O encerramento do seminário “Zika, Dez Anos Depois: Ciência, Cuidado e Compromisso com o Futuro", promovido pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), foi realizado no dia 28 de novembro de 2025, no Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE-UFRJ), no Rio de Janeiro.
Este segundo e último dia do evento, foi iniciado com a fala do pediatra e diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO) do Instituto, José Augusto Alves de Britto, que citou a frase de Peter Ratcliffe: "O melhor conselho que posso dar a jovens pesquisadores é que a maioria de nós, cientistas, somos, de certa forma, pessoas irracionais que não se encaixam no molde. Pessoas razoáveis não descobrem o Polo Norte, não escalam montanhas e, numa primeira aproximação, não descobrem coisas na ciência".
Na sequência, foram feitas homenagens a profissionais relevantes para o enfrentamento da pandemia: Valcler Rangel; Estevão Portela Nunes; Antônio Meirelles; Maria Elizabeth Lopes Moreira; Ana Maria Bispo; e José Augusto Alves de Britto.
A primeira mesa abordou os “Direitos, memória, ação e projeção: a experiência das associações” e teve como mediadora a pesquisadora, professora e coordenadora do Núcleo de Equidade, Diversidade e Políticas Afirmativas do IFF/Fiocruz, Martha Moreira.
A presidente da Associação Lótus, Nádia Farias da Silva, destacou como a união das mães se tornou um meio de resistência: “O que a gente tem construído é uma memória de luta que garante que nossos filhos e nossas famílias não sejam esquecidos, porque é dessa memória que nascem as ações e as mudanças”.
A presidente da Organização Nacional UniZika, Luciana Martins Arrais, explicou como a militância das mães surge da necessidade, não de uma escolha, colocando em evidência o papel das associações na defesa ativa dos direitos das crianças: “Nenhuma de nós escolheu estar aqui; fomos empurradas para a militância porque, se a gente não fizesse nada, nossos filhos não teriam quem os defendesse”.
A presidente da União de Mães de Anjos (UMA), Germana Soares, reforçou como o compartilhamento de experiências entre as mães fortalece a memória coletiva e garante que suas histórias continuem guiando novas ações dentro das associações: “A gente aprende uma com a outra e vai construindo essa memória que faz com que o nosso trabalho continue, porque é dessa troca que nasce a força das associações”.
O procurador-chefe da Fiocruz, Loris Baena Cunha Neto, frisou o impacto institucional das associações ao pressionarem por mudanças e reconhecimento estatal, ressaltando o papel dessas memórias coletivas como motor de transformação: “O trabalho dessas associações cria memória institucional e pressiona o Estado a reconhecer direitos que por muito tempo foram negados”.
Mesa 1 (da esq para dir): Nádia Farias da Silva, Germana Soares, Luciana Martins Arrais, Martha Moreira e Loris Baena Cunha Neto (Foto por: Bruno Guimarães)
Já a segunda mesa “A Zika e as humanidades: perspectivas antropológicas, sociológicas e políticas” teve como mediador o pesquisador e professor do IFF/Fiocruz, Luiz Teixeira.
A pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética, Luciana Brito, enfatizou a importância da articulação para responder às urgências das famílias: “Nosso trabalho parte de pesquisas, mas também de incidência política e diálogo com movimentos sociais”.
Em sua fala, a pesquisadora, professora e coordenadora do Núcleo de Equidade, Diversidade e Políticas Afirmativas do IFF/Fiocruz, Martha Moreira, destacou: “Precisamos compreender a Zika para além do campo biomédico, considerando a realidade vivida pelas famílias nos territórios”.
A diretora de pesquisa (CERMES 3) França, Ilana Lowy, comentou sobre a falta de informação, especialmente para uma parcela da população: “As crianças que nasceram com a síndrome congênita do Zika eram, majoritariamente, filhas de mulheres de classes sociais mais baixas, de baixa renda, e muitas delas não tinham qualquer informação, não sabiam do risco e que havia a possibilidade de o vírus causar malformações fetais”.
Mesa 2 (da esq para dir): Martha Moreira, Luciana Brito e Ilana Lowy (Foto por: Bruno Guimarães)
Os dois dias de seminário foram marcados por reflexões, troca de experiências e aprendizados valiosos sobre a epidemia de Zika e seus impactos na saúde pública. Foram momentos de diálogo, produção de conhecimento e reafirmação do compromisso do IFF/Fiocruz com a ciência e a saúde coletiva.
Acesse:
Seminário Zika, 10 anos depois - 28/11/25 manhã
https://youtu.be/2qC2UwX0gtM
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