IFF/Fiocruz celebra o Novembro Roxo com ações voltadas à prematuridade e ao fortalecimento das famílias 


O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, em 26/11, a comemoração do Novembro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a prematuridade. O evento reforçou a importância da humanização da assistência, da qualificação das equipes de saúde e do apoio continuado às famílias, com o objetivo de garantir inícios de vida mais saudáveis e vínculos fortalecidos entre pais e bebês prematuros. 

A mesa de abertura contou com a presença das enfermeiras e representantes do Comitê de Aleitamento Humano do IFF/Fiocruz, Nina Savoldi e Maíra Domingues; da gestora da Área de Atenção Clínica ao Recém-Nascido do IFF/Fiocruz, Suyen Villela; e da coordenadora de Atenção à Saúde do Instituto, Patrícia Marques.

Mesa de abertura (da esquerda para a direita): Maíra Domingues, Patrícia Marques, Suyen Villela e Nina Savoldi (Foto: Bruno Guimarães) 

Ao dar início ao evento, Nina Savoldi destacou o papel do Comitê de Aleitamento Humano do Instituto, responsável por promover cursos e formações que reforçam a assistência humanizada ao recém-nascido prematuro. Ela lembrou que a participação ativa dos pais é central para o cuidado, embora ainda existam desafios. “Nosso objetivo é ampliar o direito ao livre acesso e permanência dos pais, fortalecendo os laços afetivos e contribuindo para o desenvolvimento e a saúde mental dessas crianças”, afirmou. 

Maíra Domingues ressaltou que o Banco de Leite Humano (BLH) do IFF/Fiocruz integra uma rede que beneficia mais de 300 mil recém-nascidos pré-termo anualmente no Brasil. Segundo ela, a prematuridade impõe desafios às famílias e aos profissionais de saúde, mas também reforça o compromisso com a vida e com a ciência. “O leite humano é uma intervenção de impacto a curto, médio e longo prazo, fundamental na prevenção de complicações decorrentes da hospitalização”, disse. 

Em sua fala, Suyen Villela enfatizou a importância do pré-natal qualificado, de uma assistência segura ao parto e da elaboração de planos terapêuticos individualizados para cada bebê internado na unidade neonatal. Ela frisou que o cuidado precisa envolver a família e deve se estender da internação ao seguimento ambulatorial. “Os desafios são muitos, desde as condições clínicas dos bebês até questões estruturais, mas buscamos garantir um acompanhamento contínuo e singular para promover um futuro mais saudável”, reforçou. 

Encerrando a mesa, Patrícia Marques destacou a relevância do trabalho transdisciplinar no Instituto, que envolve diversas áreas. “O Novembro Roxo é um momento de união, reflexão e reconhecimento. Cada bebê prematuro é um universo de possibilidades, e nosso compromisso é transformar desafios em cuidado qualificado e ciência em transformação social”. 

Patrícia também comentou sobre as iniciativas conduzidas pelo IFF/Fiocruz, como o fortalecimento das linhas de cuidado neonatal, projetos de assistência humanizada, estudos pioneiros sobre prematuridade e programas de educação permanente que capacitam profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. “Ao longo da nossa história, o Instituto tem sido referência nacional para assistência, ensino, pesquisa e formulação de políticas públicas voltadas para a saúde materno-infantil”, celebrou. 

O trabalho transdisciplinar no Instituto envolve diversas áreas como comunicação, gestão, fisioterapia, fonoaudiologia, enfermagem, medicina e equipes de apoio (Foto: Bruno Guimarães) 

Após a mesa de abertura, a neonatologista Nicole Oliveira Mota Giannini apresentou a palestra “Método Canguru: como funciona na prática?”. Reconhecida como referência no tema, Nicole reforçou que o Método Canguru não deve ser restrito a áreas específicas da assistência, mas incorporado por toda a equipe da terapia intensiva neonatal como prática baseada em evidências, especialmente porque os recém-nascidos de risco habitual recebem alta em poucas horas, enquanto os prematuros e vulneráveis dependem diretamente desse cuidado. 

A neonatologista explicou que ainda é comum encontrar unidades que evitam o contato pele a pele sob o argumento de que o bebê “não está estável”, seja por uso de dispositivos como cateteres, presença de apneias, oscilações nos sinais vitais ou questões como dor e recém-alimentação. Nicole ressaltou que essa percepção é incorreta e contradiz inúmeras evidências científicas. Com base em análises robustas, mostrou que o contato pele a pele melhora temperatura, saturação, frequência respiratória, reduz dor, diminui infecções, inclusive por competir com a microbiota hospitalar e reduz mortalidade. Também destacou benefícios neuroprotetores, com estudos recentes demonstrando impactos positivos no desenvolvimento até os cinco anos de idade. 

Nicole enfatizou que privar um recém-nascido do Método Canguru por desconhecimento é uma violação do cuidado baseado em evidências. Reforçou que sinais vitais são o verdadeiro indicador de estabilidade e que todos eles melhoram durante o contato pele a pele. Ao apresentar recomendações de entidades internacionais e estudos que já investigam a aplicação do método imediatamente após o nascimento, observou que o Brasil ainda está atrasado na implementação plena da prática. Finalizou incentivando profissionais e estudantes a se apropriarem da literatura científica e disseminarem esse conhecimento, garantindo que nenhum bebê seja privado de um cuidado essencial e comprovadamente eficaz. 

A psicóloga do IFF/Fiocruz, Ana Paula Manzani, apresentou a palestra “Acolhimento às famílias de recém-nascidos prematuros”, destacando que um bebê nunca chega sozinho à unidade neonatal — física ou simbolicamente. Segundo ela, todo recém-nascido pertence a uma história familiar, e isso se intensifica na prematuridade, quando pais e mães vivem um processo abrupto de transição para a parentalidade, marcado por medo, culpa, frustrações e desconhecimento sobre o quadro clínico. Nesse contexto, Ana Paula reforçou que incluir a família na rotina de cuidados não é opcional: é essencial para que ela consiga permanecer na unidade e estabelecer uma relação com o bebê. 

A psicóloga explicou que o acolhimento, segundo o Ministério da Saúde, é uma postura ética que ocorre em todos os encontros entre profissionais e usuários. Por isso, pequenas atitudes fazem diferença — como orientar o pai que chega perdido após a admissão do bebê, mediar o primeiro encontro da mãe com o filho, traduzir o ambiente da UTI e convidar os responsáveis a participarem dos cuidados diários. Ela destacou ainda a importância de minimizar medos comuns, como os provocados pelos alarmes dos monitores, e de reconhecer o impacto emocional do ambiente neonatal, tanto nas famílias quanto nos trabalhadores. A participação ativa dos pais, segundo Ana Paula, fortalece o vínculo e promove saúde psíquica, especialmente em práticas como o Método Canguru. 

Ana Paula apresentou ainda práticas utilizadas no IFF/Fiocruz, como as visitas afetivas, grupos semanais de familiares e ações de apoio no contexto de cuidados paliativos, incluindo caixas de memória para famílias enlutadas. Ao encerrar, lembrou que trabalhadores também precisam ser cuidados: “Nós, profissionais, não somos super-heróis. Também precisamos ser acolhidos para conseguir acolher”. Ela reforçou que o hospital oferece apoio psicológico aos profissionais e que o autocuidado é fundamental para sustentar uma prática humanizada. 

Além dessas palestras, o evento contou também com palestras sobre Desenvolvimento da visão e estimulação visual de recém-nascidos prematuros, ministrada pela terapeuta ocupacional Natália Molleri; Aleitamento materno e desenvolvimento da linguagem, com as fonoaudiólogas Mariângela Bartha e Luciana Mayrink; Ofurô, redinha e outros recursos na UTIN, apresentada pela fisioterapeuta Camila Barros; e Oferta de leite humano cru na unidade neonatal, conduzida pela enfermeira Cristina Mattara. Os participantes também tiveram um momento de interação para troca de experiências.

 A gestora da Área de Atenção Clínica ao Recém-Nascido do IFF/Fiocruz, Karla Pontes, moderou o evento (Foto: Bruno Guimarães) 

Ao final da programação voltada aos profissionais de saúde, foi iniciado um encontro especial para as mães de recém-nascidos pré-termo, com atividades como a dinâmica “Peitão Quente”, conduzida por residentes de Enfermagem Neonatal e do Banco de Leite Humano, a palestra “Percurso singular do prematuro: onde cuidado e direito caminham juntos”, com a assistente social Izabela Jesus, além da exibição de vídeos com mensagens de mães de prematuros, a dinâmica “Cartas ao Bebê” e um momento de confraternização com música e bolo comemorativo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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