Em alusão ao Dia do Psicólogo, comemorado em 27 de agosto, a Coordenação Técnica de Saúde Mental do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira promoveu o Simpósio Mapeando Territórios: O Psicólogo nas Ações de Desospitalização. As discussões permearam o contexto das internações de pacientes crônicos, a partir das ações realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS), realidade que os profissionais do IFF convivem diariamente. Reunindo profissionais de diversas instituições e estudantes, o evento possibilitou uma rica troca de experiências, propiciando novas perspectivas na atenção aos pacientes e seus familiares.
“Em 2015, fizemos o primeiro simpósio, focado na atuação do psicólogo hospitalar. Este ano, o fio condutor foi o papel deste profissional nas ações de desospitalização, seja trabalhando no hospital, seja atuando na Rede Básica e auxiliando no processo em que o paciente crônico e sua família necessitam da continuidade do cuidado fora do hospital. De que forma os psicólogos podem contribuir neste momento da ida para casa, assim como nos aspectos que envolvem a saída do hospital e o compartilhamento de experiências nesta área foram alguns dos temas enfocados neste encontro”, ressaltou Simone Carvalho, psicóloga da Coordenação Técnica de Saúde Mental do IFF e uma das organizadoras do Simpósio.
Durante a abertura, a representante do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, Rosilene Gomes, pontuou que a discussão é oportuna neste momento em que a categoria está comemorando 55 anos de profissão regulamentada no Brasil: “A Psicologia tem contribuído de forma integral em múltiplos espaços, em favor de uma saúde de qualidade, em que a vida tenha importância a partir dos referenciais dos direitos humanos. Pensar a desospitalização significa pensar que saúde é uma produção cultural e social, pois envolve desde o profissional de saúde, até as pessoas da casa, que estarão diretamente ligadas ao cuidado dos pacientes. Cabe a nós, que habitamos os locais que produzem saber em saúde, refletir como isso pode se dar de forma mais potente”.
Para a coordenadora técnica de saúde mental, Maria Jacqueline de Vicq, o êxito da desospitalização está diretamente relacionado ao período da internação. “Lidar com a doença crônica é difícil para todos os atores envolvidos. O sucesso da ida para casa, vai depender de como foi o período de internação, tanto para os pacientes, quanto para os familiares. Os pais que têm o apoio de profissionais com quem possam desabafar suas angustias durante a internação conseguem lidar melhor emocionalmente com a desospitalização. Um dos papéis do psicólogo é se aproximar de quem sofre, ouvir e, com isso, dar um lugar a essa pessoa”, pontuou Jacqueline. “O cuidado não é apenas uma técnica, e sim uma forma de se relacionar com o mundo. Gestos, olhares e palavras também são formas de cuidado. Ao se tratar uma doença, não podemos deixar de lado o sujeito que a possui. Assim, a humanização no âmbito da assistência à saúde se torna essencial, pois permite que o indivíduo seja tratado em sua totalidade”, completou o vice-diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira, Franz Novak.
“Existe um entendimento de que a Rede Básica não dá conta de atender os pacientes crônicos. O trabalho que desenvolvemos no IFF com foco na desospitalização, tanto no âmbito da enfermaria, quanto no ambulatório, quer mostrar que isso está mais relacionado a uma mudança de cultura, do que à impossibilidade prática. Estamos caminhando com uma visão de gestão que possibilite o manejo dos pacientes nas três esferas do SUS, sem que o paciente fique preso ao que chamamos de modelo hospitalocêntrico. Desta forma, trabalhamos com a vertente do atendimento pela equipe multiprofissional e também com a integração do paciente na rede. A integração e a interdisciplinaridade são as palavras chaves deste processo. Contar com psicólogos na equipe é de grande importância”, ressaltou o coordenador de Atenção à Saúde, Antonio Albernaz.
Dependentes de algum tipo de tecnologia e por falta de políticas públicas eficazes, crianças seguem internadas em unidades de saúde pelo país ainda que já tenham alcançado condições de estabilidade clínica para continuar o tratamento em domicílio. Iniciando as discussões, a assistente social da Pediatria do IFF, Mariana Setúbal, abordou as ações estratégicas - entre o direito e a saúde – na desospitalização de crianças crônicas complexas. Ainda no âmbito das políticas públicas, o pediatra do Instituto, Almiro Cruz, apresentou a experiência à frente do Programa de Assistência Domiciliar Interdisciplinar.
Com representantes da Secretaria Municipal de Saúde e do Ministério da Saúde, o painel seguinte promoveu um mapeamento do território do Rio de Janeiro. De um lado, a gerente da Área Técnica de Saúde do Homem e da Pessoa Idosa, Germana Perissé, e a psicóloga Nathalie Giovannini abordaram o Programa de Atenção Domiciliar ao Idoso; de outro, Claudia Mendes, representou a Câmara Técnica de Desospitalização dos Hospitais Federais.
O último painel do Simpósio contou com a participação de quatro profissionais, que abordaram a inserção do psicólogo nas ações de desospitalização a partir de diferentes eixos. As profissionais da Coordenação Técnica de Saúde Mental do IFF, Lizete Dickstein, Maria Martha Moura e Katia Oliveira, abordaram, respectivamente, as relações para além da transferência, a atenção ao vínculo no cuidado do paciente crônico e os contrastes existentes entre os territórios casa e hospital. Já a técnica em Assuntos Educacionais e psicóloga, Mirian Grayce Guimarães, compartilhou a experiência da Psicologia na equipe de desospitalização no Hospital Federal de Bonsucesso.



