Menarca e menopausa precoces

Os dois ciclos marcantes na vida de qualquer mulher são: o início da menstruação ou menarca e a última menstruação ou menopausa; esses dois períodos definem o começo e o final da idade fértil. E quando esses dois momentos chegam antes do previsto? Quais são os sintomas e o que isso pode significar para o organismo da mulher? Será que, necessariamente, o corpo da menina já está pronto para reprodução e, no caso da menopausa precoce, como fica o sonho da maternidade? Para esclarecer dúvidas sobre essas duas fases cheias de transformações, vamos conversar com a médica e pesquisadora da Área da Mulher do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) a endocrinologista Lizanka Paola Figueiredo Marinheiro.

A Menarca precoce é quando a primeira menstruação ocorre antes dos oito anos de idade, podendo fazer parte do quadro que chamamos de puberdade precoce, que pode ser dependente de outros hormônios chamados gonadotrofinas que interferem diretamente com os ovários e a produção de óvulos. Estas variantes podem ser completas ou incompletas.

As variantes da puberdade precoce incompleta são três: telarca precoce que é o crescimento dos seios; pubarca precoce, crescimento dos pelos pubianos e a menarca, que é a própria menstruação. “Alguns estudos apontam uma possibilidade do desenvolvimento da menopausa precoce quando existe menarca precoce, face a diminuição mais cedo dos folículos ovarianos. Neste sentido, podemos dizer que existe uma relação da menarca precoce com a menopausa precoce”, explica a médica Lizanka Marinheiro.

É importante dizer que a menarca e puberdade precoces com suas variantes têm tratamentos e devem ser tratadas dependendo individualmente de cada caso, uma vez que, em algumas situações há necessidade de medicamentos e outras, a conduta é observação.

Um dos objetivos do tratamento da puberdade precoce é prevenir a estatura final da criança e observar toda a parte psicológica e sociabilização da mesma. Se existe o aparecimento/desenvolvimento dos seios, pelos pubianos e ou axilares, que podem ser manifestados em uma menina antes dos oito anos de idade, isso deve chamar atenção dos pais para uma orientação com o pediatra, que fará o encaminhamento para uma investigação e, assim evitar a menarca precoce. “Na grande maioria dos casos de puberdade precoce em meninas, cerca de 90%, o distúrbio é considerado idiopático, ou seja, não tem causa definida”, complementa Lizanka.

Já a menopausa precoce, que é o fim permanente da menstruação, ocorre antes dos 40 anos de idade. Ela acontece porque os ovários param de liberar óvulos (ovulação) em intervalos regulares e sua capacidade de produzir hormônios diminui. Algumas mulheres não apresentam sintomas, salvo o fato de não conseguirem engravidar, e outras têm os mesmos sintomas de uma menopausa natural (ondas de calor, irritabilidade, aumento de peso, insônias, redução da libido, estresse e depressão e flacidez pela perda de colágeno).

Em termos hormonais e de sintomatologia, a menopausa precoce se assemelha à menopausa natural. Os ovários produzem muito pouco estrogênio (hormônio sexual mais conhecido em mulheres que menstruam), e o hipoestrogenismo tem como consequência os sintomas. “A ovulação é interrompida impossibilitando a gravidez de forma natural. Nestes casos, a mulher precisa recorrer a métodos de reprodução assistida, caso queira engravidar”, orienta a médica.

“Dosagens hormonais no sangue são capazes de confirmar o diagnóstico e outros exames são feitos para identificar a causa. Diversas medidas para melhorar a qualidade de vida da mulher são recomendadas nesta fase, como estímulo à atividade física e alimentação balanceada, medidas para lidar com stress e dormir melhor. O uso de hormônios, incluindo o estrogênio, fazem parte da terapia hormonal da menopausa e podem aliviar ou reduzir os sintomas”, esclarece Lizanka Marinheiro sobre o diagnóstico e alívio dos sintomas da menopausa precoce.

 

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