Mesa redonda no IFF levanta discussão sobre a importância da inovação em hospitais  

 

Nara Boechat    

Ao longo dos últimos anos, o Brasil vem reconhecendo a importância das inovações para o seu desenvolvimento sócio-econômico. Neste contexto, o Ministério da Saúde vem incentivado o tema, com foco nas dinâmicas econômica, das instituições e da política pública. Com o objetivo de trazer a discussão para o ambiente hospitalar, o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), juntamente com a Vice-direção de Pesquisa, sediou a mesa redonda “Promovendo a Inovação Hospitalar”, com mediação da analista de Gestão do NIT, Gisele Mendonça, e participação do vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, Pedro Barbosa, o professor titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Sociedade Latino-Americana de Biomateriais, Órgãos Artificiais e Engenharia de Tecidos (SLABO), Marcos Pinotti, e o sócio da empresa Remer Villaça & Nogueira e professor do curso de Gestão de Inovação da Unicamp, Ricardo Remer.

O encontro, que falou sobre inovações em hospitais brasileiros, envolvendo dinâmicas econômica e política, a transformação das ideias em inovação e o processo da mesma, foi um preparatório para o 2º Simpósio de Inovação Hospitalar da Fiocruz, previsto para o ano que vem. Nos últimos anos, foram desenvolvidos no IFF diversas inovações. Destas, oito já possuem patente concedidas, sendo uma delas nos Estados Unidos – o dispositivo para alimentação alternativo para bebês em risco; duas estão em análise junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI); e uma está em fase de depósito. No portfólio de Inovação da Fiocruz, o IFF soma 10 projetos. No evento, os palestrantes enfatizaram a importância da transferência de conhecimento para a sociedade, investindo, principalmente, na mudança da compreensão da inovação pelos profissionais da área. “Não espere acontecer, faça acontecer”, enfatizou Pedro Barbosa.

Barbosa destacou que a possibilidade de superar as desigualdades. “Essa interação é muito importante para o Brasil, dado a compreensão de saúde como direito”. Ainda segundo o vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento da Fiocruz, diferentemente do que se pensava antigamente, a inovação começa no hospital. “A compreensão clássica é de que quem inova é a indústria e que os serviços eram passivos. Os serviços não apenas são responsáveis pela inovação neles próprios, como boa parte da inovação das indústrias nasce dos serviços”. Um dos exemplos citados é a internação e atenção domiciliar, praticada pelo IFF. “É um processo de inovação que transforma a lógica do hospital, gerando ganhos de naturezas econômica e sanitária. Isso altera toda a organização administrativa e de cuidado no hospital”.

Mas de onde nasce a inovação que beneficia a sociedade? Engenheiro de formação, Marcos Pinotti apresentou as habilidades para ser um inovador, como a inspiração e criatividade, e a trajetória que uma ideia faz até chegar à criação. “Inovação é uma nova ideia que cria valor para o cliente, o negócio e para a sociedade. Para fazer uma, temos que enfrentar o desafio, identificar as necessidades, inventar uma solução e implementá-las”, explica Pinotti, destacando os benefícios que isso pode trazer para a medicina. “Não vão substituir os médicos, mas empoderá-los”.
Seguindo a mesma linha de pensamento inovador, o professor da Unicamp Ricardo Remer realça o processo para que aconteça. “Ninguém idealiza, pensa e a inovação está pronta. É um processo que requer etapas, vários atores e perfis. Mas, especialmente no nosso contexto, é um novo papel social da entidade promotora de conhecimento para promover saúde social e desenvolvimento econômico”. Para Remer, restringir o acesso da pesquisa à sociedade é tornar a inovação menos inovadora. “O valor da propriedade intelectual é o uso, restringi-la gera custos. Inovação faz bem à saúde”, finaliza.

Estiveram presentes no evento representantes da Uerj, Finep, Rede D’Or, INT, UFRJ, Hemorio, INTO, BNDES, IBMR, UFF, Hospital Adventista Silvestre, UniRio, Perinatal, Estácio, Galpão 3, além dos amigos do IFF e demais unidades da Fiocruz.