O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, em 9 de março, uma cerimônia em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. O evento reuniu trabalhadoras para um momento de celebração, reflexão e reconhecimento do protagonismo das mulheres na saúde pública, na ciência e no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
A abertura contou com a apresentação da campanha do Pacto Nacional contra o Feminicídio, iniciativa que busca mobilizar a sociedade para o enfrentamento da violência de gênero. Durante o evento, foi ressaltada a importância do engajamento coletivo na prevenção da violência contra as mulheres e na promoção de relações mais justas e igualitárias.
Em sua saudação inicial, o diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Flávio Meirelles, destacou que o Dia Internacional da Mulher é, além de tudo, uma data de luta por direitos e igualdade. Ele também frisou a forte presença feminina na instituição e no setor da saúde. “Falar no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente sobre o Dia Internacional da Mulher é lembrar que este é um dia de luta por direitos, por igualdade e contra o feminicídio”, afirmou.
O diretor reforçou a importância do engajamento dos homens no enfrentamento à violência de gênero e na construção de uma sociedade mais justa. “Não podemos eximir os homens da responsabilidade na luta contra toda forma de opressão às mulheres”, concluiu.
Diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Flávio Meirelles (Foto: Bruno Guimarães)
A mesa de abertura foi composta pela vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, Alda Maria Cruz, pela chefe de gabinete da Direção do IFF/Fiocruz, Kátia Moss, pela gestora da Área de Atenção Clínico-Cirúrgica à Mulher, Raquel Fonseca, e pela gestora da Área de Atenção Clínico-Cirúrgica à Gestante, Aricele Ferreira.
Durante sua fala, Aricele Ferreira salientou que a data é também um convite à reflexão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade. Segundo ela, instituições como o IFF/Fiocruz têm papel fundamental na defesa da vida e da saúde das mulheres. “Participamos ativamente da luta para salvar mulheres que morrem por morte materna, mulheres que não têm acesso ao aborto seguro e aquelas que vivem em situação de violência e muitas vezes sequer reconhecem que estão sendo violentadas”.
Ela ressaltou a importância da educação para a construção de relações mais igualitárias. “Precisamos educar não apenas nossas meninas, mas também os nossos meninos para que sejam homens que respeitem as mulheres”, disse.
Raquel Fonseca destacou o protagonismo feminino na construção da saúde pública brasileira e no cotidiano da instituição. “Falar sobre protagonismo feminino em uma instituição que cuida, pesquisa e transforma vidas é reconhecer que a história da saúde pública no Brasil foi e continua sendo construída também por mãos femininas”.
Para ela, a data é uma oportunidade de reconhecer conquistas, mas também de reafirmar os desafios que ainda persistem, como desigualdades de gênero, sobrecarga de trabalho e violência. “Quando falamos em protagonismo feminino, não falamos apenas de ocupar cargos. Falamos de transformar culturas e de construir lideranças comprometidas com a equidade”.
A chefe de gabinete da Direção do IFF/Fiocruz, Kátia Moss, alertou para a importância de discutir temas como o feminicídio e as desigualdades que atravessam a vida das mulheres. Ela também enfatizou o compromisso institucional com o cuidado integral e acolhedor. “As ações cotidianas do Instituto buscam oferecer escuta, acolhimento e cuidado às diferentes mulheridades e às suas demandas de saúde”.
Em sua fala, Kátia lembrou a diversidade das mulheres atendidas no IFF/Fiocruz. “Chegam aqui mulheres negras, indígenas, quilombolas, mulheres trans, mulheres com deficiência, vindas de diferentes partes do país. Todas com histórias e desafios que exigem cuidado sensível e políticas públicas comprometidas com a equidade”.
Representando a Presidência da Fiocruz, Alda Maria Cruz evidenciou a importância do enfrentamento à violência de gênero como tema prioritário para a pesquisa e para as políticas públicas. Ela também anunciou iniciativas da instituição voltadas ao tema, incluindo projetos de pesquisa sobre feminicídio. “Temos na Fiocruz uma enorme capacidade de produção de conhecimento. Precisamos mobilizar essa competência também para compreender e enfrentar a violência contra as mulheres”, afirmou.
Mesa de abertura (da esq para a dir: Raquel Fonseca, Alda Maria Cruz, Kátia Moss e Aricele Ferreira) | Foto: Bruno Guimarães
Além das reflexões, a cerimônia contou com a leitura de um texto da escritora Martha Medeiros pela voluntária do Núcleo de Apoio a Projetos Educacionais e Culturais (Napec) do IFF/Fiocruz, Selma Segal, e com a entrega da Homenagem Aparecida Garcia, criada para reconhecer mulheres que contribuem de forma significativa para a história do Instituto.
A homenagem leva o nome de Aparecida Garcia, pesquisadora responsável por pesquisas de grande relevância científica e que teve papel fundamental na trajetória do IFF/Fiocruz, tendo atuado por 58 anos no Instituto.
Nesta edição, as mulheres homenageadas foram:
- Marly Cruz, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz (VPEIC);
- Fernanda Canalonga Calçada, designer gráfica do IFF/Fiocruz;
- Carla Trevisan, coordenadora de Educação do IFF/Fiocruz;
- Cristina Pessoa, gestora da Hemoterapia do IFF/Fiocruz;
- Sandra Mara Ribeiro da Silva, terceirizada recém-aposentada do Serviço Social;
- Tania Wrobel Folescu, pneumologista do IFF/Fiocruz;
- Roseli Santos Costa, nutricionista do IFF/Fiocruz;
- Karla Pontes, Gestora da Área de Atenção Clínica ao Recém-Nascido.
Mulheres homenageadas na edição deste ano (Foto: Bruno Guimarães)
Ao reconhecer o legado dessas profissionais, o tradicional evento reafirma o compromisso do Instituto com a valorização das mulheres e com a construção de uma sociedade mais igualitária.



