Em dezembro de 2025, mais especificamente no dia 21/12, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) celebra 15 anos da portaria nº 4.159, de 2010, que instituiu o Fernandes Figueira como Instituto Nacional, definindo-o como órgão auxiliar do Ministério da Saúde. Essa portaria estabelece a missão do Instituto de coordenar e avaliar ações integradas voltadas para seu público-alvo.
De acordo com a Portaria e o regimento do IFF/Fiocruz, o Instituto tem como principais atribuições prestar assistência de referência em saúde da mulher, da criança e do adolescente, apoiando o Sistema Único de Saúde (SUS); desenvolver pesquisas nessas áreas; promover ensino e formação de recursos humanos para o sistema de saúde e para ciência e tecnologia da Fiocruz; avaliar, desenvolver e validar novas tecnologias e modelos de gestão e atenção à saúde; e oferecer assessoria técnica, como unidade de referência, ao SUS e a outras instituições afins.
O diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Meirelles, conta que antes mesmo da designação oficial, a unidade já era referência nacional em questões neonatais e maternas, sendo chamada para atuar em situações críticas, como óbitos de bebês em maternidades. “Em 2010, a portaria do Ministério da Saúde transformou nossa atuação: deixou de ser apenas uma colaboração e passou a ser um dever institucional. Desde então, temos cumprido esse papel com pactuações junto às secretarias estaduais e ao Ministério, atuando para reduzir a mortalidade materna e infantil, cujo componente neonatal é o mais relevante”.
Atuação nacional
As Ações Nacionais e de Cooperação do IFF/Fiocruz são estruturadas em três eixos principais. O primeiro é o aprimoramento da capacidade de planejamento e gestão das Redes de Atenção à Saúde, com atuação nas 27 unidades federativas, implantação da Rede Alyne para reduzir a mortalidade materna e neonatal, e iniciativas voltadas à qualificação e ao fortalecimento da atenção pediátrica.
O segundo eixo é a qualificação de práticas clínicas, que já alcança mais de nove milhões de profissionais de saúde por meio do Portal de Boas Práticas do IFF/Fiocruz e cerca de 50 mil profissionais que acessam cerca de 20 cursos no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) do Instituto voltados à melhoria do cuidado à saúde de mulheres, crianças e adolescentes, como o de Especialização em Enfermagem Neonatal, que já formou em torno de 300 enfermeiros nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
No terceiro eixo, o IFF/Fiocruz atua na análise de bases de dados do SUS, como os sistemas de informação sobre mortalidade, nascidos vivos e internações ambulatoriais e hospitalares. Esse trabalho permite realizar estudos epidemiológicos e avaliar a oferta e utilização dos serviços de saúde. Além disso, o Instituto desenvolveu um sistema inédito, o Sistema de Monitoramento do Cuidado Obstétrico e Neonatal (SMCON), que reúne dados exclusivos sobre práticas assistenciais em 150 maternidades, gerando uma base robusta com cerca de 200 mil registros para subsidiar políticas públicas e qualificar o cuidado materno e neonatal.
Para a coordenadora de Ações Nacionais e de Cooperação do Instituto, Maria Gomes: “A celebração dos 15 anos do IFF/Fiocruz como Instituto Nacional reforça um marco importante na história da instituição. Esse momento se soma ao resgate histórico realizado em 2024, por ocasião do centenário do Instituto, que evidenciou seu papel nacional desde a origem. A partir dessa designação, foram estruturadas mudanças internas significativas, incluindo a criação, em 2019, da Coordenação de Ações Nacionais e de Cooperação, responsável por articular iniciativas em âmbito nacional”.
Segundo Maria, essa rede de colaboração é um dos pilares que sustentam a relevância do Instituto como referência nacional. “Essa atuação só é possível graças à integração com outras unidades da Fiocruz, instituições parceiras e especialistas de diferentes áreas do Brasil, que, junto aos quadros internos do IFF/Fiocruz, contribuem para cumprir essa responsabilidade”.
Sobre as próximas metas, Maria adianta: “Pela confiança e parceria, as secretarias do Ministério da Saúde — como a Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), a Secretaria de Atenção Especializada (SAES) e a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) — demandaram ao IFF/Fiocruz, para o período de 2025 a 2028, novas estratégias voltadas à qualificação de profissionais, ao fortalecimento da capacidade de planejamento e gestão, à implementação da Rede Alyne e à ampliação da atenção pediátrica. Entre as prioridades está o cuidado de crianças com condições crônicas complexas, incluindo a expansão do acesso à desospitalização, garantindo maior integralidade e qualidade na assistência”.
Formação para o SUS
A Coordenação de Educação do IFF/Fiocruz, alinhada à missão institucional, atua na formação de profissionais qualificados para o SUS e na produção e difusão de conhecimento voltado à proposição de políticas e ao cuidado integral à saúde da mulher, da criança e do adolescente. “Os cursos de residência e pós-graduação, tanto Stricto quanto Lato Sensu, dialogam com as políticas públicas e com os marcadores sociais, abordando temas cruciais como violência e saúde, direitos humanos e sociais e, principalmente, cuidados voltados à saúde materna e infantil”, comenta a coordenadora de Educação do Instituto, Carla Trevisan.
Quanto às inovações e perspectivas para o futuro, Carla afirma: “A ampliação do alcance da educação a distância por meio do AVA IFF e o desenvolvimento de tecnologias e conhecimentos que respondam às necessidades do SUS nessas áreas estratégicas”.
Pesquisa que gera soluções
O coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do IFF/Fiocruz, Saint Clair Gomes, comemora esse importante marco para o Instituto: "Esse reconhecimento é fruto do compromisso da comunidade de servidores, trabalhadores, alunos e voluntários com a excelência no cuidado em saúde, aliado às ações de educação e aos trabalhos de pesquisa realizados. Essa tríade atua de forma sinérgica, estimulando resultados cada vez mais qualificados e se requalificando continuamente com um único objetivo: oferecer soluções para a melhoria das condições de saúde dessas populações".
Ao longo de sua trajetória, o IFF/Fiocruz vem desenvolvendo pesquisas em diferentes áreas do conhecimento, com destaque para estudos nas áreas de pesquisa clínica, saúde coletiva e pesquisa translacional. “A maioria desses trabalhos foi conduzida em estreita articulação com programas de pós-graduação, residências, redes colaborativas e áreas de atenção à saúde, permitindo um acúmulo de conhecimento que qualifica a instituição a dar respostas rápidas e eficazes aos desafios impostos pelo cenário epidemiológico brasileiro, bem como pela luta pela garantia de direitos, sobretudo de populações mais vulnerabilizadas”, avalia Saint Clair.
Sobre a produção tecno-científica gerada — por meio de artigos, livros, notas técnicas, cartilhas, protocolos, recomendações e outros materiais — o pesquisador destaca que “não apenas contribuiu para a incorporação de tecnologias e práticas inovadoras no SUS, mas também fundamentou políticas públicas baseadas em evidências, impactando diretamente a saúde da mulher, da criança e do adolescente”.
O reconhecimento como instituto nacional impulsionou ainda mais a capacidade de condução de trabalhos científicos no IFF/Fiocruz, ampliando sua inserção em redes nacionais e internacionais e fortalecendo sua vocação como centro de referência.
“Essa condição estratégica vem permitindo a realização de estudos cada vez mais sofisticados, voltados para a prevenção dos mais variados agravos, desenvolvimento de métodos de diagnóstico e abordagens terapêuticas não só para a população assistida pelo Instituto, como também para os usuários do SUS, além de fomentar discussões sobre direitos, mudanças climáticas e temas emergentes da sociedade. Dessa forma, a pesquisa, em parceria com as demais áreas da instituição, configura-se como um eixo estruturante para a consolidação do IFF/Fiocruz como instituto nacional e protagonista na promoção da saúde e na inovação científica no Brasil”, ressalta Saint Clair.
Usuários no centro do cuidado
Ao longo dos últimos 15 anos, o IFF/Fiocruz consolidou práticas que colocam mulheres, crianças e adolescentes no centro do cuidado, promovendo transformações significativas na assistência. “Essa abordagem possibilitou: integração multiprofissional para enfrentar condições crônicas, deficiência e situações de violência, garantindo atenção integral e articulada; humanização e protagonismo do usuário, com práticas que respeitam direitos, diversidade e participação social, fortalecendo vínculos e confiança; e respostas ágeis a emergências sanitárias, como na epidemia de Zika, com protocolos inovadores e formação especializada para atender necessidades emergentes”, explica a diretora substituta e coordenadora de Atenção à Saúde do IFF/Fiocruz, Lívia Menezes.
Lívia completa: “Esses avanços reafirmam o compromisso do Instituto com um SUS mais equânime, resolutivo e centrado na pessoa, transformando cuidado em cidadania”.
Emergências sanitárias
O IFF/Fiocruz teve papel central em emergências sanitárias que marcaram o país. As crises fortaleceram a atuação nacional e a projeção internacional do Instituto, assim como os aprendizados moldam a preparação para enfrentar desafios futuros em saúde materno-infantil.
“Nossa contribuição foi decisiva em emergências como a epidemia de Zika, produzindo conhecimento, artigos científicos e estudos que orientaram o enfrentamento, em parceria com outras unidades da Fiocruz. Essa posição estratégica nos fortalece para atuar em todo o território nacional. Também tivemos protagonismo na emergência Yanomami, enviando equipes para apoiar mulheres, crianças e adolescentes em situação crítica, estruturando serviços e oferecendo assistência direta”, informa o diretor do Instituto, Antônio Meirelles.
Os pilares da gestão
Embora muitas vezes invisibilizada, a gestão é a base que sustenta todas as demais frentes do Instituto. Durante esses 15 anos como Instituto Nacional, o IFF/Fiocruz aperfeiçoou práticas democráticas, ampliou espaços de diálogo e fortaleceu decisões colegiadas, garantindo transparência e alinhamento estratégico entre as áreas. Essa estrutura tem sido determinante para transformar diretrizes em ações concretas, assegurando que cada avanço seja sustentado por uma governança sólida e participativa.
“Um dos eixos que mais evoluiu na Coordenação de Gestão e Desenvolvimento Institucional (CGDI) nesse percurso foi a integração e a comunicação interna. Investimos na criação de canais mais ágeis, acessíveis e colaborativos, ampliando o compartilhamento de informações estratégicas e aproximando equipes que, historicamente, atuavam de forma mais segmentada. Este esforço contribuiu para maior coesão organizacional e para um ambiente de trabalho mais conectado, capaz de responder de forma integrada aos desafios institucionais”, afirma a coordenadora de Gestão e Desenvolvimento Institucional do IFF/Fiocruz, Stella Carletti.
No campo da eficiência administrativa, o IFF/Fiocruz avançou na digitalização de processos, na qualificação dos fluxos de trabalho e na adoção de ferramentas de gestão que ampliaram a integração entre setores, resultando em maior agilidade, padronização e segurança operacional. “A incorporação de sistemas informatizados e a consolidação de rotinas de monitoramento e avaliação contribuíram para uma governança mais eficiente, orientada por evidências”, frisa Stella.
Visando o futuro, a CGDI tem metas voltadas ao fortalecimento de uma cultura organizacional ainda mais participativa. “Entre as prioridades, destacam-se: aprofundar a transformação digital com foco na experiência do usuário; aprimorar a integração entre planejamento, orçamento, gestão e os eixos de atividades fim do Instituto; e ampliar práticas de governança que assegurem maior eficiência, sustentabilidade e inovação. A CGDI também mantém o compromisso de promover ambientes de trabalho mais inclusivos, colaborativos e alinhados aos princípios do SUS e da missão IFF/Fiocruz”, declara Carletti.
Olhos para o futuro
Para os próximos anos, Antônio Meirelles revela as prioridades estratégicas para expandir e fortalecer a política nacional para a saúde da mulher, da criança e do adolescente. “Agora, estamos nos preparando para intensificar nossa atuação com a chegada da nova sede, que será um hospital inteligente da rede SUS, voltado para pesquisa, formação, inovação e atendimento, incluindo áreas como doenças raras e terapias avançadas. O futuro do Instituto será ainda mais brilhante do que seu passado centenário. Temos orgulho de ser Ministério da Saúde, de ser IFF/Fiocruz e de trabalhar todos os dias para fortalecer o SUS!”.
A estátua em frente ao IFF/Fiocruz, símbolo do Instituto, representa a essência do amor materno em todos os tempos (Foto: Bruno Guimarães)







