IFF/Fiocruz avalia o cuidado de crianças com Zika e outras condições crônicas na atualidade

 

A quase seis anos após o início da epidemia do Vírus Zika (zikaV) e no contexto da atual pandemia da Covid-19, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) desde outubro de 2020 empreende o projeto de pesquisa “Intersetorialidade, acesso a políticas públicas e tessituras do cuidado na pós-epidemia: o que a Síndrome Congênita do Vírus Zika (SCZV) trouxe de lições para o enfrentamento às implicações sociais de outras condições crônicas de saúde na infância?”.

No decorrer do tempo, com o desenvolvimento das crianças com a síndrome, emergiram novos problemas de saúde, ocorreram mudanças na dinâmica familiar e novas demandas por políticas públicas, como educação inclusiva e acesso a cadeiras de rodas, além do surgimento inesperado da pandemia da Covid-19 no início de 2020, que trouxe muitas mudanças na forma de atender à população. Neste cenário, o IFF/Fiocruz procura compreender de que forma a trajetória constituída por famílias, profissionais de saúde, rede intersetorial de atendimento e pesquisadores pode contribuir para a luta por acesso a direitos de famílias, crianças e adolescentes com condições crônicas de saúde.

Sobre o propósito do projeto, Alessandra comenta. “Do ponto de vista da pesquisa, o objetivo é analisar como está se dando o acesso às políticas públicas pelas crianças com SCZV hoje, para assim identificar, na trajetória de suas famílias, sobretudo em relação à rede intersetorial de atendimento, os elementos que fortalecem ou dificultam o acesso a bens e serviços públicos pelas crianças com condições crônicas de saúde e/ou deficiências em geral”.

Desde a ótica da atenção à saúde, “ao mesmo tempo em que se busca intervir sobre as atuais dificuldades de acesso às políticas públicas, por meio dos atendimentos individuais, o projeto propõe o fortalecimento da articulação da rede intersetorial voltada a este público, por meio do ‘Fórum de Intersetorialidade e cuidado às crianças e famílias afetadas pelo zikaV’. No tocante ao ensino, o projeto contribui para a formação de profissionais de saúde, por meio da participação de residentes multiprofissionais e estudantes da especialização em política social e intersetorialidade, que vêm desenvolvendo a temática em seus trabalhos finais de curso. Mas, também por meio do Fórum Intersetorial, contribui para a qualificação dos profissionais da rede de atendimento”, explica Alessandra Mendes.

Pelo IFF/Fiocruz também participam do projeto, a pesquisadora da Unidade de Pesquisa Clínica, Eloane Ramos; a estudante da especialização em Política Social e Intersetorialidade, Viviane Maia; o assistente de pesquisa, Daniel Campos; além de contar com a participação de residentes multiprofissionais, quando atuam no Serviço Social da Enfermaria de Doenças Infecciosas Pediátricas (DIPe), e da parceria informal com outros especialistas do Instituto; da rede Zika da Fiocruz, das secretarias estaduais de saúde e assistência social, assim como com a municipal de educação, o que facilita o acesso aos profissionais que atuam na ponta dos serviços.

Ao final do projeto, “espera-se ter contribuído para o fortalecimento dos laços entre os diferentes sujeitos que compõem a rede intersetorial de atendimento, possibilitando o diálogo, a identificação de nós críticos e a construção de propostas de fortalecimento do cuidado e acesso a direitos de crianças com condições crônicas de saúde/SCZV. Pretende-se também promover a capilarização do conhecimento produzido no Instituto por meio desses encontros, da publicação de artigo científico e de material informativo”, aponta Alessandra.

Fórum Intersetorial

Com o início do projeto de pesquisa no final do ano passado, a equipe começou a organizar o ‘Fórum de Intersetorialidade e cuidado às crianças e famílias afetadas pelo zikaV’, que é o espaço para articulação entre os sujeitos envolvidos no atendimento e garantia de direitos das crianças e suas famílias. Os encontros do Fórum acontecem semestralmente. Até o momento, aconteceram duas edições, realizadas no formato digital, seguindo as recomendações para evitar a propagação da Covid-19.

Conforme informado por Alessandra Gomes Mendes, a primeira edição do Fórum aconteceu em novembro de 2020, contou com 127 inscritos entre profissionais das áreas de saúde, assistência social, educação, pesquisadores e famílias, representadas pela Associação Lótus. A segunda edição foi em 28 de maio deste ano, contou com 94 inscritos e abordou o ‘acesso à rede de atendimento em tempos de pandemia’, com foco nas necessidades clínicas atuais das crianças e no atendimento intersetorial local, com ênfase no potencial de contribuição dos pontos focais do zikaV.

terceira edição do Fórum está prevista para novembro desse ano. “Estamos nos debruçando sobre as proposições dos dois primeiros encontros para definir, entre as pautas prioritárias, as mais urgentes e aquelas que possam gerar maiores consequências práticas aos temas discutidos. O último encontro, por exemplo, fechou com o desafio de como articular cotidianamente entre si o conjunto dos sujeitos participantes, para potencializar esse diálogo habitual para além do Fórum. Realmente é algo que precisamos nos debruçar”, conclui Alessandra.

Clique aqui para assistir a última edição do Fórum Intersetorial na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conforme explicado pela assistente social do IFF/Fiocruz e coordenadora da pesquisa, Alessandra Gomes Mendes, o projeto é um desdobramento do estudo anterior realizado pelo Instituto sobre “O enfrentamento às implicações sociais do zikaV pelas famílias”, a qual articulou a mesma linha do estudo atual: pesquisa, ensino e atenção à saúde. Ambos foram financiados pelo Programa de Incentivo à Pesquisa (PIP) da instituição.