Aconteceu, no último dia 6 de dezembro, no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), a campanha do Laço Branco. Desde 2007, o dia 6 de dezembro é considerado o dia nacional de mobilização dos homens pelo fim da violência contra as mulheres. No Brasil, a campanha do Laço Branco utilizou a proposta já conhecida pelas fitinhas do Nosso Senhor do Bonfim presa ao punho com dois nós em que cada nó representa um compromisso assumido, são eles: jamais cometer um ato de violência contra uma mulher e não fechar os olhos diante da violência que outros homens cometem contra mulheres.
A data faz alusão ao “Massacre de Montreal”, quando um homem de 25 anos entrou armado na Escola Politécnica de Montreal, no Canadá, assassinou 14 mulheres e depois saiu atirando pelos corredores e outras dependências da escola, gritando “Eu odeio as feministas”, ferindo outras 14 pessoas, das quais 10 eram mulheres, e depois se suicidou. “O crime mobilizou a opinião pública do país, gerando amplo debate sobre as desigualdades entre homens e mulheres e a violência gerada por esse desequilíbrio social”, explicou Marcos Nascimento, professor do programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulher e membro do Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz. Após a tragédia, um grupo de homens canadenses decidiu se organizar para dizer que existem homens que cometem a violência contra a mulher, mas existem também aqueles que repudiam essa violência. Eles elegeram o laço branco como símbolo e adotaram como lema: jamais cometer um ato violento contra as mulheres e não fechar os olhos frente a essa violência.
No Instituto a ação de conscientização foi bem recebida pelos usuários e funcionários, que ao entenderem o significado da fitinha, prontamente se disponibilizaram a usá-la, alguns, inclusive, pediram fitinhas a mais para levar para parentes e amigos. “É melhor do que vestir a pulseira de metal, né?”, brincou o acompanhante de uma paciente, em referência às consequências da agressão a mulheres.
A campanha do laço branco teve como público-alvo os homens que estiveram no Instituto, mas caiu no gosto de mulheres e crianças que fizeram questão de usá-las e transmitir a mensagem de fim da violência contra as mulheres.
Para a professora do programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulher do IFF e coordenadora do Projeto Agenda Laranja, Corina Mendes, o Instituto é estratégico para realização de ações de conscientização. “O IFF possui um número de profissionais do sexo masculino significativo, que trabalham diretamente com mulheres em situação de extrema vulnerabilidade. Esses profissionais são muito importantes, pois a partir desse tipo de ação eles podem aumentar o nível de engajamento em temas como esse, ficando mais atentos aos sinais que essas mulheres emitem nas consultas, conseguindo assim, ajuda-las de alguma forma”, ressaltou ela. A ação contou ainda com a participação de alunos da Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulher do IFF.
Para o diretor do IFF Carlos Maciel, a violência contra mulheres e meninas afeta negativamente o bem-estar geral das mulheres e as impede de participar ativamente na sociedade. “É inconcebível pensar que um homem pode agredir uma mulher. A violência não tem consequências negativas apenas para elas, mas também para as famílias, para a comunidade e para o país em geral. Ações como essa são de extrema importância para promover a conscientização da comunidade do IFF”, disse ele.



