Covid-19: Pesquisadora do IFF/Fiocruz recebe prêmio em congresso internacional

O estudo “Análise Clínico Histopatológica de Placentas Positivas Para Covid-19” da pesquisadora da Anatomia Patológica do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Elyzabeth Avvad Portari, ficou em 1º lugar no XX Congresso da Sociedade Latino-americana de Patologia Pediátrica (SLAPPE), realizado em novembro, de forma on-line. O Congresso, que é realizado a cada 2 anos e reúne pesquisadores da América Central e América do Sul, mas também de outros países, como Estados Unidos, Inglaterra e Espanha, divulgou a premiação na segunda-feira, dia 13/12. “É uma honra, foi o reconhecimento de uma trajetória de 28 anos”, comemora a pesquisadora.

Elyzabeth conta que o trabalho teve a colaboração de todo o departamento de Anatomia Patológica do Instituto e envolveu estudo histopatológico e de biologia molecular para analisar placentas com Covid-19, PCR positivas. “Conseguimos fazer PCR em tecido placentário fresco e parafinado (bloco) graças a tecnologia de biologia molecular (BDMax), que o nosso setor incorporou em fevereiro de 2020, justamente 1 mês antes da pandemia ser decretada, o que nos possibilita realizar estudos de pesquisa e assistência aos diagnósticos dos usuários e trabalhadores do Instituto, em parceria com o Laboratório de Alta Complexidade do IFF/Fiocruz (LACIFF)”.


Elyzabeth Avvad Portari e Marcelo Aranha Gardel no Laboratório de Patologia Molecular
onde são realizadas as técnicas de PCR das amostras de Covid-19 dos usuários,
trabalhadores e pesquisa do Instituto


A aquisição da tecnologia foi fundamental para correlacionar os achados histopatológicos nas placentas com e sem partículas virais detectadas pela técnica de qRT-PCR. “O estudo mostra que as placentas PCR positivas, ou seja, que têm partícula viral no tecido placentário no momento do exame, têm muito mais alterações inflamatórias e circulatórias (alterações de hipoperfusão vascular fetal e materna), do que as placentas de mães infectadas por Covid-19, mas que não têm o vírus detectado na placenta”, explica a pesquisadora, que informa que as placentas de Covid-19 envolvidas nesse estudo são provenientes de maternidades públicas e privadas do Rio de Janeiro.


Elyzabeth Avvad Portari realiza a análise microscópica das placentas de
pacientes infectadas por Covid-19 na gestação


Adesão às novas tecnologias e aplicações

Desde 2015, a Anatomia Patológica do IFF/Fiocruz tem como uma de suas prioridades o investimento em tecnologia e a adesão de novas técnicas diagnósticas. “A participação e premiação da Elyzabeth no XX Congresso da SLAPPE é importante para ela, enquanto pesquisadora, e para o departamento, pois é uma representatividade no cenário internacional, e isso traz benefícios para o Instituto em relação à visibilidade, possíveis investimentos e parcerias para a continuidade e crescimento do nosso trabalho. Nossa proposta é de consolidar a Anatomia Patológica e mantê-la atualizada e condizente com o IFF/Fiocruz, que é um Instituto Nacional”, comenta Marcelo Aranha Gardel, gestor da Anatomia Patológica do IFF/Fiocruz junto à Cecília Viana de Andrade.

Sobre o investimento do setor em técnicas avançadas para ter mais segurança, respaldo e eficácia no diagnóstico, Marcelo observa. “A epidemia de Zika e a pandemia de Covid-19 foram oportunidades que soubemos aproveitar, com aquisição de novas tecnologias que permitiram importante desenvolvimento e aprimoramento da pesquisa e qualidade diagnóstica. Por exemplo, as técnicas de imuno-histoquímica e molecular permitem identificar o agente etiológico infeccioso específico das doenças. Isso para o patologista é de suma importância, assim como para o médico assistente e o paciente”.

“As informações obtidas pela aplicação dessas tecnologias proporcionam maior qualidade de informações que auxiliam os nossos trabalhos científicos, palestras e aulas em Congressos nacionais e internacionais, bem como na formação de novos profissionais residentes com especialização na área da patologia feto-placentária. Além disso, os diagnósticos histopatológicos com maior precisão dos resultados contribuem para um serviço de qualidade para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para a comunidade científica”, afirma Elyzabeth. “Agora estamos colhendo os frutos desses avanços, com convites para parcerias que vêm sendo firmadas, além de participação da pesquisadora no próximo Congresso Mundial de Patologia Pediátrica, em Sydney, na Austrália, representando o Brasil em nome do Instituto e da Sociedade Latino-americana de Patologia Pediátrica (SLAPPE)”, completa Marcelo.

Ideia de futuro

Ao avaliar a atuação do departamento, Marcelo declara. “Somos reconhecidos nacional e internacionalmente pela nossa experiência na área da patologia feto-placentária e a pesquisadora Elyzabeth é referência nesse segmento na Sociedade Brasileira de Patologia. Futuramente, almejamos ser um centro de referência em Patologia feto-placentária e ginecológica”. Nesse contexto, Marcelo ressalta o trabalho em equipe. “Agradeço aos colegas, incluindo os profissionais administrativos e técnicos que com competência e profissionalismo aplicam os protocolos dando o suporte necessário para a avaliação adequada das amostras com segurança diagnóstica”.

Desde a inauguração do departamento no IFF/Fiocruz, em 1953, por Aparecida Gomes Pinto Garcia, pioneira da patologia pediátrica, o setor possui uma coleção de necrópsias com cerca de 6 mil exames. “Acredito que somos o maior arquivo da América Latina em doenças infecciosas e genéticas. Com esse arquivo histórico iniciado por Aparecida Garcia, a equipe planeja construir um banco de dados e imagem”, adianta Marcelo.

Homenagem à Aparecida Garcia

Elyzabeth entrou no IFF/Fiocruz como residente, em 1993, e trabalhou com Aparecida Garcia durante 6 anos, sendo a última residente dela. “Além de responsável por inaugurar o departamento de Anatomia Patológica do Instituto, Aparecida é considerada a fundadora do 1º Centro de Patologia Especializada em Patologia Placentária-Fetal e Pediátrica do Brasil e na América Latina. Naquela época, as doenças mais prevalentes eram as infecções e Aparecida ficou conhecida mundialmente por descrever algumas alterações típicas de infecções congênitas virais na placenta, em parceria com a Dra. Nadia Gomes da Silva Basso, do setor de Virologia – Patologia Clínica do IFF/Fiocruz, como o sarampo, rubéola e varicela, tendo vários artigos publicados”, conta a pesquisadora.

Após o falecimento de Aparecida, em 1999, Elyzabeth assumiu, em 2002, o cargo de pesquisadora na área de Patologia Feto-Placentária do Instituto. “Desde o início, participei nos eventos da Sociedade Latino-americana de Patologia Pediátrica (SLAPPE) e o meu primeiro trabalho foi em parceria com a Aparecida com relato de caso de óbito materno-fetal em paciente portadora de SIDA com Criptococose congênita disseminada. Desde 2016, sou membro da Comissão Científica da Sociedade Latino-americana de Patologia Pediátrica (SLAPPE). Com a epidemia de Zika no nosso país, fiz a 1ª palestra magna das Sociedades Brasileira de Patologia e SLAPPE abordando as alterações feto-placentárias na Zika com publicações internacionais. Estabelecemos parceria com a Universidade de São Francisco (EUA). Curiosamente, Aparecida Garcia tem mérito reconhecido por suas publicações com descrição das alterações feto-placentárias nas doenças infecciosas, com ênfase nas viroses congênitas, e eu pude prosseguir nessa mesma linha com estudos e produção científica nas infecções materno-fetais por Zika e Covid-19”, analisa Elyzabeth.

Marcelo também lembra de Aparecida com carinho. “Tive a oportunidade de conviver com ela de 1996 a 1999. A Aparecida permanece como referência mundial feto-placentária pela sua expertise no ramo. Ela tinha essa visão de futuro e arquivava os exames de necrópsia com o objetivo de produção científica e desenvolvimento de novas técnicas. Nesse sentido, desde 2015, investimos em novas tecnologias e insumos com o intuito de contribuir com melhores resultados, dando seguimento ao belo trabalho que Aparecida iniciou há 75 anos”.

Serviço

Clique aqui e confira a homenagem de Dora Menezes, uma das companheiras de Aparecida Garcia no Serviço de Patologia do IFF/Fiocruz

Acesse aqui a trajetória de Aparecida Garcia (Fonte: Academia de Medicina de Brasília)

https://www.arca.fiocruz.br/handle/123456789/2/simple-search?filterquery=Garcia%2C+Aparecida+Gomes+Pinto&filtername=author&filtertype=equals

https://www.researchgate.net/scientific-contributions/Aparecida-Gomes-Pinto-Garcia-2065139848

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0143400485800382

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