Nos dias 4 e 5 de dezembro, a Fiocruz Brasília sediou o 3º Encontro Regional para Fortalecer as Ações em Saúde Integral da Mulher no SUS, reunindo trabalhadoras das regiões Sul e Sudeste. O evento contou com representantes de gestão, da academia, de instituições, do controle social e de movimentos sociais, que discutiram o SUS como experiência de cidadania e os caminhos para consolidar a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) nos próximos 20 anos. O encontro integrou uma ação nacional promovida pela CGESMU/DGCI/SAPS/MS, Fiocruz Brasília e IFF/Fiocruz.
Na abertura, estiveram presentes a pesquisadora e parte da equipe da Coordenação de Ações Nacionais e de Cooperação do IFF/Fiocruz, Cynthia Magluta; diretora executiva da Escola de Governo Fiocruz Brasília, Luciana Sepúlveda; diretora do Departamento de Gestão do Cuidado Integral da SAPS/MS, Olívia Lucena; coordenadora do núcleo da Rede Alyne/DAHU/SAES/MS, Thatiane Torres; além de Tainá Raiol e Luiza Acioli, do NUSAME/Fiocruz Brasília. As falas destacaram avanços e desafios da Política no cotidiano e a importância do diálogo entre diferentes políticas para garantir a integralidade do cuidado. Cynthia Magluta ressaltou a equidade e a cidadania como pilares do SUS.
“O SUS é um legado maravilhoso. Ele mostra o que um país pode fazer para reduzir desigualdades na saúde. Estamos nos preparando para que cada mulher, em qualquer fase da vida, possa dizer: que bom que o SUS está aqui", declarou Cynthia.
Cynthia Magluta ressaltou a equidade e a cidadania como pilares do SUS
Entre os temas debatidos no Café com Ideias, mediado por Andreza Rodrigues, do NUSAME/Fiocruz Brasília, estiveram o machismo estrutural e a perda de direitos das mulheres, o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, a educação popular em saúde reprodutiva e a reflexão sobre saúde como projeto de país. Participaram do debate Rosa Anacleto, coordenadora da CISMU/CNS; Luiza Menezes, da SES do Rio Grande do Sul; Simone Diniz, da USP; e Ligia de Gaia, da SAPS/MS.
Em um contexto de aumento do feminicídio no Brasil, Carolina Poliquesi, da SES do Paraná, destacou a necessidade de indicadores sobre qualidade de vida das mulheres, além dos tradicionais como mortalidade materna e infantil. Andreza Rodrigues complementou: “Precisamos pensar no bem-viver e em como reconhecer esses indicadores". A segurança desponta como elemento essencial para garantir saúde e qualidade de vida.
Diversos temas foram debatidos no Café com Ideias
O encontro integrou uma ação nacional promovida pela CGESMU/DGCI/SAPS/MS, Fiocruz Brasília e IFF/Fiocruz, em celebração aos 20 anos da PNAISM. Uma Mostra de Experiências Locais apresentou práticas que ampliam acesso, resolutividade e integralidade do cuidado, valorizando a diversidade e as especificidades regionais.
Publicada em 2004 pelo Ministério da Saúde, a PNAISM consolidou avanços nos direitos sexuais e reprodutivos, atenção obstétrica, planejamento familiar, combate à violência doméstica e prevenção de doenças crônicas e câncer ginecológico. A política também incorporou ações voltadas a grupos historicamente excluídos.
Para marcar os 20 anos da PNAISM, os encontros regionais aprofundam o debate em eixos como atenção obstétrica, abortamento, interseccionalidades, menopausa, atenção ginecológica, saúde sexual e reprodutiva, violência sexual e doméstica, além da atenção ao câncer de colo do útero e de mama. Os objetivos incluem fornecer subsídios técnicos para fortalecer a PNAISM, promover mostras de experiências exitosas, construir um protótipo de painel de monitoramento e produzir material audiovisual e publicação online.
Equipe do IFF/Fiocruz marcou presença no evento
Após os encontros regionais realizados em outubro (Centro-Oeste e Norte) e novembro (Nordeste), o Encontro Nacional acontecerá em março de 2026, reunindo contribuições para fortalecer a saúde integral da mulher no SUS.







