Asma: o que você precisa saber

O Dia Nacional de Controle da Asma, celebrado em 21 de junho, visa conscientizar à população sobre as pessoas que lidam com essa doença e informar a respeito da prevenção de crises. A data também coincide com a chegada do inverno, período de temperaturas mais baixas que incidem com o agravamento dos sintomas, além de que as pessoas tendem a permanecer mais tempo em ambientes fechados nessa estação, o que acentua os problemas respiratórias.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a asma é uma das doenças crônicas mais comuns que afeta tanto crianças quanto adultos, acometendo cerca de 300 milhões de pessoas no mundo, das quais aproximadamente 20 milhões estão no Brasil. Por isso, é importante destacar a ação, ainda mais em tempos de pandemia em que as infecções virais geralmente provocam crises nos pacientes asmáticos, sendo necessária a prevenção desses episódios. Nesse contexto, especialistas do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) foram consultadas sobre a doença.


A asma é uma doença que acomete de 10% a 20% da população pediátrica

Conforme explicado pela responsável do serviço de Pneumologia Pediátrica do IFF/Fiocruz, Tania Wrobel Folescu, a asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores, que envolve uma complexa interação entre obstrução ao fluxo aéreo, aumento de sensibilidade nos brônquios e inflamação da mucosa. “É uma doença de maior prevalência na infância, acometendo 10% a 20% da população pediátrica, sendo a quarta causa de internação no Sistema Único de Saúde (SUS)”.

Sintomas

A gestora do serviço de Alergia e Imunologia do IFF/Fiocruz, Sandra Bastos, adverte. “Chiado agudo durante a respiração (sibilos), dificuldades para respirar (dispneia), tosse, cansaço aos esforços, aperto no peito (especialmente em adultos) são sintomas associados à asma. Geralmente pioram à noite ou pela manhã, variam de intensidade ao longo do tempo, são mais frequentes em vigência de infecções virais e são desencadeados por exposição a: alérgenos, exercício, mudanças climáticas, riso, choro ou ainda por irritantes respiratórios, como fumaça ou cheiros fortes”.

Nos casos pediátricos, “dispneia, episódios recorrentes ou persistentes de tosse, chiado no peito, respiração encurtada, entre outros sintomas, podem ser indicativos de asma em crianças, os quais se revertem, total ou parcialmente, espontaneamente ou com o uso de remédios que abrem os brônquios rapidamente (broncodilatadores). Lembrando que as medicações inalatórias, habitualmente utilizadas em asma, diferem parcialmente para a população adulta e pediátrica, e que os pacientes com asma devem ser acompanhados regulamente por um médico que desenvolverá um plano de tratamento individualizado”, aponta Tania Folescu.

Existem outros sinais que durante uma crise de asma podem indicar uma emergência que necessita de atendimento médico imediato, “são eles: lábios com coloração arroxeada, extrema dificuldade de respirar, confusão mental ou sonolência, pulsação rápida e suor excessivo”, detalha Tania.

Classificação
Sobre os graus da doença, Sandra Bastos explica. “A asma subdivide-se em gravidade de acordo com as necessidades terapêuticas e exacerbações para o controle dos sintomas. A gravidade não é uma característica estática, mudando ao longo de meses ou anos”.

 



É importante que pessoas com suspeita de asma visitem um médico para seu diagnóstico

Diagnóstico

Indivíduos com asma apresentam, frequentemente, exame físico normal no período entre as crises. “A anormalidade observada com maior frequência na ausculta pulmonar é a presença de sibilos ao expirar. Tempo expiratório prolongado e tiragem intercostal são outros sinais indicativos de obstrução de vias aéreas inferiores, observados em pacientes com asma não controlada, assim como podem ocorrer sinais de rinite alérgica, com hipertrofia de cornetos e sinais de dermatite atípica”, indica Sandra Bastos.

A espirometria é o exame de função pulmonar recomendado na avaliação dos indivíduos com suspeita de asma. “Além de identificar limitação ao fluxo aéreo expiratório, permite avaliar a sua reversibilidade, sendo essencial para o diagnóstico e acompanhamento. A radiografia simples de tórax também deve ser solicitada na avaliação inicial, especialmente em fumantes, para ter um diagnóstico diferenciado. Hemograma é útil para excluir anemia como causa ou fator agravante de dispneia, entre outros. Quanto a asma alérgica, caraterística mais frequente da doença, pode ser diagnosticada mediante testes cutâneos de leitura imediata (testes de puntura) ou por Imunoglobulina E (IgE) específica no sangue”, acrescenta Sandra.

Fisioterapia

A respeito da reabilitação pulmonar com exercícios físicos, a especialista do Instituto, Sandra Bastos adverte que deve ser feita de forma supervisionada com fisioterapeuta qualificado na área e de acordo com o grau da asma e comprometimento pulmonar, de modo a melhorar o condicionamento, a capacidade do asmático e reduzir os sintomas.

Asma e Covid-19

Tendo em vista que tanto a asma quanto o coronavírus (SARS-CoV-2, causador da Covid-19) afetam o sistema respiratório, Tania Wrobel Folescu comenta que “segundo os estudos mais recentes, a prevalência de asma em pacientes com suspeita de Covid-19 foi similar à da população sem a doença. Até o momento, de acordo com dados disponíveis, não existe evidência de que os pacientes com asma têm um risco maior de infecção pelo SARS-CoV-2”. Porém, “pacientes com asma grave possuem maior risco de complicações relacionadas à Covid-19, por este motivo estão entre os grupos prioritários”, completa Sandra Bastos.

Durante a pandemia da Covid-19, continua sendo fundamental a manutenção do controle da asma. No momento, não existem evidências de que o tratamento de manutenção da asma possa aumentar qualquer risco relacionado ao vírus, incluindo o uso de corticoide inalatório, broncodilatadores e imunobiológicos. “Especialmente no caso de asmáticos graves, sujeitos a piores desfechos clínicos, o tratamento deve ser mantido e individualizado. No entanto, recomenda-se evitar o uso de medicamentos nebulizados, que podem aumentar a dispersão de partículas aéreas e do SARS-CoV-2, dando-se preferência para o uso de inaladores dosimetrados pressurizados com espaçador e inaladores de pó seco”, explica Tania Folescu.

Vacinação

De acordo com o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 do Ministério da Saúde (MS), estão incluídos, no momento, os pacientes com asma grave, pois são usuários com necessidade de uso recorrente de corticoides sistêmicos (orais ou injetáveis) e internação prévia por crise asmática no último ano. “Portadores de asma que se enquadrem neste grupo, o seu médico poderá emitir um laudo atestando asma grave e poderá tomar a vacina”, explica Sandra. É importante ressaltar que estes atestados estão sendo auditados pelos órgãos competentes e o crime de Falsidade de Atestado Médico está previsto no artigo 304 do Código Penal. Porém, o diagnóstico de asma grave é dinâmico, não sendo possível atestar para pacientes que não estão em acompanhamento médico há mais de 12 meses.

O uso das vacinas disponíveis em populações menores de 18 anos já começou em outros países. No Brasil, em 11 de junho de 2021, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o uso da vacina para Covid-19 da Pfizer, a partir de 12 anos de idade. Conforme divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, na sexta-feira (18/6) a vacinação para adolescentes de 12 a 17 anos está prevista para setembro nesse Estado, lembrando que as datas podem ser modificadas caso ocorram atrasos na chegada de doses da vacina.

Como aos poucos algumas restrições vêm sendo flexibilizadas e algumas escolas voltaram a funcionar, para concluir Tania Wrobel Folescu reforça as orientações para os pais e cuidadores sobre a prevenção de contágios da Covid-19 em crianças com asma. “A recomendação continua sendo que as escolas e a sociedade como um todo mantenham as medidas preventivas indicadas desde o início da pandemia. São elas: lavagem das mãos, distanciamento social e uso adequado de máscaras. É importante que todos colaborem com as medidas, para que a taxa de circulação viral e contágio diminuam. As máscaras precisam ser adequadamente colocadas e devem ser trocadas ao longo do dia. Também é importante incentivar os alunos a lavarem as mãos, bem como respeitar o distanciamento social e, se possível, preferir espaços arejados. É fundamental seguir os protocolos com relação a casos de Covid-19, com afastamento e quarentena adequados”.

 

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