IFF/Fiocruz realiza II Congresso de Condições Crônicas Pediátricas com diversas temáticas 

 

Entre os dias 17, 18 e 19 de outubro, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescentes Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) lotou o auditório do Salão Nobre do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro com a realização do II Congresso de Condições Crônicas Pediátricas. Com o patrocínio da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), o evento teve como objetivo contemplar as diferentes áreas de conhecimento no âmbito da saúde e fomentar a troca de experiência entre seus participantes, destacando a importância da interdisciplinaridade e da intersetorialidade no cuidado às crianças com condições crônicas complexas e suas famílias. 

Participaram da cerimônia de abertura, a coordenadora geral de Atenção Domiciliar do Ministério da Saúde (MS), Mariana Borges; a diretora executiva adjunta da Fiocruz, Priscila Ferraz; a chefe de Gabinete da Presidência da Fiocruz, Zélia Profeta; a coordenadora de Atenção à Saúde da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Patrícia Canto; o diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Flávio Meirelles; a chefe de Gabinete e representante da Comissão Organizadora do evento, Mariana Setúbal; a representante da Coordenação de Ações Nacionais e de Cooperação do IFF/Fiocruz, Maria Tereza Massari; a coordenadora da Área de Atenção à Criança Clínica do IFF/Fiocruz, Thaize Sobreiro; a coordenadora do Núcleo de Apoio a Projetos Educacionais e Culturais (Napec), Magdalena Oliveira; a representante do Projeto Novos Caminhos do IFF/Fiocruz, Sanny Gabeira, além de representantes de diversos órgãos de saúde e educação do estado do Rio de Janeiro de demais estados brasileiros. 


Participantes da mesa de abertura (Foto: Bruno Guimarães)

Thaize aproveitou a oportunidade para agradecer a participação dos envolvidos no processo de idealização do II Congresso e mencionou a importância do tema para o cuidado enquanto um direito humano. “Pensamos no cuidado que reconhece e protege a dignidade humana, que olha memórias e afetos”, enfatizou. Na sequência, o diretor do Instituto chamou atenção para a importância dos avanços na melhoria do cuidado às crianças e adolescentes com doenças crônicas. “Precisamos inserir essas crianças e adolescentes com condições crônicas e complexas e seus cuidadores no orçamento dos municípios, dos estados e do MS”, frisou Meirelles. Ele aproveitou o momento para fazer uma homenagem à médica pediatra Olga Bastos, que faleceu no último mês e deixou um legado de pioneirismo, compromisso e delicadeza, que sempre permeou o acolhimento e a escuta empática aos adolescentes atendidos no Ambulatório de Adolescentes do IFF/Fiocruz. 

A coordenadora de Atenção à Saúde da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Patrícia Canto, mencionou a importância do trabalho realizado pelo Instituto no processo de desospitalização de crianças e adolescentes. “O afeto, carinho e atenção que permeiam a assistência do IFF são pontos importantes para o sucesso da desospitalização. A parceria do Instituto com o Ministério da Saúde é um braço fundamental para a formação e capacitação de profissionais que atuam, diariamente, na atenção pública”, pontuou. 

“É importante tratar o tema desospitalização de crianças e adolescentes com adequado apoio, tanto das tecnologias duras, quanto das tecnologias mais leves, mas para além disso, é fundamental que a sociedade, junto aos profissionais de saúde, assuma uma política pública de humanização dentro do SUS”, evidenciou o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde, Hermano Castro, que participou do evento remotamente. 

Mariana Setúbal encerrou a cerimônia de abertura com uma breve explanação sobre a trajetória do Congresso. “A programação desse evento traduz a necessidade de revisitar constantemente nosso cuidado em saúde, na busca pelas boas práticas e pelas melhores evidências, aliado ao fato de que um dos principais desafios para quem presta esse cuidado é como estabelecer sinergia e colocar em prática e articulação intersetorial com as redes de atenção em saúde”, enfatizou. 

As múltiplas dimensões da produção do cuidado em saúde

Na sequência, foi ministrada a conferência magna, conduzida pelo professor e pesquisador, Túlio Batista Franco. O professor fez uma breve abordagem sobre as dimensões do cuidado. De acordo com o pesquisador, estamos vivendo uma época em que somos desafiados a pensar os conceitos que nós trazemos conosco e que vão balizar as nossas práticas. “Vivemos uma profunda radicalidade, uma época que precisamos ousar para inovar. Temos que ousar, especialmente, sobre as mudanças de conceito, é preciso encontrar com as nossas verdades de muitos anos e saber se elas permanecem atuais ou não. É preciso desconstruir certos territórios que achávamos que eram territórios seguros e não são e reconstruí-los novamente”, argumentou Franco. 

Outro ponto abordado pelo palestrante foi sobre o conceito de corpo, que segundo ele, é entendido como uma potência e tem uma capacidade de produção da sua vida, motivada por uma enorme energia que funciona como mola propulsora. “As pessoas estão em movimento na produção de suas vidas, na produção do meio em que vivem”. 

Por fim, ele fez um paralelo entre o processo de desospitalização e a ampliação e qualificação do serviço de referência territorial. Segundo Túlio, é preciso mudar o conceito de atenção primária e atenção básica. Essa rede não pode ser apenas uma atenção preventiva e de promoção, ela precisa ser robusta, equipada e qualificada para um serviço de cuidado intermediário. “Nós temos experiências exitosas na Europa com hospitais comunitários que são hospitais de referência territorial, vinculados a uma atenção básica para pessoas que são assistidas pela atenção primária. A atenção básica precisa estar capacitada a fazer essa relação. É preciso ousar construir algo novo e diferente, o nosso tempo exige isso. Atenção básica não pode ser somente clínica básica, ela precisa ser muito mais que isso”, evidenciou Franco.  


Professor Túlio falou sobre dimensões de produção do cuidado (Foto: Bruno Guimarães)


Temas como: Cuidados paliativos perinatais; Cuidados paliativos de crianças com condições crônicas complexas; Programa melhor em casa e os cuidados paliativos pediátricos; Como dar notícias difíceis para os pais? Luto da família; Morte e luto e Atuação da equipe de cuidados paliativos frente a esses desafios, foram temas abordados ainda no primeiro dia de evento.

O segundo dia do congresso contou com a participação remota, inédita no Brasil, do professor e pesquisador Dr. Eyal Cohen. O Dr. Cohen é professor das disciplinas de Pediatria e Política, Gestão e Avaliação de Saúde na Universidade de Toronto. Ele é também cofundador do Programa de Cuidados Complexos do Hospital SickKids, em Toronto. É uma referência acadêmica mundial no tema das condições crônicas complexas de saúde na infância e nos brindou com uma palestra sobre Complex Care Program: O cuidado de crianças com CCC num hospital de referência no Canadá.


Participação remota, inédita no Brasil, do professor e pesquisador Dr. Eyal Cohen (Foto: Sabrina Viana)


Além das atividades realizadas no primeiro dia, diversos temas foram abordados nos outros dois dias. O II Congresso foi encerrado com a premiação de trabalhos científicos realizados através de relatos de experiências, revisão literária, entre outros estudos com abordagem quantitativa e qualitativa. Foram selecionados três temas: “O conhecimento do médico pediatra sobre tecnologia assistida e os impactos no cuidado em saúde, idealizado pelos autores: Andressa Alvarez Arantes; Priscila Blasquez da Costa Leite; Daniela Koeller Rodrigues Vieira e Fernanda do Nascimento. 

O segundo lugar foi o trabalho intitulado: “A análise da tessitura dos vínculos no cenário da desospitalização pediátrica na respectiva dos trabalhos do campo hospitalar”, idealizado por Fernanda do Nascimento Maia. A terceira premiação foi: “O impacto da ausência dos atendimentos presenciais durante a pandemia da Covid-19 nas condições clínicas e nutricionais de adolescentes com fibrose cística”, protagonizado pelos autores: Lavínia Mayara da Silva Reis; Nelbe Nesi Santana; Aline Antunes de Cerqueira Pinheiro; Maurício Antônio da Silva Júnior; Christine Pereira Gonçalves e Vanessa Valentim.


Ganhadoras do 3º lugar na premiação dos trabalhos (Foto: Bruno Guimarães)


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