A intervenção intersetorial no combate à violência infantojuvenil

 

O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) promove anualmente o curso “Violência contra crianças e adolescentes – a intersetorialidade na prevenção e no atendimento”, um tema de suma relevância para a saúde, tanto física quanto mental. O intuito é de ampliar o entendimento sobre as manifestações da violência que afeta o público infantojuvenil e, assim, com a devida conscientização dos riscos associados, reforçar a estrutura assistencial para uma abordagem intersetorial que permita a prevenção e o atendimento apropriados.

A 23ª edição do curso teve como foco a intersetorialidade na prevenção e no atendimento, fornecendo aprimoramento durante todas as segundas-feiras do mês de maio para uma maior compreensão dos diferentes enfoques sobre a violência nessa população tão vulnerável. Há 23 anos, o curso é liderado pela coordenadora do Núcleo de Apoio aos Profissionais que atendem crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos (NAP) do IFF/Fiocruz, Rachel Niskier.

A pediatra do IFF/Fiocruz, Rachel Niskier, coordena há 22 anos o curso sobre a violência contra a população infantojuvenil


De acordo com Niskier, a violência contra crianças e adolescentes pode tomar muitas formas diferentes, incluindo violência estrutural, negligência, física, psicológica e sexual que podem ter graves consequências para quem as sofre em relação à saúde integral desta população.

O curso contou com mais de 50 participantes, profissionais de diversas áreas envolvidas com a temática, que assistiram mais de 20 palestrantes com importante trajetória no enfrentamento de situações complexas relacionadas à defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

Entre os palestrantes do curso estavam a pesquisadora do IFF/Fiocruz, Suely Deslandes, que abriu o curso introduzindo o tema da violência sob uma perspectiva ampliada. Seguiram-se palestras com: a professora do Instituto de Medicina Social, Cláudia Moraes, que falou sobre de que adoecem e morrem as crianças e os adolescentes no Brasil; a psiquiatra Cecy D. Abranches, que discutiu sobre as diversas manifestações da violência contra esse grupo etário; a pesquisadora da Fiocruz, Joviana Avanti, que discutiu sobre a violência institucional; e a assistente social, Tatiana Fonseca, que falou sobre a negligência como outra forma violência.

Também participaram os palestrantes: Letícia Villela (marcos do desenvolvimento das crianças e dos adolescentes); pediatra e psiquiatra Orli Carvalho (comportamento suicida e autolesões – expressão do sofrimento psíquico); desembargadora Andrea Pacha (direito à convivência familiar e comunitário); advogado Pedro Pereira (marcos jurídicos institucionais na proteção infantojuvenil); além da pediatra do IFF/Fiocruz, Marlene Assumpção; a enfermeira, Roselene dos Santos; a assistente social, Nirelle Marinho, e a psicóloga, Juliana Ferreira, que debateram sobre a atuação da equipe de saúde frente aos casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes.

Outros temas abordados foram: violência sexual e violência no namoro, com os pesquisadores do IFF/Fiocruz, Fátima Junqueira e Marcos Nascimento; encaminhamento e notificação dos casos de violência, com o psicólogo Sérgio Henrique Teixeira; intersetorialidade: rede de atendimento, com a assistente social do Instituto, Alessandra Mendes; Cyberbullying, com a psicóloga, Carolina Apolinário; violência estrutural, com a pesquisadora Simone de Assis, e violência racial, que foi abordada pela jornalista, Flávia Oliveira.

Durante as palestras, os participantes tiveram a oportunidade de refletir e compartilhar experiências sobre os riscos da violência em quaisquer de suas formas. Nesse contexto, o encontro trouxe informações valiosas com abordagens potentes de profissionais experientes de diversas áreas para a prevenção, o enfrentamento e o acolhimento de crianças e adolescentes vítimas de violência por meio da abordagem intersetorial. “É preciso contar com abordagens multiprofissionais para um o atendimento adequado às necessidades desses casos de violência”, afirma Rachel Niskier.

Serviço

Maus-tratos, agressões, negligência, abandono, discriminação, evasão escolar, trabalho infantil, falta de atendimento médico, crueldade, abuso e exploração, entre outras situações contra crianças e adolescentes, são consideradas violações aos direitos e, portanto, um crime. As denúncias de casos desse tipo podem ser feitas através do Conselho Tutelar, que é o responsável por cuidar na sociedade brasileira da população de até 18 anos. É importante considerar que as denúncias podem ser feitas também de forma anônima pelos telefones: Disque 125 ou Disque 100.

Para mais informações, clique aqui e consulte o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).