteceu para o fortalecimento do espaço da psicologia dentro das unidades de saúde e de Institutos como o IFF. Enfatizou, também, a importância do trabalho multiprofissional dentro do ambiente hospitalar. “É muito bom a gente ver como os trabalhos vão se alinhando sempre centrados na família dos pacientes, na equipe multiprofissional e nos impasses que a gente vive dentro do Instituto”, disse ela.
A mesa redonda sobre as práticas da psicologia hospitalar no I contou com a participação das profissionais Selene Afonso, Fátima Junqueira e Eliane Oliveira.
Após a mesa redonda aconteceu o Simpósio sobre Psicologia Hospitalar e as experiências com processos grupais, apresentado pela coordenadora da residência médica em psicologia, Kátia Maria Oliveira. O Simpósio teve como objetivo explicar o funcionamento do COJ/IFF e a importância da residência multidisciplinar com a apresentação de trabalhos das residentes, Fabiana Almeida Pádua, Luana Nogueira de Farias moura, Milena da Cunha Ribeiro e Leticia Warwar Zaffari. Para Kátia Maria Oliveira a residência multiprofissional, proporcionada pelo IFF, permite a atuação do psicólogo no ambiente hospitalar junto com outros profissionais de saúde, permitindo uma gama maior de conhecimento. “Nas faculdades estamos acostumados a estudar a Psicologia ligada ao sujeito e isso se descontrói quando optamos por trabalhar em hospitais. Saímos do indivíduo estudado nas academias e passamos para o coletivo encontrado nas unidades de saúde. E poder estudar esse coletivo juntamente com profissionais de outras áreas é sempre muito benéfico para a Psicologia”, finalizou ela.
Simpósio sobre Psicologia Hospitalar e as experiências com processos grupais, apresentado por Kátia Maria Oliveira e pelas residentes de psicologia do IFF.



