O retorno das aulas presenciais e a prevenção contra a Covid-19

Muitas informações têm circulado a respeito da possível retomada às aulas presenciais. Escolas do Brasil e de todo o mundo se preparam para enfrentar essa nova etapa de reabertura, pela primeira vez desde março quando foram fechadas devido à quarentena contra o coronovírus (covid-19). Para auxiliar nesse manejo das informações acerca da pandemia de Covid-19, a Fiocruz preparou documentos, disponíveis no Portal Fiocruz e IFF/Fiocruz, embasados em evidências científicas e voltados para o Sistema Único de Saúde (SUS) para orientação segura à população.

Nesse contexto, como fica a proteção das crianças e dos profissionais? As escolas estão preparadas para receberem os alunos? E a utilização das máscaras? Como as escolas podem auxiliar nesse processo? Sabemos que essa retomada está causando aflição (conflitos) e inseguranças nos pais e responsáveis, neste sentido, especialistas afirmam que essa reabertura deve ser realizada à luz da ciência e orientada por diretrizes dos órgãos de saúde e educação, além da Organização Mundial de Saúde (OMS), visto que recolhe informações diárias dos países que enfrentam problemas semelhantes na pandemia.

Segundo a pediatra e infectologista do Ambulatório de Crianças e Adolescentes do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Alessandra Marins Pala, as instituições de ensino terão uma missão muito relevante na orientação e disseminação de informações junto aos alunos nas questões relacionadas à proteção da infecção pelo coronavírus. “As escolas terão papel fundamental no treinamento das crianças sobre o uso e manuseio das máscaras e higienização das mãos.  Nas primeiras semanas após o retorno às atividades presenciais, este tema deverá ser exaustivamente abordado em sala de aula, sempre de forma lúdica e respeitando a linguagem e a capacidade de compreensão de cada faixa etária. A escola pode fazer brincadeiras e gincanas que despertem o interesse das crianças”, explica.

De acordo com orientações da Sociedade Brasileira de Pediatra (SBP), brincando, as crianças ganham confiança em suas capacidades e habilidades, praticam o uso da imaginação e aprendem a conviver com o ambiente escolar nesse novo normal. Para que essa realidade seja menos desgastante e proveitosa tanto para os alunos quanto para os profissionais, é fundamental que o número de crianças, por turma, seja reduzido mantendo o distanciamento social e a fiscalização das regras de uso de máscaras.

Em relação à utilização das máscaras no ambiente escolar, a SBP alerta para o cuidado redobrado na fiscalização e manuseio do acessório, principalmente nas crianças. Se esse critério não for seguido à risca, elas podem aumentar o risco de contaminação. “Ela vai querer retirar, vai se sentir incomodada com a necessidade de ajustes, portanto, o benefício poderá não compensar o risco. É indicado avaliar individualmente a possibilidade e pertinência do uso, conforme o grau de maturidade de cada criança”, orienta.

Conforme Alessandra Pala, as máscaras de pano só devem ser usadas por, no máximo, duas horas, depois devem ser armazenadas para lavar em casa. “A criança deve levar a quantidade de acessórios suficientes para realizar essa troca a cada duas horas, é importante também considerar o tempo de deslocamento na ida e volta do percurso escolar.  Se são quatro horas de aula mais uma hora no trajeto, a criança usará, ao todo, três máscaras. Deve considerar ainda possíveis “acidentes” (máscara caiu no chão, o colega puxou, coisas do tipo), por isso é recomendado levar sempre máscaras extras. E é preciso separar os acessórios sujos dos limpos em recipientes diferentes, claro! Parece excesso de cuidado, mas não é. Usar a máscara sem esses cuidados pode aumentar o risco de infecção ao invés de proteger”, esclarece.

A SBP sugere ainda, que as escolas realizem treinamentos de professores e cuidadores acerca do uso adequado das máscaras e da adesão das crianças à utilização do acessório, além da verificação de sua troca, respeitando o tempo limite de uso. Para tanto, o kit escolar dos alunos deve ser composto por pelo menos três máscaras, embaladas individualmente.

Além das medidas básicas para um retorno seguro ao ambiente escolar, como o uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social de 1,5 metro, o Ministério da Educação (MEC) também divulgou diretrizes para essa volta às aulas presenciais, sugerindo o estímulo a reuniões on-line, equipes escalonadas de profissionais, entre outras medidas. Veja:  

Medidas coletivas:

  • Organizar as equipes para trabalharem de forma escalonada, com medida de distanciamento social;
  • Manter, sempre que possível, portas e janelas abertas para ventilação do ambiente;
  • Garantir adequada comunicação visual de proteção e prevenção de risco à Covid-19;
  • Organizar a rotina de limpeza do ambiente de trabalho e dos equipamentos de uso individual;
  • Considerar o trabalho remoto aos servidores e colaboradores do grupo de risco;
  • Priorizar o uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) para a realização de reuniões e eventos à distância. Se necessário o encontro presencial, optar por ambientes bem ventilados;
  • Utilizar máscaras, conforme orientação da autoridade sanitária, de forma a cobrir a boca e o nariz;
  • Seguir as regras de etiqueta respiratória para proteção em casos de tosse e espirros;
  • Lavar as mãos com água e sabão ou higienizar com álcool em gel 70%;
  • Evitar cumprimentar com aperto de mãos, beijos e/ou abraços;

Medidas individuais (profissionais e alunos):

  • Respeitar o distanciamento de pelo menos 1,5m (um metro e meio) entre você e outra pessoa;
  • Manter o cabelo preso e evitar usar acessórios pessoais, como brincos, anéis e relógios;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres, materiais de escritórios, livros e afins.

Para retomada das atividades com segurança, recomenda-se à Instituição de Ensino garantir:  

  • A aferição da temperatura de servidores, estudantes e colaboradores na entrada da Instituição e de salas e ambientes fechados;
  • A disponibilização de termômetro e álcool 70% para cada unidade (administrativa e de ensino);
  • A limpeza periódica em locais utilizados com maior fluxo de pessoas;
  • A limpeza intensiva de banheiros e salas de aula;
  • No uso de bebedouros, deverá se evitar contato direto com a superfície, devendo ser utilizado papel toalha com possibilidade de descarte em coletor de resíduos com acionamento sem contato manual e posteriormente, realizar a higienização das mãos; na impossibilidade do cumprimento de tais orientações, recomenda-se a interdição dos bebedouros.

Áreas comuns (estacionamentos, vias de acesso interno, pátio, biblioteca, refeitório etc.):

  • Manter a limpeza de salas e auditórios a cada troca de turma;
  • Utilizar, obrigatoriamente, EPIs (jaleco, máscara e touca), sem uso de adornos antes de entrar em laboratórios;
  • Manter os ambientes ventilados (janelas abertas);
  • Manter limpeza e desinfecção de equipamentos e maquinários coletivos após a utilização por usuário.

Embora o MEC tenha divulgado orientações sobre medidas de prevenção individual e coletiva para o retorno às aulas presencias, ainda não existe uma data estabelecida para essa retomada.  

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