O 2º Seminário de Produção de Vida no Contexto Hospitalar Neonatal e Pediátrico foi realizado, em 15/8, no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). O evento, organizado pela equipe da Terapia Ocupacional, celebrou o Dia da Infância, comemorado no dia 24 de agosto, data que tem como propósito promover a reflexão sobre as condições em que as crianças vivem no mundo inteiro.
Nesse contexto, a Terapia Ocupacional do IFF/Fiocruz convidou profissionais de saúde e demais interessados sobre a temática da infância a dialogar sobre o conceito de ocupação inerente à prática terapêutica ocupacional e outros saberes relacionados ao cotidiano de crianças hospitalizadas.
Equipe da Terapia Ocupacional, responsável pela organização do evento, e palestrantes / Foto: Everton de Lima Miranda (IFF/Fiocruz)
A responsável técnica da Terapia Ocupacional do IFF/Fiocruz, Natália Molleri, iniciou o evento dando as boas-vindas ao grande público presente no Anfiteatro A do Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO). Na sequência, o diretor do Instituto, Antônio Flávio Meirelles, falou sobre a importância da integração e colaboração entre os profissionais de saúde da instituição. "Nós, aqui do Instituto Fernandes Figueira, trabalhamos em conjunto para garantirmos os direitos e o melhor cuidado para os usuários e suas famílias”.
A seguir, a assistente social do Instituto, Katty Anne Marins, apresentou a palestra Cuidado centrado no paciente e na família, que trouxe reflexões sobre o papel desempenhado pelo IFF/Fiocruz no cuidado e as complexidades envolvidas no atendimento a crianças com condições crônicas. Ela mencionou que há uma transição epidemiológica pediátrica em andamento, com a redução da mortalidade de crianças com condições de malformações, doenças raras e prematuridade extrema. “O avanço das tecnologias em saúde, entre outras questões da temática das Condições Crônicas Complexas (CCC), demanda que os profissionais de saúde estejam em constante formação, capacitação profissional e em busca de novas formas de organização do cuidado”.
Katty também apresentou alguns marcos legais relacionados ao cuidado das crianças e adolescentes com CCC, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Programa Nacional de Triagem Neonatal, e enfatizou que o impacto das desigualdades sociais e regionais no cuidado em saúde é um ponto importante que precisa ser continuamente abordado.
Natália Molleri explicou como as ocupações, conforme definido pela Federação Mundial de Terapia Ocupacional, são atividades diárias realizadas por indivíduos, famílias e comunidades para dar sentido e propósito à vida. Ela ressaltou a importância de entender o que se espera de um bebê, especialmente em contextos em que as famílias enfrentam a realidade de um bebê internado, já que as expectativas sobre o desenvolvimento, baseadas em um ideal imaginário, são desafiadas. A terapeuta observou que, no ambiente hospitalar, as respostas sobre o que um bebê faz são frequentemente limitadas a atividades básicas, como comer e dormir, e que é essencial educar as famílias sobre as diferentes dimensões das ocupações infantis.
A terapeuta ocupacional do IFF/Fiocruz, Bárbara Gameleira, detalhou as estratégias de conscientização quanto às ocupações dos bebês para equipes e famílias da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e da Cirurgia Pediátrica (Cipe), elaboradas pela equipe da Terapia Ocupacional do Instituto. Ela destacou também os grupos multidisciplinares que apresentam aos usuários do Pré-Natal as expectativas de desenvolvimento dos bebês no primeiro ano de vida, instrução quanto às ocupações dos bebês e as co-ocupações desempenhadas pelos cuidadores, o calendário vacinal dos recém-nascidos, entre outras informações.
O evento ainda contou com as palestras: Conceito de Ocupação para a Terapia Ocupacional: norteadores da prática, ministrada pela terapeuta ocupacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Helen Conceição de Oliveira Silva; Planejamento terapêutico centrado no paciente e na família, com os terapeutas ocupacionais do IFF/Fiocruz, Barbara Gameleira, Clarice Lessa e Higor Alvarenga; e Outros olhares sobre o cotidiano, com a psicopedagoga hospitalar do Hospital Estadual da Criança (HEC), Elaine Pinheiro Marques, os artistas palhaços e coordenadores do Projeto Roda de Palhaço e do Instituto Roda, Julia Schaeffer e Guilherme Miranda, a terapeuta ocupacional do Hospital Municipal Salgado Filho, Patricia Cymerman Raibolt Labre, e a coordenadora do Projeto de Extensão Alunos Contadores de Histórias do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ), Veronica Pinheiro.
Os presentes tiveram uma tarde rica de aprendizado e trocas / Foto: Everton de Lima Miranda (IFF/Fiocruz)
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