O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, no dia 10/3, sua Aula Inaugural, reunindo estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais de saúde para refletir sobre os desafios contemporâneos do Sistema Único de Saúde (SUS) e o papel da formação em saúde pública.
Com o tema “40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde e século XXI: que SUS para mulheres, crianças e adolescentes?”, o encontro marcou o início das atividades acadêmicas do ano e propôs uma reflexão sobre o legado da reforma sanitária brasileira e os caminhos para fortalecer as políticas de saúde voltadas a esses grupos.
O evento contou com a participação da professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ligia Bahia, e do pesquisador do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Carlos Fidelis Ponte, que abordaram a trajetória histórica do SUS e os desafios atuais da política de saúde no Brasil.
Mesa de abertura destaca papel da educação na defesa do SUS
Os integrantes da cerimônia de abertura, o diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO), José Augusto Alves de Britto, as coordenadoras de Educação do IFF/Fiocruz, Carla Trevisan e Adriana Castro, a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC) da Fiocruz, Marly Cruz, e o diretor do Instituto, Antônio Meirelles, deram as boas-vindas aos estudantes e destacaram a importância da formação crítica de profissionais de saúde comprometidos com os princípios do SUS.
Em suas falas, os gestores ressaltaram que o início do ano letivo representa um momento simbólico de acolhimento aos novos alunos e de reafirmação do compromisso institucional com a produção de conhecimento, a formação profissional e a defesa da saúde pública.
Também foi enfatizado que o IFF/Fiocruz possui um papel estratégico na articulação entre assistência, pesquisa e educação, contribuindo para a formação de profissionais capazes de atuar diante dos desafios contemporâneos da saúde coletiva, especialmente na proteção dos direitos de mulheres, crianças e adolescentes.
Componentes da mesa de abertura (Foto: Bruno Guimarães)
40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde
A professora Ligia Bahia abriu o ciclo de conferências, mediada pelo professor do Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher (PPGSCM), Leonardo Castro, apresentando uma análise histórica e política do SUS a partir da 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, considerada um marco na construção do direito universal à saúde no Brasil.
Durante sua apresentação, a pesquisadora frisou que a conferência consolidou o princípio de que saúde é um direito de cidadania e dever do Estado, estabelecendo bases para a criação do SUS na Constituição de 1988. Segundo a professora, discutir os 40 anos desse processo é fundamental para compreender os desafios atuais: “O SUS nasce de um movimento social e político que afirmava a saúde como direito. Defender esse legado hoje exige compreender as transformações sociais, econômicas e políticas que impactam o sistema.”
Ligia Bahia também destacou que o sistema público brasileiro permanece como uma das maiores políticas de inclusão social do país, embora enfrente desafios relacionados ao financiamento, às desigualdades sociais e à organização da rede de atenção à saúde.
Desafios do SUS no século XXI
Em sua conferência, o pesquisador Carlos Fidelis Ponte abordou a trajetória histórica das políticas de saúde no Brasil e os processos que levaram à construção do SUS.
O pesquisador explicou que compreender o desenvolvimento histórico do sistema de saúde brasileiro é essencial para avaliar seus desafios contemporâneos. Ele ressaltou que a criação do SUS representou uma mudança estrutural no modelo de atenção à saúde, ao substituir sistemas fragmentados por um sistema público universal.
Durante a apresentação, Ponte também enfatizou que as transformações sociais, epidemiológicas e tecnológicas exigem novos debates sobre organização do cuidado, financiamento e fortalecimento das políticas públicas: “Pensar o SUS no século XXI implica reconhecer sua história e, ao mesmo tempo, refletir sobre como o sistema pode responder às novas necessidades da população.”
Ele comentou ainda a importância da participação social e da produção de conhecimento científico na construção e no aprimoramento das políticas públicas de saúde.
Ligia Bahia, Leonardo Castro e Carlos Fidelis Ponte (Foto: Bruno Guimarães)
Formação em saúde e compromisso social
Ao longo da aula inaugural, os participantes evidenciaram que a formação de profissionais de saúde deve estar alinhada aos princípios do SUS de universalidade, equidade e integralidade. Nesse contexto, a Área de Educação do IFF/Fiocruz reafirmou seu compromisso com a formação crítica de estudantes e profissionais de saúde, assim como a importância de ampliar e fortalecer espaços de reflexão sobre políticas públicas, a trajetória histórica da saúde coletiva e os desafios contemporâneos do sistema de saúde brasileiro.
Saúde pública é luta, ciência e cuidado. Foi com esse espírito que o IFF/Fiocruz iniciou o ano letivo de 2026, realçando o papel fundamental da educação na construção de um SUS mais equitativo, capaz de responder às necessidades da população, especialmente de mulheres, crianças e adolescentes.



