IFF/Fiocruz celebra Dia do Psicólogo com reflexão sobre o tempo e a subjetividade

 

O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, na quinta-feira (28/8), o encontro “O tempo e suas marcas: a vida em movimento”, em comemoração ao Dia do Psicólogo, celebrado em 27/8. O evento aconteceu no Centro de Estudos Olinto Oliveira, Anfiteatro A, e teve como objetivo promover reflexões sobre os atravessamentos do tempo na constituição da subjetividade, dos corpos e da própria instituição.

Lizete Dickstein e Mariana Setúbal deram um panorama geral na mesa de abertura (Foto: Bruno Guimarães)

A mesa de abertura contou com a presença da chefe de gabinete da Direção do IFF/Fiocruz, Mariana Setúbal, e da psiquiatra e gestora de saúde mental do Instituto, Lizete Dickstein. Em sua fala, Mariana destacou a importância da psicologia na construção de uma sociedade mais justa e na resistência frente aos desafios contemporâneos.

“A profissão de psicólogo é fundamental em todas as esferas da vida, especialmente em instituições como o IFF/Fiocruz. Os profissionais da psicologia são verdadeiros faróis, ajudando a pavimentar caminhos melhores, tanto individualmente quanto coletivamente. Historicamente, os psicólogos e seus conselhos têm desempenhado papel essencial nas lutas pela democracia e por uma sociedade mais igualitária”, afirmou Setúbal.

Lizete Dickstein, por sua vez, compartilhou a trajetória da equipe de Saúde Mental no Instituto e refletiu sobre as transformações que ocorreram ao longo dos anos. Ela relembrou o início da atuação e evolução da área diante das novas demandas hospitalares.

“A saúde mental foi se diversificando e ampliando para acompanhar a expansão do hospital. Hoje, temos psicólogos contratados que realizam um trabalho intenso e primoroso. Em um ambiente hospitalar, o tempo é um dos grandes instrumentos para salvar vidas, mas também é essencial para a escuta, o acolhimento e a sobrevivência da subjetividade”, disse Dickstein.

A questão do mundo digital amplificado e impulsionado, sobretudo após a Covid-19, que trouxe um outro tempo, mais instantâneo, urgente e de adição às telas, também foi um tema abordado pelos palestrantes.

Sob a mediação da psicóloga do IFF/Fiocruz, Juliana Martins Rodrigues, o encontro seguiu com o painel temático “Sistemas e mudanças”, “Cuidados em tempos de espera” e “Tempo, trauma, tempos do trauma”, trazendo perspectivas sobre a articulação dos conceitos de tempo e processos de subjetivação.

A pediatra, psicoterapeuta infanto-juvenil e terapeuta do IFF/Fiocruz, Maria Martha Duque de Moura, abordou a teoria dos sistemas e a dinâmica do tempo nos grupos e instituições. “Os sistemas são conjuntos interligados de elementos, como famílias, grupos de trabalho e instituições. Qualquer movimento em um desses elementos gera repercussões em todo o sistema, que busca um novo equilíbrio. Essa busca constante é dinâmica e revela como o tempo atua na transformação dos vínculos e estruturas”, explicou. 

Na sequência, a psicóloga e chefe de gabinete da Direção do IFF/Fiocruz, Kátia Moss, trouxe reflexões sobre os cuidados em tempos de espera, frisando a sobrecarga vivida por mães cuidadoras no ambiente hospitalar. “Essas mulheres, muitas vezes, desenvolvem habilidades técnicas ao longo dos anos de cuidado, mas não saem daqui com reconhecimento formal. São mulheres negras, periféricas, com baixa escolaridade, que enfrentam solidão e desigualdade. Precisamos pensar em políticas que reconheçam e valorizem esse saber”, afirmou. 

Kátia também ressaltou como o tempo está presente na produção de subjetividade e na própria história institucional. “O tempo nos atravessa, e isso nos convida a refletir sobre nossa trajetória e práticas.”

Na ordem, Juliana Martins Rodrigues, Maria Martha e Kátia Moss abordaram o tema  tempo e subjetividade (Foto: Bruno Guimarães)

Encerrando o ciclo de falas, o psicanalista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Kupermann, trouxe uma abordagem histórica e conceitual sobre o tempo e o trauma na psicanálise. “A filosofia pensa o sujeito como pronto, acabado. Já a psicanálise pensa o sujeito em constituição, em processo. Pensamos desde antes da concepção, o contexto familiar, o ambiente. Destacou  a noção de ‘ambiente facilitador da vida’, como central na estratégia  Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis , que contribui para a política de atenção integral à saúde da criança, valorizando estratégias coletivas de enfrentamento e condução terapêutica.  

Kupermann destacou ainda a importância de compreender o tempo não como linear, mas como experiência subjetiva e afetiva.“O tempo é íntimo, ilusório, e essencial para a escuta clínica. A psicanálise nos convida a pensar o tempo como atravessamento, como espaço de elaboração e transformação.”

O evento reforçou o papel da psicologia como campo estratégico na promoção da saúde integral e no enfrentamento das complexidades humanas, valorizando os acontecimentos e os processos de subjetivação, como elementos centrais na prática clínica e institucional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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