O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) reuniu, no dia 27/8, profissionais de saúde que atuam na área maternoinfantil para celebrar a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), reforçar a importância da amamentação na vida da criança e alertar como a falta dela pode refletir no futuro.
O evento teve na mesa de abertura, o diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO) do IFF/Fiocruz, José Augusto Alves de Britto; a enfermeira e coordenadora da Assistência do Banco de Leite Humano (BLH) do IFF/Fiocruz, Maíra Domingues; a representante da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), Maria da Conceição Salomão; o diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Meirelles; a representante do Núcleo de Saúde do Trabalhador da Coordenação de Saúde do Trabalhador (Nust/CST), Isis Letícia; e a gestora do Comitê de Aleitamento Materno do IFF/Fiocruz, Nina Savoldi.
Integrantes da mesa de abertura (Foto: Everton Lima)
Iniciando as falas, José Augusto agradeceu a participação de todos. “Certamente vocês terão um dia muito feliz e produtivo”. Nina Aurora explicou sobre a diversidade de pacientes que o Instituto recebe todos os dias, dando ênfase na importância do acolhimento. “Nós recebemos uma diversidade de mães e gestantes, que são multiculturais, de diversos países, como Angola e Haiti, com linguajar e culturas diferentes. Também temos recebido muitas mães homoafetivas e pais transgêneros, e a equipe multiprofissional está aqui para recebê-los e dar todo apoio nesse processo”.
Maíra Domingues destacou o afeto. “Queremos entender como podemos fazer nas nossas unidades, em diferentes locais do Rio de Janeiro, do Brasil. Saber como podemos, de fato, apoiar, considerando todas as situações, corpos, raças, cores, gêneros. Que possamos, além desse apoio e aprendizado, também ter o afeto em todas as nossas ações em prol da amamentação, oferecendo o melhor serviço possível para cada família que precisa de apoio para amamentar com as suas singularidades e especificidades”.
Isis Letícia comentou sobre a relevância do evento. “É fundamental estarmos aqui pensando e melhorando a nossa prática, pois os temas vão valer várias reflexões importantes, como apoiar trabalhadoras que amamentam em todas as situações, inclusive no seu local de trabalho”.
Maria da Conceição frisou sobre a necessidade da boa comunicação em equipe. “Esse é o momento de mostrar o que o Brasil faz para o exterior. Uma equipe é como se fosse uma orquestra, em que cada um entra em um determinado momento e, com esse entrar, produz uma harmonia, um efeito muito bom. O responsável por isso é a boa comunicação, e hoje estamos aqui para tentar nos comunicar com vocês e mostrar o que temos para oferecer”.
Já Antônio Meirelles comentou sobre a atuação da Fiocruz. "A Fiocruz dá exemplo em várias áreas e a Sala de Amamentação nas unidades da Fundação é mais um. A gente defende a bandeira do aleitamento inclusivo, em que nós, profissionais de saúde, temos que facilitar e apoiar”.
Profissionais de saúde que atuam na área maternoinfantil prestigiaram o evento (Foto: Everton Lima)
Na sequência, a pediatra e membro da Área Técnica de Saúde da Criança (SAPS/SES RJ) e da Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis (EBBS) do IFF/Fiocruz, Rosane Siqueira, explicou sobre a SMAM. "A Semana Mundial de Amamentação é promovida pela Aliança Mundial de Ação pró-Amamentação – WABA desde 1992, e no Brasil pelo Ministério da Saúde, as secretarias estaduais, municipais e a própria Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), elevando sempre o tema e capilarizando no Brasil inteiro”.
Rosane também destacou os objetivos da iniciativa. “A SMAM é comemorada entre 1º e 7 de agosto e, no Brasil, nós temos o Agosto Dourado, um mês inteiro para celebrarmos. O objetivo é informar as pessoas sobre as desigualdades que existem no apoio à amamentação e como isso se reflete nos indicadores; consolidar a amamentação como um fator que contribui para reduzir desigualdades; envolver-se com indivíduos e organizações para aumentar a colaboração e para capilarizar esse apoio; e divulgar ações para reduzir as iniquidades com foco nos grupos com maior vulnerabilidade".
A seguir, a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Laís Silveira Costa, abordou o aleitamento materno inclusivo, ressaltando a necessidade de as Unidades Básicas de Saúde (UBS) pensarem na atenção, nas ações de promoção e prevenção considerando a diversidade funcional humana e as vulnerabilidades específicas das pessoas com deficiência.
Laís ressaltou a necessidade de que a Atenção Primária à Saúde (APS) entenda a legitimidade de as pessoas com deficiência estarem lá. "É no território que fazemos ação de ressignificação. É lá que tem que ter a coordenação do fluxo de cuidados. A invisibilização das pessoas com deficiência na Rede de Atenção à Saúde, além dos estigmas associados a essa população, produzem ausências, lacunas e, muitas vezes, opressão que adoece as pessoas. O Sistema Único de Saúde (SUS) precisa estruturar e qualificar o cuidado inclusivo, como esse que apresentamos hoje: lembrar que todas as pessoas têm direito a amamentar e a mamar”.
Na oportunidade, Laís divulgou, como produto de uma ação interunidades entre a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH) do IFF/Fiocruz e a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), a cartilha “Aleitamento Materno Inclusivo”, que traz orientações para trabalhadores e gestores de saúde, pessoas com deficiência, cuidadores e familiares sobre o tema do aleitamento materno inclusivo (AMI).
A cartilha discute os fatores que influenciam o AMI e reflete sobre como o capacitismo (discriminação contra pessoas com deficiência) na saúde resulta em pouco conhecimento e cuidado inadequado no aleitamento, o que afeta os direitos de mulheres com deficiência e/ou de bebês com deficiência. Apresenta ainda informações sobre facilitadores do aleitamento materno inclusivo e iniciativas desejáveis na atenção a esse aleitamento.
Em sua palestra “Aleitamento materno na atenção neonatal e infantil de alta complexidade: a importância do apoio adequado e precoce”, Maíra informou sobre os benefícios do leite humano. "A peculiar, complexa e dinâmica composição do leite humano é a fonte de efeitos benéficos para a saúde, e são inúmeras as contribuições para os neonatos que estão na UTI Neonatal, como: reduz a intolerância alimentar, confere melhor desenvolvimento neurológico, contribui na diminuição das taxas de sepse, favorece a alta hospitalar precoce, promove melhor esvaziamento gástrico, aumenta a chance da amamentação exclusiva na alta hospitalar, garante menor reinternação no primeiro ano de vida, alivia a dor e o estresse neonatal, entre outros".
Maíra Domingues (Foto: Rayssa Quites)
O evento também contou com especialistas convidados abordando outros assuntos relevantes acerca da temática, como as práticas e experiências transmasculinas, o aleitamento em emergências e estado de calamidade pública, e reflexões sobre a amamentação no contexto das populações indígenas do Brasil.
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