Mitos e verdades sobre a vacina contra a Covid-19

Em fevereiro de 2020 o Brasil confirmava o seu primeiro caso de Covid-19. Desde então, ultrapassamos a marca de 15. 586.534 de infectados e mais de 469 mil mortes pelo vírus. Embora a situação ainda seja de alerta. Acende uma luz no fim do túnel: a vacinação. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS) a primeira dose da vacina Covid-19 já chegou a 29,8% da população vacinável no Brasil. São 47,6 milhões de brasileiros vacinados com a primeira dose, dos 160 milhões com perfil vacinável no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as vacinas contra Covid-19 foram testadas em grandes e randomizados ensaios controlados que incluem pessoas de uma ampla faixa etária, ambos os sexos, etnias diferentes e aqueles com condições crônicas. Os imunizantes mostraram um alto nível de eficácia em todas as populações.

Mesmo com tantas informações dos órgãos reguladores de saúde, muitas dúvidas e questionamentos circulam a respeito da vacina, principalmente sobre a sua segurança e eficácia. Para responder os mitos e verdades sobre o imunizante tão esperado por todos, o pediatra e infectologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Marcio Nehab foi convidado.

Quem tomou a vacina da gripe pode tomar a vacina da Covid-19?

Marcio: Sim, porém não é recomendada a aplicação das vacinas simultaneamente, uma vez que não há estudos sobre a administração dos dois imunizantes juntos. Se a data marcada para sua vacina contra Covid-19 for no mesmo período da gripe, priorize a da Covid-19 e espere um intervalo mínimo de 14 dias para tomar a da gripe.

Após a vacina a pessoa está imune à doença?

Marcio: Não necessariamente. A chance de ter a forma grave diminui consideravelmente. Já existem estudos que demonstram reduções de internações, internações em unidades de terapia intensiva e óbitos nas populações vacinadas. Mas isso não quer dizer que entre os vacinados não possamos contrair o vírus, de forma assintomática ou sintomática e transmitir para outras pessoas. Lembrando que a pessoa só terá a proteção informada pelo fabricante da vacina de 15 a 30 dias após a segunda dose, dependendo do tipo de vacina recebida.

Por que algumas pessoas têm reação à vacina e outras não?

Marcio: Um dos fatores é a idade. Os efeitos colaterais podem ser diferentes em adultos e crianças, que reagem com mais frequência. Mas os estudos não demonstraram, ainda, uma definição exata para tal questionamento. Uma possibilidade é que a reação do sistema imune mais jovem frente à vacina seja mais forte e rápida, outro é apenas a maneira como o sistema imunológico funciona, pois cada um reage de um jeito frente a um estímulo. Algumas pessoas não apresentam reações quando recebem uma vacina, outras têm muitos sintomas, porém, isso não significa, de forma alguma, uma resposta imune ou não àquele imunizante. Outra individualidade de cada organismo é a forma como apresentam sintomas frente a uma determinada infecção.

É melhor contrair a Covid-19 naturalmente do que tomar a uma vacina? Por quê?

Marcio: De acordo com o Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, algumas pessoas preferem a infecção natural à vacinação para obterem a imunidade, mas o risco de doença e morte pelo vírus é muito maior que quaisquer benefícios da imunidade natural. A imunidade por infecção natural não é um conceito novo, na Inglaterra e nos Estados Unidos existiam as festas da Catapora, nas quais as crianças eram convidadas a frequentar uma casa com um infectado a fim de contrair a doença e se livrarem dela na vida adulta, onde apresenta maior gravidade. Porém, hoje se sabe que a mortalidade nessa situação é infinitamente maior, comparada à imunização específica. Pessoas com casos mais graves de Covid-19 tendem a ter uma resposta imunológica mais robusta do que as pessoas que tiveram uma infecção branda ou assintomática, no entanto, quando comparamos as respostas após a infecção com os resultados após a vacinação, a resposta imunológica é consideravelmente melhor por meio da vacinação do que por meio da infecção natural.

Quanto tempo dura a imunidade da vacina contra a Covid-19? Será preciso tomá-la todos os anos?

Marcio: Infelizmente ainda não há dados concretos sobre esse assunto. O que sabemos até hoje é que elas devem dar pelo menos seis meses de imunidade. Isso depende de uma série de fatores. Idade, presença de comorbidades, tipo e marca de vacina, exposição ao vírus, entre outros. A Pfizer/BioNTech confirmaram uma eficácia de 91,3% seis meses após a segunda dose. A mesma dinâmica foi aplicada a vacina Moderna, que conferiu eficácia de 94% após o sexto mês da segunda dose. Esse marco de seis meses é um fator importante e ambos os fabricantes continuarão monitorando os efeitos dos seus imunizantes com o passar dos meses. É provável que essa imunidade, após a vacinação, dure muito mais que isso. Basta compararmos com a imunidade conferida aos indivíduos que tiveram a infecção. Ela é superior a oito meses em sua maioria.

Mesmo após a vacina será preciso usar máscaras e manter o distanciamento social?

Marcio: Sim. Nenhuma vacina protege totalmente contra a infecção assintomática ou com sintomas leves. As vacinas protegem muito bem contra infecções graves, hospitalizações e internações em unidades de terapia intensiva e óbitos. Dessa forma, podemos continuar nos infectando e transmitindo mesmo após a vacinação. Parar com o uso de máscaras só será possível quando os níveis de transmissão comunitária forem praticamente zerados. E mesmo que as vacinas ofereçam alta proteção contra as cepas variantes, ela não é igual a cepa original.

No Brasil estão sendo utilizadas as vacinas Pfizer, Coronavac e AstraZeneca. Qual vacina devo tomar? Qual delas é a melhor?

A Vacina que lhe for oferecida, respeitando as normas do Programa Nacional de Imunização (PNI). As vacinas contra a Covid-19 passaram por estudos clínicos rigorosos em muitos países para verificar sua segurança e eficácia. Todos os imunizantes contra a Covid-19, disponíveis no Brasil, reduzem internações em unidades de tratamento intensivo e mortes. No futuro, quando houver vacinas disponíveis para todos e em fartura, e toda população já imunizada, aí sim você terá o direito de comprar a que preferir. Afinal, cabe ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) decidir quem deve tomar qual vacina e porquê e de forma gratuita e justa.

 

Informações Adicionais