Aconteceu em maio a 16ª edição do Curso Violência contra Crianças e Adolescentes, a Intersetorialidade na Prevenção e no Atendimento. Coordenado pela pediatra do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Rachel Niskier, a iniciativa tem como objetivo capacitar profissionais e equipes de formação multiprofissional de saúde e de áreas afins para identificar crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e risco para a violência.
No primeiro dia, a coordenadora do curso enfatizou a importância dos profissionais que participam dele. “O curso é anual e promovido pelo Núcleo de Apoio aos Profissionais que atendem crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos (NAP), do IFF. É um curso que conta com profissionais da área voltados para um assunto extremamente importante, que são os tipos de violência em que os nossos pequenos e pequenas estão expostos diariamente”, disse Rachel Niskier. Também presente na abertura, o diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO), Antonio Flávio Meirelles, destacou a importância do curso, cuja longa trajetória se deve à credibilidade alcançada junto a profissionais de saúde e áreas afins de inúmeras instituições. “São 16 anos de um curso com uma qualidade diferenciada, dentro do serviço”, evidenciou ele na ocasião.
O curso, que durou quatro semanas, contou com diversas palestras sobre os vários tipos de violência, física, psicológica, sexual e negligência contra crianças e adolescentes, ministradas por especialistas de diversas áreas. “A ideia do curso surgiu da necessidade de se divulgar informações sobre a temática. O objetivo dessas 16 edições, que contam com uma média e 80 a 90 participantes por curso, é promover uma mudança de paradigma nas formas de convivência intrafamiliar, em que as pessoas passam a perceber fatos corriqueiros, como xingamentos, palmadas e tapinhas, como violência a criança e ao adolescente”, explicou Rachel Niskier.
A palestra que abriu o evento falou sobre Família, Poder e Violência, e foi ministrada pela pesquisadora do IFF, Suely Deslandes. “A violência contra a criança e adolescente acontece, geralmente, no âmbito das relações familiares, por este motivo, a questão que sempre irá aparecer é: porque a família não conseguiu proteger a criança dessa violência?”, explicou ela.
A coordenadora do curso enfatizou, também, o fato da violência ainda ser um tema considerado tabu. “Ainda há muita gente que acredita que precisa bater para educar, que palmada não tem problema. Mas nós sabemos que palmada dói e fica no imaginário da criança. A palmada e o tapa precisam ser evitados porque são violência, e nós partimos do princípio de que violência é violação do direito fundamental da criança e do adolescente de crescer e se desenvolver com dignidade e respeito”, finalizou ela.



