IFF/Fiocruz conquista premiação e menção honrosa no Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2025

 

O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) foi destaque no Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2025, conquistando uma premiação e uma menção honrosa. A iniciativa, que está em sua nona edição, reconhece trabalhos acadêmicos de grande relevância científica e social no campo da saúde, com entrega marcada para o Dia dos Professores, 15 de outubro, durante a Semana de Educação Fiocruz 2025.

Na categoria Ciências Humanas e Sociais, a pesquisadora Clarice de Azevedo Sarmet, orientada por Paula Gaudenzi, foi premiada pela tese “Vivências de mulheres atravessadas pelo encarceramento: um olhar interseccional para além das prisões”, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulher (PPGSCM/IFF/Fiocruz).

Segundo Clarice e Paula, o trabalho “apresenta mulheres cujas vidas carregam marcas, diretas ou indiretas, do sistema prisional/encarceramento em massa brasileiro, buscando compreender como elas vivenciam e ainda ressignificam suas trajetórias e dinâmicas de vida”. A pesquisa não se limitou às mulheres egressas do sistema penitenciário, mas se estendeu a diferentes formas de encarceramento, inclusive o simbólico. “Para isso, foi necessário um afastamento de leituras simplificadas ou lineares da condição de mulheres em situação de vulnerabilização, não sendo o sistema prisional algo isolado, mas um fenômeno transbordante e contínuo nas suas vidas.”

Clarisse explica que utilizou a interseccionalidade como ferramenta analítica, reconhecendo que as mulheres atravessadas pelo encarceramento têm vivências singulares e múltiplas, determinadas por marcadores sociais que impactam seus percursos de vida. “A tese valoriza as histórias contadas das interlocutoras, abordando-as como centro do saber e reconhecendo a potência epistemológica de personagens historicamente silenciadas e violentadas. Utilizamos referenciais decoloniais, de feministas negras e da saúde coletiva, apresentando ainda outras contribuições sociais e artísticas, incluindo pinturas, fotografias, músicas, séries e podcasts – não como adorno ilustrativo, mas como ferramenta de denúncia e resistência de vidas e vivências atravessadas pela matriz de opressões.” Para ela, a premiação também simboliza a valorização de saberes marginalizados, tradicionalmente deslegitimados pelo meio acadêmico, em contraponto à produção de conhecimentos hegemônicos e coloniais que perpetuam desigualdades.

Já na categoria Saúde Coletiva, o pediatra e psiquiatra da infância e adolescência do IFF/Fiocruz, Orli Carvalho, recebeu menção honrosa com a tese “Comportamento suicida da infância à juventude: trajetórias e possibilidades entre os nós do apego, das famílias e das violências – Um estudo a partir da Coorte Violência e Saúde Mental de Crianças de São Gonçalo/RJ”, defendida na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz).

Para Orli, a homenagem representa o fechamento de um ciclo acadêmico construído na Fiocruz desde quando ingressou como médico no Instituto. “Receber uma menção honrosa na categoria Saúde Coletiva é de uma satisfação imensa; de certo modo, um brinde ao fim de um ciclo acadêmico na Fiocruz – ciclo de trocas de conhecimento e parceria. Sou médico do IFF/ Fiocruz desde 2013, aqui fiz o mestrado (2019) e, a partir das experiências no PPGSCM, fiz o Doutorado na ENSP/Fiocruz (2024). Essa menção, na qual renovo meus agradecimentos a três professoras que me acompanharam nesse processo (Cecília Minayo, Simone Assis e Joviana Avanci), também anuncia meu retorno ao PPGSCM, como docente colaborador.”

O pesquisador explica que investigou o comportamento suicida na infância e adolescência a partir da Coorte Violência e Saúde Mental de Crianças em São Gonçalo, que acompanhou crianças e adolescentes entre 2005 e 2022. “Investigamos, assim, com dados antigos e inéditos do estudo longitudinal, que elementos constituintes do apego e das violências podem estar associados ao comportamento suicida, num destaque às famílias. A partir da triangulação de métodos, pudemos avaliar que o apego não seguro construído na lactância, e violência da infância à juventude, sobretudo a psicológica e familiar, podem influenciar as trajetórias desenvolvimentais, levando ao desfecho do comportamento suicida.”

Entre os achados, Orli ressalta que experiências como o ofício, a espiritualidade e a maternidade surgiram como pontos de virada em trajetórias marcadas pela violência, tornando-se fatores de proteção. “Defendemos na tese, assim, o argumento de que a prevenção intersetorial da violência é um caminho de prevenção do suicídio.”

Para a nova coordenadora de Educação do IFF/Fiocruz, Adriana Castro, os resultados refletem a relevância do PPGSCM e reafirmam o compromisso do Instituto com a produção de conhecimento crítico e transformador. “Receber o Prêmio Oswaldo Cruz de Teses é sempre uma honra e motivo de orgulho para um Programa de Pós-graduação da Fiocruz. Sermos contemplados em 2025, na área de Ciências Humanas e Sociais, e, especialmente, com um trabalho que visibiliza as experiências de mulheres marcadas pelo encarceramento, próprio ou de uma pessoa próxima, que vivem em favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro é ainda mais importante. Demonstra o quanto nosso Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e da Mulher (Saúde Coletiva) está atento à produção de conhecimentos que dialoguem com as preocupações da sociedade e com a defesa dos direitos humanos. Ratifica o compromisso do IFF/Fiocruz com uma compreensão ampliada da saúde integral da mulher, que inclui os processos de determinação social, a diversidade de experiências e de sentidos de se constituir mulher numa sociedade patriarcal e racista.”

Ela também ressaltou a importância da articulação entre unidades da Fiocruz como diferencial do prêmio, lembrando que docentes do Programa receberam menções honrosas em parceria com alunos da ENSP/Fiocruz. Entre eles está Orli Carvalho, servidor do IFF/Fiocruz recentemente credenciado no PPGSCM. Para a coordenadora, sua chegada ao corpo docente “aponta a importância da renovação e da presença de recém-doutores para o futuro e crescimento do Programa”.

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