A Fiocruz está comprometida com a promoção da equidade de gênero na Ciência, em consonância com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos na Agenda 2030, sendo o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência (11/2) parte do calendário de eventos da Fundação desde 2019. A data é uma oportunidade para promover, de forma igualitária, o acesso e a participação de mulheres e meninas nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, reconhecendo o papel fundamental exercido pelas mulheres para o desenvolvimento científico.
Anualmente, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) recebe jovens estudantes através do Imersão no Verão, uma iniciativa da Coordenação de Divulgação Científica, da Vice-Presidência de Informação, Educação e Comunicação (CDC/VPEIC), da Fiocruz, que coloca as meninas no centro da ação e proporciona rodas de conversa com pesquisadoras, visitas técnicas a laboratórios, dinâmicas de grupo e atividades culturais. Neste ano, o projeto será realizado de 9 a 11 de fevereiro de 2026, com atividades diárias, das 8h às 17h, nas unidades da Fundação no Rio de Janeiro.
Para a professora e coordenadora do Laboratório de Citogenética Clínica do IFF/Fiocruz, Elenice Bastos, compreender as desigualdades históricas que marcaram a trajetória das mulheres é essencial para transformar o futuro.
“Ao longo da história, as meninas foram criadas no formato pelo qual as perspectivas futuras eram sempre muito relacionadas ao cuidado: cuidado familiar (pais, marido), cuidado de filhos, entre outros. Acredito que a chegada da mulher ao mercado de trabalho, muitas vezes, veio mais pela necessidade financeira de ajudar o companheiro do que pelo próprio desejo ou aptidão para uma área específica, sendo raro encontrar famílias que estimulassem a menina a estudar, acumular conhecimento e atuar de forma competitiva em diferentes áreas do saber”, explica Elenice.
Ela destaca que instituições como a Fiocruz contribuem de forma determinante para essa formação, ao apresentar diferentes trajetórias científicas possíveis, mostrar mulheres atuando em diversas áreas do conhecimento e proporcionar o contato direto com pesquisadoras, profissionais da saúde e educadoras. Dessa forma, ampliam repertórios, inspiram escolhas futuras e ajudam a construir uma visão de ciência alinhada às necessidades da sociedade.
Responsável por receber as jovens estudantes do Imersão no Verão no Instituto este ano, Elenice ressalta que ao incentivar meninas desde cedo e abrir suas portas para programas de formação e imersão, o IFF/Fiocruz não apenas estimula vocações científicas, mas também cumpre seu papel institucional de formar cidadãs críticas, conscientes e preparadas para contribuir com uma ciência mais inclusiva, ética e socialmente responsável.

Equipe do Laboratório de Citogenética Clínica do IFF/Fiocruz com as estudantes (Foto: Bruno Guimarães)
Desafios x protagonismo feminino
Apesar dos avanços, mulheres ainda enfrentam desafios para ingressar e permanecer nas carreiras científicas, especialmente em áreas historicamente masculinizadas. De acordo com dados da UNESCO, a porcentagem média global de pesquisadoras é de 33,3%, e apenas 35% de todos os estudantes das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, são mulheres. Sendo assim, o incentivo ao interesse pela ciência desde a infância e a adolescência se mostra fundamental para ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e fortalecer a produção de conhecimento voltada às necessidades da sociedade.
No campo da saúde, estimular meninas a se reconhecerem como futuras cientistas significa também investir em um cuidado mais diverso e comprometido com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Instituições públicas de ensino, pesquisa e assistência desempenham papel estratégico nesse processo ao promover ambientes de formação inclusivos.
Nesse contexto, o Instituto atua na formação de profissionais e pesquisadoras por meio do ensino, da pesquisa e da assistência, contribuindo para a construção de trajetórias científicas marcadas pelo protagonismo feminino. Ao longo de sua história, o IFF/Fiocruz tem sido espaço de aprendizado, troca de saberes e produção científica voltada às demandas da saúde pública brasileira.
Ao promover ações que aproximam meninas da ciência e valorizam o protagonismo feminino, o Instituto reafirma seu compromisso com a equidade de gênero, a formação cidadã e o fortalecimento da ciência como instrumento de transformação social.







