IFF/Fiocruz realiza curso de capacitação multiprofissional

O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), realizou, nos dias 3, 4 e 5/7, o primeiro curso de capacitação multiprofissional para profissionais das áreas de fisioterapia neurofuncional, fonoaudiologia e terapia ocupacional, inseridos em programas de estimulação precoce na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) ou em locais conveniados. Esse primeiro curso teve a participação de profissionais que atendem em Belford Roxo, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, crianças com condições crônicas complexas e alterações do desenvolvimento neurosensóriomotor.

Por ser credenciado como hospital de ensino pelo Ministério da Saúde (MS) e integrar a rede de atendimento a crianças com história de malformação congênita desde o período gestacional, o IFF/Fiocruz criou a Escola de Saúde, se consolidando na formação e qualificação dos trabalhadores de saúde, descentralizando as atividades e reforçando o seu compromisso de contribuir, através da capacitação profissional, na melhoraria do acesso aos serviços, para que as crianças tenham atendimento qualificado próximo de suas moradias.
O fisioterapeuta da Escola Municipal De Educação Especial Albert Sabin Alexandre Castellar, comentou que, em Belford Roxo, o surto de Zika vírus foi forte e muitas mulheres grávidas foram contaminadas. Consequentemente, as crianças nasceram com a Síndrome Congênita do Zika Vírus (síndrome da zika), que pode ocasionar vários problemas, como auditivos, de visão e locomoção, microcefalia e malformação do cérebro, que requerem atenção e cuidados para reduzir seus efeitos. Por isso, para ele, os profissionais do Albert Sabin precisam estar capacitados, para fazerem um trabalho semelhante ao realizado no IFF/Fiocruz e, assim, as crianças terem um bom desenvolvimento e qualidade de vida. “A grande maioria das crianças que atendemos com Zika vírus nasceram no IFF/Fiocruz, mas para o tratamento de reabilitação não conseguem dar continuidade no Instituto por conta do deslocamento de 45km. Então, resolvemos iniciar um trabalho, para que possamos acompanhar a mãe e a criança. A equipe está cada vez mais multidisciplinar, com uma união de procedimentos na atuação da criança especial, e estamos aqui para ver, aprender e aplicar”, alegou ele.


Aula prática no ambulatório de fisioterapia motora

Desde 2014, a equipe de fisioterapia motora do Instituto realiza ações de diferentes frentes para divulgação, conscientização e capacitação de profissionais na Estimulação Precoce para crianças, como o curso de capacitação em fisioterapia neurofuncional para profissionais do Programa Melhor em Casa do Rio de Janeiro e a participação em cursos da Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis (EBBS/IFF/Fiocruz). Outra ação importante foi o curso de capacitação para fisioterapeutas da Baixada Litorânea do Rio de Janeiro, onde foram capacitados 16 profissionais. “Devido ao bom resultado que tivemos neste curso anterior, pensamos em ampliar o enfoque do cuidado incorporando outras especialidades terapêuticas envolvidas na estimulação precoce”, ressaltou a coordenadora técnica de fisioterapia motora do IFF/Fiocruz, Carla Trevisan M. Ribeiro.

Assim, a primeira articulação de capacitação multiprofissional foi a construção do Ensino a Distância (EAD) sobre Estimulação Precoce, que está em fase de aprovação final pelo MS. Além disso, com a epidemia do Zika vírus, foi elaborado um plano de enfrentamento a ele e ao STORCH, sigla formada por um grupo de doenças infecciosas que acometem o recém-nascido (sífilis congênita, toxoplasmose congênita, rubéola congênita, citomegalovirose congênita e herpes simples congênito), o que desencadeou no desenvolvimento de ações multidisciplinares, juntamente com as especialidades de terapia ocupacional e fonoaudiologia.

Visando a integração de conhecimentos técnico-científicos e de gestão para a melhoria da saúde e qualidade de vida, o curso capacitou os profissionais para a assistência e elaboração de programas de tratamento no âmbito ambulatorial, além de promover treinamentos para avaliação, reavaliação e indicação de tratamento de fisioterapia neurofuncional, Fonoaudiologia,e terapia ocupacioal. A programação, com duração de 30 horas, abordou vários temas, entre eles o desenvolvimento neurosensóriomotor, o Cuidado centrado na família e a Avaliação funcional de crianças, utilizando a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Essa Classificação, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), vem sendo implementada no Instituto para analisar as diversas manifestações de uma doença, como dificuldades no desempenho de atividades cotidianas e desvantagens na interação do indivíduo na sociedade, e desenvolver o raciocínio clínico para as condutas de tratamento.

De acordo com Carla Trevisan, a partir do conhecimento das etapas de desenvolvimento normal é possível detectar precocemente alterações, uma vez que a criança, mediante sua idade cronológica, apresente movimentação atípica, persistência de reflexos primitivos, falta de aquisição dos marcos motores ou prejuízo na interação com os outros e com o meio. "As crianças crescem e se desenvolvem em ritmos diferentes, e muitas não se encaixam exatamente na descrição de uma determinada idade. Além dos marcos motores, é importante observar a interação da criança com o ambiente, suas brincadeiras, suas formas de se alimentar e sua linguagem, a fim de identificar precocemente sinais de risco", informou ela.

Segundo a coordenadora técnica de terapia ocupacional do IFF/Fiocruz, Natália Anachoreta Molleri, houve uma mudança na orientação dos serviços de saúde, de um modelo centrado no profissional para um modelo colaborativo, que reconhece o envolvimento da família como central para o cuidado de seus filhos. Natália destacou que o bebê aprende com as experiências que moldam o cérebro, com o acolhimento e proteção contra estímulos tóxicos e com o jogo de ação e reação com os cuidadores. Nesse contexto, o papel dos terapeutas é fundamental para ajudar as crianças e as famílias a compreenderem a centralidade de algumas ocupações mundanas, importantes para as tarefas do dia a dia e a vida em sociedade, além de auxiliar no desenvolvimento. Natália abordou também a importância do brincar para o desenvolvimento infantil. "O brincar facilita o crescimento e a saúde, contribui nos relacionamentos grupais e pode ser uma forma de comunicação terapêutica”, explicou ela.”.

Para a coordenadora do ambulatório de fonoaudiologia de linguagem do IFF/Fiocruz, Maria Luciana de Siqueira Mayrink, um dos pontos cruciais do curso é poder contar com todos os colaboradores das áreas envolvidas no processo de capacitação. ”Se não fosse o engajamento de todos os profissionais das equipes de fisioterapia motora, fonoaudiologia e terapia ocupacional não seria possível realizarmos esse trabalho, pois tanto a parte teórica quanto a prática foi dividida, não ficando só sobre a responsabilidade das coordenações técnicas”, ressaltou ela.


Profissionais e residentes do IFF/Fiocruz reunidos com os alunos do curso

Sobre a importância de cursos como esse, a coordenadora técnica de fonoaudiologia hospitalar do IFF/Fiocruz, Carolina Muzzio afirmou que a troca é necessária para todos se sentirem multiplicadores. “Precisamos dar mais visibilidade para essas ações de capacitação, que estão diretamente ligadas a missão institucional, para estimular a participação de mais serviços e especialidades. Nossos profissionais têm uma expertise que precisa ser repassada”, avaliou ela.

Ao final, a fisioterapeuta e diretora da equipe de reabilitação da Escola Municipal De Educação Especial Albert Sabin Lidiane Sagawe, garantiu que o curso irá acrescentar bastante ao seu trabalho, por trazer uma metodologia diferente, uma visão especifica da neuropediatria. “A interação e troca de experiências entre a equipe do Albert Sabin e os profissionais e residentes do IFF/Focruz foi muito grande, pudemos colocar em prática o que foi aprendido na parte teórica, e foi bem interessante, pois tivemos contato com os pacientes daqui. Unificar a metodologia é essencial, esclareci todas as minhas dúvidas e saio daqui ainda mais motivada”, concluiu ela.


Lidiane Sagawe realiza avaliação no ambulatório de fisioterapia motora

 


Responsáveis pelo encontro, as coordenadoras de fisioterapia motora, fonoaudiologia
(hospitalar e de linguagem) e terapia ocupacional do IFF/Fiocruz celebram o sucesso do curso

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