Encontro virtual marca a 21ª sessão da Agenda Laranja do IFF/Fiocruz

Em 2020, as atividades da Agenda Laranja do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) também tiveram a necessidade de ser repensadas e adaptadas aos novos protocolos de prevenção em função da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2, causador da Covid-19). Assim, a 21ª Sessão: "De volta a fevereiro: Minha Cientista Preferida" foi o primeiro da série Agenda Laranja + Meninas, realizado, em 22/8, de maneira virtual, alinhada às atuais orientações de distanciamentos social.

Desde 2016, a Agenda Laranja, iniciativa originada e coordenada pelos pesquisadores e professores do IFF/Fiocruz, Corina Mendes e Marcos Nascimento, promove atividades de sensibilização e formação, através da troca de informações e reflexões sobre gênero, saúde, sexualidade e desigualdades sociais, com o propósito de contribuir para o enfrentamento e o fim da violência contra mulheres e meninas. A iniciativa se enquadra na campanha criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2008, com o intuito de promover a participação da sociedade pela erradicação da violência contra mulheres e meninas, assim como para a equidade de gênero, ações centrais para o desenvolvimento sustentável do planeta.


A Agenda Laranja do IFF/Fiocruz agora é transmitida ao vivo e 100% online. Assista aqui a 21ª sessão, “De volta a fevereiro: minha cientista favorita’

A mais recente sessão da Agenda Laranja nasceu após as atividades do Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, em fevereiro deste ano, quando um grupo de meninas que participou do evento fez contato com Corina Mendes, interessadas em conhecer mais da iniciativa. A partir daí, foi criado um grupo de WhatsApp com 26 meninas e os coordenadores da Agenda, “com o objetivo de realizar uma sessão da Agenda Laranja organizada por elas, desde a pauta até a divulgação, e que ocorreria nas férias escolares em julho no campus da Fiocruz, em Manguinhos - RJ. A proposta precisou ser refeita em função da pandemia, mas o entusiasmo das meninas e a construção do vínculo com a proposta se incrementou com encontros virtuais e a construção de pautas de seus interesses para futuros encontros: o redimensionamento do que é ciência e fazer pesquisa nas diferentes áreas de conhecimento; as representatividades de gênero e racial na ciência e nas escolhas profissionais; os projetos de vida e desafios entre maternidade e trabalho; e divisão sexual do cuidado e trabalho. Assim, com o tema ‘De volta a Fevereiro: Minha Cientista Favorita’, surgiu em agosto a série denominada Agenda Laranja + Meninas, em que elas são as protagonistas de encontros voltados para um público definido também por elas”, comentou Corina sobre a nova temporada da iniciativa.

“Todos os temas pensados pelas meninas para as próximas sessões da Agenda Laranja + Meninas, planejadas para o último sábado de cada mês de 2020, têm sido marcadas fortemente pelo sentimento de pertencimento e o vínculo afetivo que elas construíram com a Fiocruz, a partir do evento de fevereiro”, afirma Corina. O resultado foi uma das edições mais inovadoras da Agenda Laranja até agora, em um contexto de pandemia nunca antes experimentado, ressaltando a importância da permanência de espaços de discussão e sensibilização para a construção de um mundo mais igualitário.

‘De Volta a Fevereiro: Minha Cientista Favorita’

A Agenda Laranja + Meninas, ‘De Volta a Fevereiro: Minha Cientista Favorita’ teve como mediadoras do encontro virtual às integrantes do grupo Motirõ, formado por jovens participantes do ‘Mais Meninas na Ciência’, Estephane Gonçalves e Letícia Lucas, e como convidadas: a pesquisadora e coordenadora de Divulgação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz), Cristina Araripe; a pesquisadora e coordenadora da Plataforma Institucional de Biodiversidade e Saúde Silvestre (PIBSS/Fiocruz), Márcia Chame e, a divulgadora da Ciência e Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida/Fiocruz, Rosicler da Silva. Pelo IFF/Fiocruz, os anfitriões Corina Mendes e Marcos Nascimento.

A sessão foi conduzida pelas histórias das convidadas e suas trajetórias, relembrando mulheres cientistas que mais as influenciaram e que ainda são referências para elas como pesquisadoras. Cristina Araripe lembrou o papel importante da presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, por ser a primeira mulher a presidir a Fundação em 120 anos e por ser promotora essencial de iniciativas inclusivas das mulheres, por meio de eventos, como Mais Meninas na Ciência, Agenda Laranja, entre outros.

Na ocasião, com lembranças motivadoras, Márcia Chame compartilhou sua experiência como mulher cientista e a importância para ela de ter contado com a destacada pesquisadora da Fiocruz e defensora dos direitos das mulheres, Bertha Lutz, como referência feminina. “Quando eu iniciei, o mundo da ciência era realmente um universo muito mais masculino, principalmente nas carreiras médicas, assim Bertha Lutz era muito importante, porque sempre foi respeitada e falada por todos como uma cientista muito competente, e isso sempre me motivou quando eu era muito jovem. Esse respeito e orgulho pelas figuras femininas é um assunto que a Fiocruz sempre trouxe”.

Rosicler da Silva ressaltou a importância para as jovens de conhecer a existência dessas mulheres que foram e são fontes de inspiração, de saber essas histórias por uma maior participação das mulheres na ciência, “porque isso não começou de agora”, mas só na história recente as mulheres estão conquistando sua visibilidade no mundo científico, por exemplo com a instauração em 2016, por parte da ONU do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. “Por isso, é muito importante trabalhar para que esse reconhecimento continue. Nós recebemos um legado, e é nosso compromisso continuar, dar visibilidade para essas mulheres, para que as jovens de hoje, que serão o futuro, tenham a oportunidade de conhecer esses exemplos e de contar com mais espaços de debates e reflexão como a Agenda Laranja”, aponta Rosicler.

Para concluir a sessão, Marcos Nascimento agradeceu aos participantes, às cientistas convidadas e especialmente às meninas do grupo Motirõ, organizadoras do evento. “É muito importante contar com pessoas e instituições inspiradoras na produção de um conhecimento engajado, que busca criar uma sociedade mais justa, mais igualitária e mais democrática. Isso é tudo que estamos precisando neste momento da história”.

Para participar dos próximos encontros da Agenda Laranja + Meninas, é só se inscrever no canal de YouTube do programa e ativar o sino para receber a notificação da transmissão do novo evento. O próximo encontro será no sábado, dia 26 de setembro, entre 15h e 17h, com o tema: Projeto de vida: até onde podemos ir?

 

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