Setembro Amarelo: IFF/Fiocruz destaca atenção à saúde mental de mulheres no pós-parto e na menopausa


O Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, é também um convite para olhar com atenção para momentos específicos da vida das mulheres em que a saúde mental pode estar mais vulnerável: o pós-parto e a menopausa. Mudanças hormonais intensas, somadas a desafios emocionais e sociais, podem aumentar o risco de depressão e, em casos graves, de comportamento suicida. Para abordar o tema, especialistas do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) foram consultados.

Menopausa e saúde mental: risco ampliado para quem já enfrentou transtornos

Segundo o psiquiatra da Saúde Mental do IFF/Fiocruz, André Veras, a transição para menopausa é marcada pela instabilidade na produção dos hormônios femininos, o que repercute em todo o organismo, inclusive no sistema nervoso. Essa oscilação pode desencadear ou intensificar sintomas de ansiedade e depressão, sobretudo em mulheres que já tiveram histórico desses transtornos.

“A transição para menopausa e pós-menopausa não aumenta o risco para todas, mas mulheres que já enfrentaram depressão ou ansiedade podem ter uma recorrência ou intensificação dos sintomas nesse período”, explica Andrés Veras.

O psiquiatra ainda alerta que, quando os sintomas se agravam, pode haver também ideação suicida. Para prevenir, destaca a importância de que médicos de família e ginecologistas investiguem a história de saúde mental das pacientes e mantenham um acompanhamento próximo. “É essencial abrir um canal de diálogo, pois muitas vezes as demandas de saúde mental não são bem acolhidas nas consultas”, ressalta Veras.

Pós-parto: da tristeza materna à depressão que ameaça vidas

No pós-parto, as mudanças hormonais e a transformações física e emocional colocam a mulher diante de um momento de grande sensibilidade e labilidade emocional. De acordo com a pediatra, psicoterapeuta infanto juvenil e terapeuta de família da Área de Atenção à Gestante do IFF/Fiocruz, Maria Martha Duque de Moura, é natural que muitas mulheres vivam a chamada tristeza materna. Mas é preciso diferenciar quando o quadro se transforma em algo mais grave.

“As características e intensidade dessa tristeza vão diferenciá-la da depressão materna, quando a mulher perde sua possibilidade de cuidar de si e do bebê”, afirma. A especialista lembra que, se não for identificada e tratada, a depressão pós-parto pode ameaçar a vida da mãe e da criança. O seu diagnóstico e a capacidade do entorno familiar de atuar quando a mãe  não estiver disponível para os cuidados do bebê determinarão a repercussão da depressão materna para o desenvolvimento emocional da criança.

No Instituto, são aplicadas escalas de rastreio de depressão pós-parto na consulta de revisão obstétrica. Puérperas que apresentam sinais de alerta são encaminhadas para avaliação em saúde mental e, quando necessário, recebem acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Você não está sozinha(o): ligue 188 ou acesse cvv.org.br para apoio gratuito e sigiloso


Acompanhamento psicológico como prevenção

A psicóloga da Área de Atenção Clínico-cirúrgica à Gestante do IFF/Fiocruz, Daniela Tavares Costa, ressalta que o acompanhamento psicológico é fundamental desde a gestação para prevenir quadros graves no pós-parto.

“A psicologia trabalha com a escuta qualificada, promove a prevenção em saúde mental e fortalece a vinculação mãe-pai-bebê. Esse suporte ajuda a mulher a enfrentar as mudanças fisiológicas, emocionais e sociais com mais equilíbrio”, explica.

Daniela Tavares frisa ainda o papel crucial da rede de apoio. “Quando a mulher se sente amparada por familiares e pelo parceiro, enfrenta as oscilações emocionais com mais equilíbrio. Já a falta de apoio aumenta a vulnerabilidade, podendo levar a estresse, ansiedade e depressão”.

Conscientizar para prevenir

Os especialistas são unânimes: tanto na transição para menopausa e pós-menopausa quanto no pós-parto, a informação, o acolhimento e o acompanhamento profissional podem fazer a diferença entre um processo de adaptação saudável e o agravamento de sintomas que colocam vidas em risco.

Neste Setembro Amarelo, a mensagem é clara: olhar para a saúde mental das mulheres nesses períodos críticos é também uma forma de prevenir o suicídio. O apoio adequado ajuda a mulher a atravessar esses momentos de forma mais saudável.