Como parte das comemorações pelo aniversário de 117 anos da Fiocruz, a Tenda da Ciência Virgínia Schall foi palco, no último dia 29, da coroação de mais um processo democrático na Fundação. Diante de uma grande plateia, a presidente Nisia Trindade conduziu a cerimônia de apresentação dos novos diretores da Fundação. Além de Fábio Russomano, que foi eleito no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) para o mandato 2017-2021, outros 15 gestores foram apresentados.
A abertura ficou por conta do Coral Flor do Mangue, formado por mulheres das comunidades de Manguinhos e adjacências. A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, o chefe de Gabinete, Valcler Rangel, a presidente da Asfoc - Sindicato Nacional, Justa Helena e a representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz, Ana Clara Newlands, compuseram a mesa de honra. A frente da Direção do IFF nos últimos oito anos, Carlos Maciel também esteve presente na cerimônia. Ao se despedir da função, ele assumirá a coordenação executiva do Complexo dos Institutos Nacionais de Saúde.
Representando os diretores que assumirão a gestão, Valdiléa Veloso, eleita pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), falou sobre o significado da cerimônia. “Nossa democracia precisa ser exercida no dia a dia do trabalho da gestão nas unidades, nas relações de trabalho. As pessoas precisam ser ouvidas”, afirmou. A diretora também destacou o alto comparecimento às urnas e a importância da união institucional, passado o período eleitoral. “Apesar das diferenças, estamos unidos por uma Fiocruz forte, soberana, instituição de Estado, que produz conhecimento, inovação, ensino, promoção da saúde, luta pela cidadania e pela consolidação do SUS”, complementou Valdiléa.
O diretor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), Umberto Trigueiros, representou os diretores que encerraram o seu mandato. Umberto enfatizou a dedicação e o compromisso desempenhado pelos ex-diretores, em um momento importante da instituição, com o crescimento das redes de pesquisa, da oferta no campo da educação e de outros produtos produzidos pelas unidades da Fiocruz, com respostas efetivas às demandas do Ministério da Saúde. “Estamos vivendo uma semana de festa, em que comemoramos os 117 anos da Fundação. Hoje renovamos aqui a história, oferecendo à comunidade Fiocruz esse belo presente que é a nossa democracia interna e a nossa gestão participativa”, apontou Umberto.
O chefe de Gabinete, Valcler Rangel, destacou a importância de se trabalhar pela unidade da Fiocruz e pelas políticas sociais, com uma gestão inclusiva, combatendo as desigualdades e todo tipo de discriminação. Representante da Associação de Pós-Graduando da Fiocruz (APG Fiocruz), a aluna Ana Clara Tupam Newlands saudou os diretores, reconhecendo o fortalecimento da democracia interna da Fundação.
Já a presidente da Asfoc, Justa Helena falou sobre a alegria de participar de um Conselho, em que, a partir de agora, as mulheres estarão mais presentes. “Há um número expressivo de mulheres chegando ao CD. Isso é muito enriquecedor”, afirmou. Justa aproveitou a ocasião para ler a carta escrita para os novos diretores. O documento propôs algumas pautas emergenciais aos novos conselheiros, como a deliberação de um manifesto contra as reformas em curso no país.
“Qual é o nosso objetivo ao celebrar essa passagem? É fortalecer a Fiocruz como instituição
estratégica de Estado e, ao mesmo tempo, fortalecer a gestão democrática”, afirmou a presidente da Fundação, Nísia Trindade. Em seu discurso, Nísia comentou o descrédito que a atividade política tem tido no país e reforçou o papel da Fundação em mudar este quadro. “Precisamos resgatar essa função política nos seus valores maiores, na defesa da democracia, dos direitos e da cidadania”, disse.
Recém-chegada de Genebra, Nísia Trindade aproveitou a oportunidade para comentar sobre a participação na Assembleia Mundial da Saúde. “A Assembleia, de maneira histórica, elegeu em plenária o seu novo diretor geral, um africano, que teve apoio do Brasil e que tem feito uma fala afirmativa em relação ao SUS. A todo momento foi reforçada a importância dos acordos de cooperação com o Brasil. Um exemplo de cooperação em destaque, que firmou compromissos importantes é o Banco de Leite Humano. Uma grande conquista do nosso trabalho foi a criação da Rede de Bancos de Leite Humano dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, que era uma aspiração e se tornou realidade”, destacou a presidente.



