IFF realizou, entre os dias 23 e 25/3, o curso Avaliação da Função Pulmonar: do nascimento à adolescência, que teve como palestrante externo o imunoalergista português Luís Miguel Barroso 

Irene Kalil

 O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou, entre os dias 23 e 25/3, o curso Avaliação da Função Pulmonar: do nascimento à adolescência, organizado em parceria com o diretor do grupo Perinatal e docente do Programa de Pós-graduação em Pesquisa Aplicada à Saúde da Criança e da Mulher da unidade, José Maria de Andrade Lopes. O curso teve como palestrante externo o português Luís Miguel Barroso, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e médico do Centro de Imunoalergia do Hospital CUF Descobertas de Lisboa, convidado pela fisioterapeuta e coordenadora do Serviço de Prova de Função Respiratória do Instituto, Sandra Lisboa.

 Na primeira manhã do evento, foram abordados aspectos relativos à função pulmonar do recém-nascido, um dos segmentos atendidos pelo Instituto e no qual ele é referência nacional. O coordenador da Área de Atenção Clínica ao Recém-Nascido da unidade, José Roberto Moraes Ramos, relatou o histórico da assistência intensiva neonatal no Brasil e no mundo, enfatizando a importância de inibir ao máximo o trabalho de parto antes de 28 semanas de gestação e da utilização da corticoterapia antenatal (uso de corticoides por via intramuscular na grávida com risco para parto prematuro) no aumento significativo da sobrevida dos bebês menores de 1000g. Ramos destacou, ainda, a relevância da Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais , criada em 1999, no conhecimento e na melhoria do panorama da atenção neonatal no país.

Em seguida, o médico português Luís Miguel Borrego apresentou os princípios e procedimentos para realização da prova de função pulmonar em lactentes. Borrego considera que ela se mostra fundamental para ajudar a identificar qualquer disfunção pulmonar que a criança pequena possa apresentar e que a predisponha a desenvolver alguma doença pulmonar crônica no futuro. Embora o imunoalergista reconheça que, devido às grandes variações observadas nos padrões do exame (tanto exames realizados, em diferentes momentos, no mesmo indivíduo, quanto exames realizados em diferentes indivíduos), este não possa ser utilizado para obter o diagnóstico preciso de determinada patologia, ele é considerado necessário para o acompanhamento individual da criança, bem como para contribuir para o diagnóstico e intervenções terapêuticas precoces.

Finalizando o módulo referente ao cuidado ao recém-nascido, o médico José Maria de Andrade Lopes falou sobre a fisiologia da respiração de crianças nessa faixa etária, ressaltando a vulnerabilidade do seu sistema respiratório, decorrente, inclusive, da extrema sensibilidade do recém-nascido aos mínimos reflexos periféricos. Lopes também abordou a contribuição do uso do CPAP (Continuous positive airway pressure), máquina que se utiliza de pressão positiva constante para manter um nível de pressão positiva contínua nas vias aéreas de um paciente que respira espontaneamente. Por meio de uma máscara facial, o CPAP é, segundo o neonatologista, uma das tecnologias de maior impacto na sobrevida de recém-nascidos internados em unidades de terapia intensiva, substituindo, na maioria dos casos, o uso da ventilação mecânica.

Ao longo de três dias, foram discutidos, ainda, temas como o exame de espirometria em pré-escolares (seus fundamentos, aplicações e execução técnica) e a pletismografia pré-escolar com e sem oclusão, além de serem realizados grupos de trabalho, relatório e interpretação de casos e avaliação escrita individual. O curso teve gestão técnico-financeira da fisioterapeuta do IFF Aniele Medeiros Costa.