No Rio de Janeiro, o final do verão é um período conhecido pelas fortes chuvas que trazem transtornos e diversos danos à população. Além de causar quedas de árvores, falta de energia elétrica e desabamentos e deixar centenas ou milhares de pessoas desabrigadas, esses aguaceiros podem acarretar doenças e mesmo mortes entre os grupos populacionais mais vulneráveis, como os que residem em comunidades, áreas de encostas ou regiões onde não há saneamento de qualidade. O infectologista pediátrico do IFF/Fiocruz Marcio Nehab explica quais os principais riscos à saúde e aborda as maneiras mais eficazes de se proteger de doenças decorrentes de enchentes nesta época do ano.
Por que as fortes chuvas trazem consigo riscos à saúde da população?
Os desastres naturais aumentam a chance do contato das pessoas com animais potencialmente perigosos, como ratos, cobras, insetos e até mesmo jacarés, além de poderem causar afogamentos, queimaduras elétricas ou químicas, soterramentos, choques e a exposição a doenças infecciosas. Também devemos estar atentos ao fato de que, durante ou depois de uma emergência, a água e a comida podem estar contaminadas por micro-organismos (vírus, bactérias ou protozoários), lixo industrial ou da agricultura ou por esgoto, o que aumenta os riscos à saúde.
Os riscos costumam ser maiores para mulheres grávidas e crianças?
Os riscos são semelhantes para qualquer indivíduo, mas as consequências podem ser piores para determinados grupos populacionais. Crianças e mulheres grávidas, assim como pessoas com doenças crônicas, têm risco maior de complicações e morte que adultos saudáveis.
Quais as doenças mais comumente causadas pela ocorrência dos aguaceiros?
As infecções de pele após ferimentos são frequentes nessas situações, e, caso a pessoa já tenha algum tipo de corte ou machucado na pele, a chance de contaminação é maior. Já as doenças infecciosas mais comuns são as transmitidas pela via oral. Entre os agentes infecciosos, podemos encontrar os vírus (enterovírus, norovírus, rotavírus, hepatites A, B e C), os protozoários (cryptosporídio, giárdia, ameba) e as bactérias (E. coli, salmonela, shigella, leptospirose, tétano), entre outros.
Que medidas as pessoas devem tomar para evitar doenças?
Devemos seguir as orientações das autoridades locais sobre a segurança da água para consumo, limpeza ou banho. Nem sempre a fervura da água é suficiente para o consumo pela possibilidade da presença de agentes químicos prejudiciais à saúde. A lavagem das mãos é uma medida simples e muito importante para a prevenção de doenças, principalmente após enchentes e alagamentos. É muito importante lavar bem com água limpa e sabão feridas que tiveram contato com água contaminada. Nesses casos, pode ser necessário o exame por profissional de saúde para avaliação. Outra medida importante é estar com as vacinas em dia. As vacinas contra hepatites A e B e contra o tétano são encontradas, gratuitamente, nos postos de saúde de todo o país. As picadas de mosquito podem ser prevenidas com repelentes a base de DEET ou Icaridina. Após desastres naturais, também são comuns problemas mentais como ansiedade, depressão leve, hiperatividade, raiva ou letargia. Caso não passem rapidamente, esses transtornos merecem atenção multiprofissional.



