Com a missão de reafirmar o seu compromisso com a promoção da saúde da mulher, da criança e do adolescente e contribuir com ações de ensino, pesquisa e atenção voltadas para a qualidade de vida desses grupos, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) promoveu, no último dia três de abril, mais uma edição da aula inaugural dos cursos de Mestrado e Doutorado, das duas pós-graduações stricto sensu do IFF. Seu principal objetivo foi enriquecer as discussões acerca desses grupos como sujeitos de direitos, formando profissionais a nível de mestrado e doutorado com este olhar ampliado: mais direitos, mais saúde, menos foco nas doenças. Para fortalecer as parecerias interinstitucionais foram convidadas Adriana Vianna, docente do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social / Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Camila Fernandes, doutoranda do mesmo programa.
Na mesa de abertura do evento, estiveram presentes a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade; o vice-presidente de Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Marco Antônio Menezes; o diretor do IFF, Carlos Maciel; a vice-diretora de Ensino do IFF, Maria Auxiliadora de Souza Mendes; a coordenadora do programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulher, Martha Moreira e o coordenador do programa de Pós-Graduação em Pesquisa Aplicada à Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, Zilton Vasconcelos.
Comum a fala dos componentes da mesa foi o tom de boas-vindas, associado à celebração da chegada dos novos alunos, que reunirão esforços para que se concretize um círculo virtuoso de reflexão sobre as práticas de atenção à saúde de mulheres, crianças e adolescentes, e a produção de conhecimento qualificado promotor de transformações.
Na oportunidade, Carlos Maciel mencionou o compromisso do Instituto na capacitação e instrumentalização do capital humano, para que possam atuar com dedicação e humanização. “Diante dos momentos difíceis, temos que ser mais humanos, principalmente por estarmos em um ambiente hospitalar. ” Já Maria Auxiliadora destacou a tradição do ensino na formação de mestres e doutores. “Estamos caminhando para a casa dos 700 mestres e doutores formados por esta instituição, temos muito orgulho e responsabilidade na capacitação desses profissionais, uma tarefa que vem da nossa trajetória e da nossa inserção na Fiocruz, que também responde a uma especificidade muito clara na Pós-graduação brasileira”, acrescentou a vice-diretora de Ensino. “Celebrar esses números significa convocar a todos, professores, alunos e trabalhadores à defesa de um Sistema Único de Saúde qualificado, em prol dos sujeitos da saúde”, complementou Martha Moreira.
Sobre as situações de violência que assolam a cidade do Rio de Janeiro, e o bairro de Manguinhos, a presidente da Fiocruz fez a seguinte referência, “não existe entorno, não existe cidade partida, a cidade está em interação o tempo todo, o que existe normalmente são diferenças em relação aos direitos, que são privilégios relacionados à ausência de políticas públicas efetivas. O Fernandes Figueira é parte fundamental desse esforço no ensino, quanto em todas as suas outras atividades, na pesquisa, na assistência e na inovação”, enfatizou Nisia.
Mulheres, crianças e adolescentes como sujeitos de direitos
A aula teve como suporte a articulação entre um momento mais conceitual sobre o campo da construção das moralidades no que toca ao reconhecimento de mulheres, crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, a interface entre história e antropologia, e o exercício empírico de análise sobre uma pesquisa desenvolvida com mulheres jovens e crianças em duas favelas cariocas, trabalhando com as ideias de maternidades erradas – as “mães novinhas” – considerada más mães, discutindo também a relação disso com a precariedade dos serviços públicos.
Sobre essas reflexões e suas articulações entre pesquisa e o mundo real, a professora Adriana Viana faz a seguinte observação, “como a gente estabelece uma relação de pesquisa de formação, de reflexão que não seja uma relação que se paute por uma certa externalidade ou por um sobrevoar a vida das pessoas, mas que compreenda o quanto está implicado, afetado nesses processos concretos, embora as coisas não se misturem totalmente,” enfatizou a docente.



