O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, na segunda-feira (26/5/25), o encerramento do 25º Curso de “Violência contra crianças e adolescentes – a intersetorialidade na prevenção e no atendimento”, organizado pela coordenadora do Núcleo de Apoio aos Profissionais que atendem crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos (NAP) do IFF/Fiocruz, Rachel Niskier.
Os temas retratados no último dia foram: “Direito ao cuidado, ao afeto e à esperança. Por uma rede de sustentabilidade da infância e da adolescência” pela desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Andrea Pachá; “Saúde e racismo ambiental em tempos de crise climática” pelo jornalista da TV Globo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), André Trigueiro; “Intersetorialidade na atenção à criança e adolescente: potencialidades e desafios à articulação” pela responsável técnica do Serviço Social do IFF/Fiocruz, Alessandra Mendes; e “Comportamento suicida, infância e adolescência: desfazendo nós e criando laços” pelo pediatra e psiquiatra da infância e adolescência do Instituto, Orli Carvalho.
Da esq para dir: Antônio Meirelles; Rachel Niskier; Andrea Pachá e André Trigueiro (Foto por: Everton Lima)
O diretor do Instituto, Antônio Meirelles, emocionou-se ao falar dos 25 anos do curso. “Nada que dura 25 anos dentro de uma instituição de 101 anos é breve, muito menos irrelevante. O curso, coordenado pela Rachel Niskier, é um valor desse Instituto”.
André Trigueiro explicou as semelhanças entre as questões climáticas e a violência com crianças e adolescentes e como esse tema é complexo de ser abordado, enfatizando os aspectos multifatoriais do fenômeno. O jornalista também ressaltou como agir com crianças que estão passando por sofrimentos que podem ser considerados violência. “A melhor forma de lidar com uma criança ou adolescente que sofre é estimular a fazer algo que se sinta útil, dentro de um processo de resposta ao que lhe aflige, como cuidar de animal abandonado, fazer algum trabalho voluntário e estimular a coleta seletiva de resíduos”.
Plateia do Centro de Estudos Olinto de Oliveira - CEOO (Foto por: Everton Lima)
Em sua fala, Andrea Pachá citou como as redes sociais e algoritmos têm interferido em como as crianças e adolescentes se comportam. “Aumentou o número de adolescentes sendo acusados de crimes ligados ao ódio, como misoginia, machismo e nazismo. Isso porque hoje temos uma ferramenta de tecnologia extremamente poderosa, mudou a geopolítica do mundo, quando empresas sabem mais de você do que qualquer pessoa que convive com você”.
A desembargadora completou. “O monopólio e rapidez da informação faz com que, por meio dos algoritmos, você consiga ser conduzido para um núcleo que vai reforçar aquilo que você tem de pior. Porque é nesse ambiente de confronto que o lucro acontece nas leis. Quanto mais eu odeio, mais engajamento, quanto mais resposta tem, mais engajamento. Isso é dinheiro rodando. Esse é um tipo de violência que chega nos adolescentes principalmente, mas não só essa, como pais usando a imagem dos filhos para monetizar”.
O encerramento da 25ª edição do curso reafirma o compromisso do IFF/Fiocruz com a promoção de uma infância protegida, saudável e respeitada. Ao longo desses anos, a iniciativa tem contribuído para fortalecer uma rede de profissionais mais preparada, sensível e articulada, capaz de enfrentar os desafios complexos da violência contra crianças e adolescentes. Que as reflexões, experiências e aprendizados compartilhados durante o curso sigam ecoando nas práticas e políticas públicas, com foco na construção de um futuro mais justo e seguro para nossas infâncias.



