IFF/Fiocruz celebra 20 anos do Mestrado Profissional em Saúde da Criança e da Mulher

 

O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, no dia 13 de março, um evento comemorativo pelos 20 anos do Programa de Mestrado Profissional em Saúde da Criança e da Mulher (MPSCM). A celebração ocorreu no Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE-UFRJ) e reuniu representantes acadêmicos, pesquisadores e estudantes.

Criado com o objetivo de formar profissionais capacitados para atuar no Sistema Único de Saúde (SUS), o MPSCM busca manter a coerência com seus princípios norteadores: a inserção na Saúde Coletiva e a capacitação de quadros estratégicos para o SUS. O programa visa contribuir para a promoção da saúde da mulher, da criança e do adolescente no Brasil.

Homenagens e reflexões

O evento teve início com uma apresentação cultural do bailarino e coreógrafo Eduardo Justo, artista com deficiência, com um extenso currículo de premiações, que emocionou o público presente. Sua mãe, Marli, destacou, após a apresentação, a importância da valorização da arte e da inclusão.

Eduardo Justo e sua mãe Marli (Foto: Letícia Lucas)

Durante a mesa de abertura, o representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz, Higor Alvarenga, ressaltou os desafios enfrentados pelos estudantes. "Temos um movimento nacional em defesa do direito à educação pública e gratuita, incluindo a permanência de estudantes na pós-graduação", afirmou.

O diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Meirelles, frisou a importância do Mestrado Profissional na formação de profissionais estratégicos para o SUS, destacando que sua criação foi essencial para fortalecer a qualificação de profissionais a nível de stricto sensu na área da saúde, reafirmando seu compromisso com a valorização de estudantes e trabalhadores. O diretor também elogiou o papel do IFF/Fiocruz na cooperação nacional. “O Instituto está atuando em todos os estados brasileiros para fortalecer a capacitação e a pesquisa no setor, uma responsabilidade nossa junto ao Ministério da Saúde (MS)”.

A coordenadora de Educação do IFF/Fiocruz, Carla Trevisan, reforçou o impacto do programa: "O Mestrado Profissional vem, há duas décadas, formando profissionais para atender às demandas do Ministério da Saúde e fortalecer o SUS. O programa foi inovador desde sua criação e segue contribuindo para a excelência no cuidado e na garantia de direitos".

Da esq para a dir: Higor Alvarenga, Antônio Meirelles e Carla Trevisan (Foto: Bruno Guimarães)


As duas homenageadas da tarde, as professoras e pesquisadoras do Instituto, Cynthia Magluta e Maria Gomes, ressaltaram a importância histórica do Mestrado Profissional. "Desde o início, pensamos em ampliar o Programa para além da Fiocruz, envolvendo profissionais das Secretarias de Saúde, sempre com foco no SUS", contou Cynthia. Já Maria completou: "É gratificante olhar para esses 20 anos e ver que permanecemos fiéis à proposta original de fortalecer a saúde pública".

A coordenadora do Mestrado Profissional do IFF/Fiocruz, Martha Moreira, apresentou a área do site do Instituto dedicada ao Mestrado Profissional, que conta com informações detalhadas sobre o Programa. Além disso, foi anunciada a criação de perfis oficiais do MPSCM nas redes sociais, ampliando sua visibilidade e interação com o público.

Momento das homenagens (Foto: Letícia Lucas)

As Redes de Atenção à saúde e o lugar estratégico da Rede Alyne para a saúde das mulheres e crianças

O evento seguiu com a diretora do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES/Ministério da Saúde), Aline Costa, que apresentou a Rede Alyne como uma estratégia essencial para reduzir a mortalidade materna e neonatal no Brasil.

O programa recebeu esse nome em homenagem a Alyne Pimentel, uma mulher negra e de baixa renda, moradora de Belford Roxo (RJ), que faleceu em 2002 devido à falta de atendimento adequado durante a gestação. Seu caso tornou-se um marco internacional, reconhecendo que mortes maternas evitáveis configuram violações de direitos humanos. “A Rede Cegonha foi uma primeira resposta de atuação mais ampla e a Rede Alyne é uma confirmação do compromisso do MS no enfrentamento desse desafio histórico”, explicou.

Durante a apresentação, Aline enfatizou a persistência de desigualdades regionais e étnico-raciais na saúde materna e infantil. Dados recentes mostram que 9 em cada 10 mortes maternas são evitáveis e com acesso oportuno a cuidados adequados. A pandemia agravou o cenário, elevando em 74% a mortalidade materna em 2021 comparada a 2014. Além disso, a mortalidade neonatal ainda reflete disparidades regionais, sendo mais elevada no Norte e Nordeste do país.

A Rede Alyne busca reverter esse quadro por meio da distribuição equitativa de recursos, melhoria na infraestrutura hospitalar e ampliação da assistência pré-natal. O Programa prevê a construção de 60 maternidades e 90 Centros de Parto Normal até 2026, além de investimentos no Banco de Leite Humano para garantir o suporte adequado a recém-nascidos prematuros. Outra medida essencial é a criação de uma Central de Regulação com equipe especializada para assegurar assistência qualificada às gestantes.

Para garantir a implementação da Rede Alyne, o Ministério da Saúde propõe um sistema de governança baseado na qualificação do cuidado, apoio técnico a estados e municípios e monitoramento contínuo dos indicadores estratégicos. Aline finalizou salientando que o IFF/Fiocruz desempenha um papel fundamental nesse processo, oferecendo apoio institucional, pesquisa e formação profissional para fortalecer a Política Nacional de Atenção à Saúde da Mulher e da Criança.

Aline Costa (Foto: Letícia Lucas)