Pesquisadores do IFF/Fiocruz recebem Prêmio Fernandes Figueira da Academia Nacional de Medicina por trabalho científico pediátrico sobre Zika vírus

 

Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) foram homenageados com o Prêmio Fernandes Figueira, concedido pela Academia Nacional de Medicina (ANM), pelo estudo científico pediátrico intitulado “Neurodesenvolvimento de Crianças Nascidas de Mães com Infecção Assintomática pelo Vírus Zika durante a Gravidez na Pandemia 2015-2017: Estudo de Coorte”. A cerimônia de premiação foi realizada na última segunda-feira (30/6), na sede da Academia, no Centro do Rio de Janeiro, durante as comemorações pelos 196 anos da instituição.

O estudo premiado se destaca por abordar um tema de grande relevância na área da saúde materno-infantil: o impacto da infecção assintomática pelo vírus Zika durante a gestação. Em um período marcado pela atenção aos casos mais graves da doença, os pesquisadores se dedicaram a investigar se a exposição silenciosa ao vírus também poderia afetar o desenvolvimento neurológico das crianças.

Profissionais do IFF/Fiocruz foram homenageados nas festividades de 196 anos da Academia

Os autores e coautores do IFF/Fiocruz contemplados foram: Maria Elisabeth Lopes Moreira, Maria da Conceição Borges Lopes, Karin Nielsen Saines, José Augusto Alves de Britto, Ana Carolina Carioca da Costa, Leonardo Henrique Ferreira Gomes, Letícia Cunha Guida, Amanda Torrentes de Carvalho, Luma da Cruz Moura, Adriana de Souza Azevedo Soares, Nathalia dos Santos Alves, Waleska Dias Schwarcz, Zilton Farias Meira de Vasconcelos e Patrícia Brasil.

Maria da Conceição, Maria Elisabeth e José Augusto receberam placa simbólica

A tese de doutorado que serviu de base para o artigo foi desenvolvida pela farmacêutica Maria da Conceição Borges Lopes. Ela repartiu os méritos da conquista e reforçou o papel das políticas públicas. “Receber o Prêmio é, acima de tudo, um reconhecimento coletivo. Este trabalho não seria possível sem a dedicação e o talento dos colegas coautores, com quem tive a honra de dividir essa jornada científica. Os resultados reforçam a importância do acompanhamento longitudinal dessas crianças e da construção de políticas públicas inclusivas e duradouras”, explicou Conceição, acrescentando: “Esse prêmio ilumina trajetórias que muitas vezes passam despercebidas. Que ele sirva de impulso para que mais histórias como essas sejam contadas, ouvidas e transformadas em ação”.

Neonatologista e pesquisadora do IFF/Fiocruz, Maria Elisabeth Lopes Moreira é a autora do artigo e enalteceu o esforço realizado para conclusão do trabalho em um momento marcante da história do vírus no Brasil: “Foi emocionante ter esse reconhecimento justo em um prêmio Fernandes Figueira. Muito bom ver nossa equipe recompensada no ano em que a pandemia completa 10 anos”.

O pediatra José Augusto Alves de Britto, diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO) e um dos coautores do artigo premiado, celebrou a conquista com entusiasmo. “Receber esse reconhecimento é motivo de imensa alegria. Ele tem um significado ainda mais especial neste ano em que se completam dez anos da epidemia causada por esse vírus no Brasil. A premiação reforça a importância de seguirmos investigando o tema, para oferecer respostas e apoio às crianças afetadas de forma tão trágica. É um compromisso renovado com a saúde e a qualidade de vida dessas crianças e de suas famílias”, afirmou.

Antônio Meirelles (direita) com José Augusto e Maria Elisabeth Lopes Moreira

O diretor do IFF/Fiocruz, Antônio Meirelles, participou da cerimônia comemorativa de aniversário da Academia Nacional de Medicina, ocasião em que profissionais da instituição foram homenageados. Meirelles destacou a importância do reconhecimento e celebrou a conquista em nome de toda a equipe.

“Recebemos essa premiação com grande emoção e muito orgulho. Trata-se de uma homenagem que honra não apenas os profissionais diretamente envolvidos, mas todo o nosso Instituto e a Fiocruz como um todo”, afirmou. “É um reconhecimento diferenciado, concedido em uma solenidade tão significativa como o aniversário da Academia Nacional de Medicina. Por isso, quero compartilhar essa conquista com toda a nossa comunidade e, mais uma vez, parabenizar os autores pelo mérito.”

A conquista reforça o protagonismo do IFF/Fiocruz na produção de conhecimento científico voltado à saúde pública e à promoção da equidade no cuidado materno-infantil. Em um cenário desafiador para a ciência brasileira, iniciativas como essa evidenciam a importância da pesquisa comprometida com o impacto social e a transformação da realidade de populações vulneráveis.

Além do Prêmio Fernandes Figueira, a cerimônia também reconheceu outros dois trabalhos científicos de outras instituições: o Prêmio Academia Nacional de Medicina foi concedido ao estudo “Análise do Perfil Proteômico Tecidual de Tumores Uroteliais de Bexiga Não Músculo-Invasivo na População Brasileira”, enquanto o Prêmio Presidente Joaquim Pinto Portella destacou a pesquisa “Espasmo Hemifacial: Fundamentos Morfológicos e Implicações Clínicas”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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