As férias de julho chegaram, e com elas, mudanças na rotina das famílias, principalmente para quem tem crianças em casa. Entre o descanso merecido e os momentos de lazer, é preciso estar atento a cuidados importantes com a saúde, a segurança e o bem-estar físico e emocional de toda a família. Para ajudar neste período, especialistas do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) reuniram orientações sobre temas como doação de leite humano e de sangue, prevenção de acidentes domésticos, uso consciente de telas, interação com animais de estimação, autocuidado de mães cuidadoras e atividades lúdicas que promovem vínculos e reduzem o tempo de exposição às telas.
Doação de Leite Humano: Um gesto humanitário que alimenta esperança
Com a queda nas doações, os estoques dos bancos de leite sofrem impacto, colocando em risco o atendimento a bebês prematuros internados. A coordenadora do Centro de Referência Nacional para Rede de Bancos de Leite Humano do IFF/Fiocruz, Danielle Aparecida da Silva, faz um alerta: “Só como exemplo, no ano passado tínhamos 168 doadoras nesta mesma época. Este ano, alcançamos apenas 120”.
Segundo Danielle, a escassez de leite humano afeta diretamente o tratamento dos recém-nascidos mais frágeis, principalmente durante o inverno, quando há aumento de internações por doenças respiratórias. Ela reforça a importância de manter o apoio contínuo à amamentação e à doação: “Se você está amamentando e tem dúvidas, ou se deseja se tornar uma doadora, entre em contato com a nossa equipe. Estamos prontos para orientar e apoiar”. Para doar, basta acessar o site www.rblh.fiocruz.br ou ligar para os telefones: 0800 026 8877 / (21) 2554-1703 / WhatsApp: (21) 98508-6576.
Doação de sangue: um gesto essencial também nas férias
Assim como ocorre com o leite humano, a doação de sangue costuma registrar queda significativa durante o mês de julho (clique aqui e assista ao vídeo). A gestora da Hemoterapia do IFF/Fiocruz, Cristina Pessoa, explica que nas férias o movimento no Hemorio cai cerca de 30%, o que compromete cirurgias agendadas e o atendimento de emergências.
“Mesmo com a queda nas doações, as necessidades continuam as mesmas. Isso torna muito difícil atender plenamente os pacientes. Por isso, é importante que as pessoas se mobilizem”, destaca Cristina. Ela lembra que todos entre 18 e 60 anos, em boas condições de saúde, podem doar. “Não espere alguém da sua família precisar para doar. Todo mundo é parente de alguém. Sempre há alguém precisando de transfusão.” As doações podem ser feitas no Hemorio, na Rua Frei Caneca, 8 – Centro, Rio de Janeiro. Mais informações estão disponíveis em www.hemorio.rj.gov.br.
Férias em casa exigem atenção com acidentes domésticos
Com mais tempo em casa e fora da rotina das creches e escolas, as férias também representam um aumento no risco de acidentes domésticos, especialmente entre crianças menores de cinco anos. A endoscopista pediátrica do IFF/Fiocruz, Paula Peruzzi, chama atenção para os perigos da ingestão acidental de corpos estranhos. “Objetos pequenos, como baterias e peças pontiagudas, podem ser colocados na boca e causar complicações graves se forem engolidos. Baterias, por exemplo, podem provocar lesões severas no esôfago”, explica.
Outro risco frequente são os produtos de limpeza, como detergentes e substâncias cáusticas ou corrosivas. “Muitas vezes, esses produtos são diluídos e armazenados em garrafas de refrigerante, o que confunde as crianças. Infelizmente, esse tipo de acidente ainda é comum nos pacientes do Instituto”, conta.
Para evitar acidentes, Paula recomenda proteger controles remotos (de onde crianças costumam tirar baterias), manter produtos de limpeza fora do alcance e nunca reutilizar garrafas de bebidas para armazenar substâncias perigosas. Em caso de ingestão acidental, é fundamental procurar imediatamente um serviço de emergência e jamais induzir o vômito ou oferecer alimentos ou substâncias para neutralizar o produto ingerido. Peruzzi também recomenda o uso do serviço Disque-Intoxicação, da Anvisa, pelo número 0800 722 6001, que oferece orientações gratuitas em casos de intoxicação.
Uso de telas: equilíbrio é a chave para uma infância saudável
Durante as férias, com mais tempo livre e muitas vezes sem a presença constante dos adultos, as crianças acabam expostas por mais tempo às telas de celulares, tablets e televisores. A pesquisadora do IFF/Fiocruz, Suely Deslandes, ressalta que é preciso atenção e equilíbrio nesse consumo. “Crianças de até um ano não devem usar telas. Entre dois e cinco anos, o recomendado é até uma hora por dia, sempre com supervisão”, explica.
O uso excessivo de telas, segundo a pesquisadora, pode gerar atrasos no desenvolvimento da linguagem, na capacidade emocional e na interação social. “Muitas famílias dizem ‘ele fica tão calminho’ ou ‘olha como é esperto, já troca a tela com o dedinho’. Mas essas mídias são projetadas exatamente para capturar a atenção. Isso reduz o contato com o mundo real, com outras crianças, com o brincar livre”, aponta.
Suely reforça que o mais importante é que os adultos participem ativamente do tempo de tela. “Assista junto, converse sobre o que está sendo visto. O adulto precisa ser modelo: se quer que a criança não use o celular na hora das refeições, também deve guardar o seu aparelho. Estabelecer regras desde cedo é essencial para evitar conflitos na adolescência”, conclui.
Cães e crianças: interação que fortalece vínculos
Os animais de estimação, especialmente os cães, podem ser grandes aliados para um recesso mais ativo e afetivo. A coordenadora do Núcleo Saúde e Brincar do IFF/Fiocruz, Roberta Tanabe, destaca os benefícios dessa convivência. “Além de trazer alegria, os pets incentivam o movimento, o afeto e a responsabilidade”, diz.
Brincadeiras como jogar a bolinha, passeios curtos ao ar livre e os cuidados com alimentação e higiene do animal estimulam a empatia e ajudam a desenvolver o senso de responsabilidade. “As crianças aprendem a respeitar o espaço e os sentimentos do outro. Isso contribui para o desenvolvimento emocional e social e pode até reduzir sintomas de ansiedade”, explica Roberta. Para uma convivência segura, ela recomenda supervisão constante, atenção à vacinação dos animais e incentivo à higiene das mãos após as brincadeiras.
Mães cuidadoras também precisam de cuidado
O recesso escolar pode significar sobrecarga para muitas mulheres, que acumulam o cuidado dos filhos com tarefas domésticas e, em muitos casos, o trabalho. A gestora do Projeto Novos Caminhos, Sanny Gabeira, convida as mães a reservarem momentos para si mesmas, mesmo em meio à correria: “Autocuidado não é luxo, é necessidade. Atividades manuais, como bordar, costurar ou pintar, ajudam a relaxar, organizar os pensamentos e reconectar-se com o próprio corpo”.
Ela defende que o artesanato é também uma forma de expressão criativa e pode ser vivido em família. “Convide os filhos para participar. O importante não é o resultado, e sim o tempo de qualidade e afeto compartilhado. Você merece esse momento de respiro, porque cuidar de si é cuidar melhor do outro”, completa.
Brincadeiras e leitura: momentos que alimentam a imaginação
Para tornar as férias mais ricas em afeto, criatividade e conexão familiar, a leitura e o brincar são excelentes caminhos. A coordenadora do Núcleo de Apoio a Projetos Educacionais e Culturais (Napec) do IFF/Fiocruz, Magdalena Oliveira, lembra que os livros abrem portas para novos mundos. “Eles trazem fantasia, imaginação, cultura. Depois da leitura, podemos propor desenhos, montar personagens com sucata, dramatizar as histórias. As possibilidades são infinitas”, afirma.
Ela também defende o resgate das brincadeiras tradicionais e intergeracionais como forma de fortalecer os vínculos. “Que tal ensinar para as crianças o jogo da velha, a adedonha ou outras brincadeiras da sua infância? Isso aproxima gerações, cria memórias afetivas e reduz naturalmente o tempo de tela”, sugere. Para Magdalena, o mais importante é oferecer tempo de presença e convivência.
Aproveite as férias de inverno com saúde, cuidado e afeto







