IFF participou da oficina do MS que debateu morte materna de mulheres negras no SUS 

 

A primeira oficina de trabalho Morte de Mulheres Negras no Contexto do SUS foi organizada pelo Ministério da Saúde, em Brasília, entre 23 e 24 de novembro. O evento teve como objetivo organizar e programar ações que busquem qualificar trabalhadores e trabalhadoras do Sistema Único de Saúde (SUS) para o enfrentamento ao racismo que é um dos fatores estruturantes da mortalidade materna entre as mulheres negras. 


O evento aconteceu entre os dias 23 e 24 de novembro

 

A abertura do evento contou com representantes do Ministério da Saúde, do Ministério da Igualdade Racial, do Ministério das Mulheres, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, e da coordenadora de Ações Nacionais do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e responsável pela execução de estratégias nacionais para a redução da mortalidade materna, Maria Gomes. A participação do IFF/Fiocruz foi importante no contexto das ações desenvolvidas, nacionalmente, com foco na melhoria do cuidado, na qualidade e segurança às mulheres durante a gestação, parto, nascimento e puerpério, com objetivo final de reduzir a mortalidade materna no Brasil. 


Ministra da Saúde ao lado das pesquisadoras e participantes do evento


Segundo Maria Gomes, a atuação nacional do Instituto se fortalece para o enfrentamento da Mortalidade Materna de mulheres negras. “Trabalhamos nas ações referentes ao fortalecimento da capacidade de gestão dos estados, qualificação do cuidado clínico, por meio de ferramentas digitais, atuação por meio do nosso ambiente virtual de aprendizagem e a condução de estratégias que desenvolvem práticas de monitoramento nos desfechos obstétricos. A ministra, Nísia Trindade, citou a transversalidade como forma de enfrentamento da mortalidade materna entre mulheres negras, diante disso, podemos afirmar que as iniciativas precisam estar permeadas pelo enfoque da redução da iniquidade, com destaque para a redução dos óbitos maternos entre mulheres negras, que ainda tem um peso e um impacto em termos de indicadores, práticas e desfechos obstétricos”, enfatizou.

O dado mais alarmante discutido durante a oficina diz respeito à Razão de Mortalidade Materna (RMM), isto é, o número de óbitos por 100.000 mil nascidos vivos, que são registrados em até 42 dias após o término da gravidez (atribuídos a causas ligadas à gestação, ao parto e ao puerpério). Os dados do SIM (2022), discutidos durante o evento, mostram que a mortalidade materna é duas vezes maior entre as mulheres pretas, pois ultrapassou 100,38 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. Entre as mulheres pardas, o índice ficou em 50,36 mortes e 46,56 entre mulheres brancas. A RMM continua altíssima e distancia o Brasil do cumprimento da meta pactuada junto às Nações Unidas para redução a 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030.

A oficina de trabalho Morte Materna de Mulheres Negras no Contexto do SUS ainda contou com uma discussão sobre gravidez na adolescência, com a formação de grupos de trabalho e uma plenária para apresentação de propostas.