IFF/Fiocruz realiza III Simpósio de Farmácia Clínica com foco no futuro da profissão

 

O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, no dia 24 de setembro, o III Simpósio de Farmácia Clínica em Pediatria, Neonatologia e Saúde da Mulher. O evento reuniu especialistas e profissionais da área para debater temas atuais e estratégicos, como o conceito de Farmacêutico 5.0 e o uso da inteligência artificial na prática clínica farmacêutica.

A mesa de abertura contou com a presença do diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Flávio Meirelles, do gestor da Farmácia do Instituto, André Pinto, da diretora da Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica, Ana Paula Queiroz, da vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF/RJ), Luzimar Gualter, e da presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde (SBRAFH), Maely Retto.

André Pinto aproveitou a oportunidade para enaltecer o emprenho das diversas áreas do Instituto que apoiaram a realização do Simpósio de Farmácia: “Gostaria de agradecer ao Núcleo de Comunicação, à Direção do Instituto, à Direção de Atenção e de Gestão, pois tiveram papel importante nessa construção.”

O simpósio reforçou o papel estratégico do farmacêutico clínico na promoção da saúde, especialmente em áreas sensíveis como a pediatria, a neonatologia e a saúde da mulher. Os debates abordaram os desafios e oportunidades da profissão diante das transformações tecnológicas, além de destacar práticas inovadoras e experiências exitosas no campo da farmácia clínica.

A mesa de abertura introduziu assuntos inerentes à profissão

Após a mesa de abertura, o simpósio seguiu com uma mesa-redonda que reuniu profissionais de diferentes áreas da saúde, promovendo um diálogo interdisciplinar sobre os desafios e avanços da Farmácia Clínica. Participaram da discussão o chefe do Departamento de Farmácia e Administração Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Raniere Camuzi, o infectologista do IFF/Fiocruz, Márcio Nehab, a enfermeira neonatologista, Marcelle Campos, e a nutricionista do Instituto, Paula Motta.

Em sua apresentação, Raniere Camuzi explicou o conceito de Farmácia 5.0, destacando a importância da personalização no uso da informação: “A indústria 5.0 tem essa necessidade de usar a criatividade humana para personalizar o uso da informação para cada pessoa. Quando a gente vai customizar e fazer essa personalização, também precisa entender mais o comportamento. Por isso, muitos autores dizem que o principal ativo da indústria 5.0 é o comportamento, porque entendendo o comportamento, vamos entender como melhorar o uso dos recursos, sejam eles digitais ou não, para cada pessoa.”

Márcio Nehab, por sua vez, ressaltou o papel do IFF/Fiocruz na formação de profissionais para o Sistema Único de Saúde (SUS): “Essa casa é formadora de multiplicadores para o SUS. O profissional que passa pela farmácia aqui, quando vai trabalhar em outro lugar, sente falta do Fernandes Figueira. É um serviço bacana, é comunhão, é companheirismo, é coleguismo, e é um lugar com ajuste individualizado.”

Em sua fala, a enfermeira Marcelle Campos trouxe à tona os desafios da terapia medicamentosa, especialmente em ambientes de alta complexidade como a UTI Neonatal. “A terapia medicamentosa é uma das mais complexas que temos nas nossas atividades. Começa pela prescrição, passa pela transcrição, pelo preparo, pela administração ao paciente, e no meio do caminho enfrentamos muitas dificuldades. Na UTI Neonatal, trabalhamos com microdoses, o que aumenta o risco de falhas. Os erros de medicação são considerados a fonte mais frequente e evitável de danos ao paciente, podendo ocorrer em diversos momentos do processo assistencial”, afirmou Marcelle.

Paula Motta destacou a importância do Projeto Terapêutico Singular (PTS) como ferramenta para a construção de planos de cuidado personalizados: “Uma ferramenta que usamos e que tem sido construída junto com a equipe, incluindo a farmácia, é o PTS. É um instrumento que temos adotado cada vez mais na clínica, com a participação de toda a equipe na elaboração do plano terapêutico, atualmente voltado para a desospitalização.”

Além disso, Paula também expressou entusiasmo com a programação do simpósio e sua contribuição para a formação profissional. “Quando a Mariana mostrou o cronograma, achei interessante. Chamei até colegas nutricionistas, como forma de nos capacitarmos. Como somos um hospital escola, um dos desafios que enfrentamos é o uso dessas ferramentas. Precisamos ser capacitados. Esses aplicativos de inteligência artificial parecem simples, mas exigem sabedoria para serem usados, especialmente porque estamos formando profissionais”, declarou Paula.

A mesa-redonda reuniu profissionais de diferentes áreas da saúde, promovendo um diálogo interdisciplinar

Após o intervalo, o farmacêutico da Secretaria Estadual de Saúde do Pará, Patrick Souza, e a farmacêutica do Instituto, Diana Graça, abordaram o tema "Aplicação da Inteligência Artificial (IA) na Farmácia Clínica". A palestra foi moderada pela farmacêutica do IFF/Fiocruz, Ana Beatriz Bragança.

Patrick explicou a necessidade de se adaptar as novas tecnologias e utilizar a IA para auxiliar no trabalho e ajudar mais pacientes de forma mais prática. “A gente precisa aprender sobre engenharia de prompt e engenharia de contexto. Já é uma coisa que se fala bastante, mas poucos de vocês já ouviram falar. Tem apresentado resultados superiores na minha prática e, de fato, a gente cria oportunidades usando a tecnologia. O uso da IA facilitar a vida das pessoas, qualifica processos de trabalho e aumenta a segurança dos pacientes”, frisou Patrick.

Em sua participação, Diana Graça trouxe uma contribuição voltada aos profissionais em formação, seguindo a mesma linha de raciocínio de Patrick Souza. Diana incentivou os novos profissionais a explorarem as possibilidades da inteligência artificial como ferramenta prática no ambiente de trabalho:

“Para vocês que estão se formando, façam cursos, criem um caso em que vocês estão na drogaria mesmo. Quer fazer alguma coisa? Usem a IA. Isso vai ajudar muito vocês.”

A fala reforçou a ideia de que, mesmo em contextos mais tradicionais de atuação do farmacêutico, a aplicação de tecnologias emergentes pode transformar a prática clínica, ampliar a capacidade de decisão e qualificar o cuidado ao paciente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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