A prática assistencial em prol do cuidado de crianças com condições crônicas complexas

A prática assistencial em prol do cuidado de crianças com condições crônicas complexas

 

Apesar dos avanços na saúde pública, os indicadores demonstram que ainda falta um longo caminho a percorrer para garantir às crianças brasileiras o direito integral à saúde, como assumido em nossas leis. Os índices de mortalidade infantil- embora bastante reduzidos na última década – ainda são altos. Na maioria dos casos, os óbitos poderiam ser evitados se as crianças fossem encaminhadas para um serviço de saúde qualificado, com uma equipe profissional preparada. Nesse sentido, a proposta da I Jornada da Área Clínica da Criança e do Adolescente foi trazer uma reflexão sobre o impacto da condição crônica em pediatria e os principais desafios gerenciais no cuidado a essa população. No primeiro dia do evento, as discussões reflexivas giraram em torno de abordagens conceituais, a organização e atuação das unidades de produção da área clínica pediátrica, estudos de casos, vídeos que dialogam com a prática diária das unidades de internação da pediatria e da experiência exitosa do processo de desospitalização na Área, mas também a clínica ampliada e a transferência de cuidados ambulatoriais.

O segundo dia de evento enfatizou a importância da desospitalização e os Cuidados Paliativos em Pediatria e contou com uma conferência magna sobre a importância da atenção especializada e hospitalar no Sistema Único de Saúde (SUS). Ministrada por Gastão Wagner, Presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que salientou a diferença do conceito de medicina preventiva para o setor público e o privado. “No caso do setor privado, a prevenção se dá por práticas de identificação precoce de doenças. Essa proposta se baseia no uso de recursos tecnológicos como exames, técnicas de genética médica e mesmo medicação preventiva. Já no setor público, a medicina preventiva se pauta em dados epidemiológicos, com ações amplas para evitar o adoecimento da população e para promover sua saúde e bem-estar integrais. Para a saúde coletiva, tão importante quanto diagnosticar e curar doenças, é propiciar um ambiente familiar e uma sociedade que sustentem um estado pleno de saúde, contemplando não só aspectos fisiológicos, mas também psicológicos e sociais. A abordagem deve ser, portanto, a mais ampla possível, e é preciso levar em conta os aspectos ambientais, econômicos, socioculturais e de infraestrutura em que a comunidade está inserida”.