Aleitamento materno na atenção neonatal e infantil de alta complexidade

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“Aleitamento materno na atenção neonatal e infantil de alta complexidade: um estudo de coorte” foi o tema da tese de doutorado da enfermeira pediátrica do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Maíra Domingues. Defendida via webconferência em 27/7, a tese é fruto de um trabalho realizado durante o Doutorado de Epidemiologia em Saúde Pública da Escola Nacional Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), e teve como orientadores as professoras e pesquisadoras da Ensp/Fiocruz Enirtes Caetano Prates Melo e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) Raquel de Vasconcellos Carvalhaes de Oliveira, além do coordenador da Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH), João Aprígio Guerra de Almeida, vencedor do prêmio Dr. Lee Jong-wook de Saúde Pública 2020 da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O estudo teve o objetivo de investigar a prevalência, duração mediana, os padrões e determinantes do aleitamento materno nos primeiros seis meses de vida de crianças nascidas ou transferidas (com até 7 dias de vida) para o IFF/Fiocruz, instituição de referência nacional para alto risco fetal, neonatal e infantil.


A coorte, constituída no período de março de 2017 a outubro de 2018,
acompanhou 1003 crianças desde o nascimento, e mensalmente até
o sexto mês de vida por telefone

Entre os resultados da pesquisa, foi verificada que a prevalência de aleitamento materno exclusivo na alta hospitalar para as crianças acompanhadas na coorte foi de 65,2%, e no sexto mês de vida foi de 20,6%. Já a duração mediana do aleitamento materno exclusivo em toda população estudada foi de 91 dias. “Os resultados mostram um avanço na estimativa da duração mediana do aleitamento materno exclusivo, quando comparamos com o último estudo brasileiro de prevalência do aleitamento materno, realizado em 2008, que encontrou duração mediana de 54 dias no conjunto das capitais brasileiras. Entretanto, a prevalência de aleitamento materno exclusivo na alta hospitalar e no sexto mês de vida encontra-se aquém da recomendada, indicando a necessidade de intensificar esforços e implementar intervenções, de preferência combinadas, em diferentes níveis. Esperamos que os resultados da coorte possam contribuir para o planejamento de ações de promoção, apoio e proteção ao aleitamento materno, especialmente na atenção neonatal e infantil de alta complexidade, para garantir maiores taxas de aleitamento materno exclusivo”, avalia Maíra Domingues.

Acesse aqui o artigo científico que descreve a coorte.

Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM) e Agosto Dourado

Desde 1992, a primeira semana de agosto visa promover a amamentação através da SMAM, comemorada em mais de 170 países. Com base nessa semana e com a proposta de manter o tema em destaque ao longo de todo o mês, desde 2017 agosto se tornou o mês de incentivo à amamentação, sendo conhecido como Agosto Dourado - a cor escolhida está associada ao "padrão ouro de qualidade" do alimento.

Sobre o tema deste ano “Apoiar a Amamentação para um planeta mais saudável”, a enfermeira pediátrica comenta. “Além da amamentação ser uma preciosa intervenção para conformação da saúde, conferindo benefícios durante a infância e perdurando por toda a vida do indivíduo, também contribui para um mundo mais sustentável, sendo considerada uma estratégia importante de investimento na saúde do planeta. A peculiar, complexa e dinâmica composição do leite humano é a fonte de muitos efeitos benéficos para a saúde, e é ambientalmente segura. Por esta e muitas outras razões, é de interesse comum o aumento da prevalência e duração mediana do aleitamento materno exclusivo”, destaca Maíra.

Clique aqui e confira a programação com as atividades e participe!


Em 2019, uma das iniciativas do BLH do IFF/Fiocruz em prol do Agosto Dourado
foi a roda de conversa com mães e familiares de bebês internados em UTI neonatal
e neocirúrgica (Foto: Everton Lima)