As pessoas precisam de sangue mesmo durante uma pandemia

O Dia Mundial do Doador de Sangue é comemorado em 14 de junho de cada ano, conforme designação da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2004. O objetivo da celebração é ajudar a criar uma cultura mundial de doação voluntária de sangue, além de prestar homenagem aos doadores voluntários e destacar o papel único que eles desempenham na saúde de sua comunidade para salvar vidas.

No contexto atual da pandemia, uma das muitas consequências do Coronavírus (Covid-19) foi a queda na doação de sangue. Conforme informado pelo Instituto Estadual de Hematologia Arthur Siqueira Cavalcanti (Hemorio), em maio deste ano, o estoque de sangue seguro teve uma baixa de até 38% nas doações, em comparação ao mesmo período de 2019, só no munícipio do Rio de Janeiro.


Transfusões de sangue e produtos sanguíneos ajudam a salvar milhões de pessoas todos os anos

A doação é essencial, pois as unidades de saúde continuam atendendo pacientes com diferentes patologias, cirurgias avançadas ou lesões em acidentes de trânsito, que precisam com urgência desse tecido líquido que só pode ser obtido graças à solidariedade das pessoas. Se essa situação de escassez continuar, os estoques dos bancos de sangue podem ser esgotados. Por isso, a única forma de garantir um suprimento suficiente de sangue é através de doações voluntárias.

A campanha 2020

Este ano, o tema da campanha de doação é "O sangue seguro salva vidas", com o slogan "Doe sangue e torne o mundo um lugar mais saudável", visa ressaltar a contribuição que o doador pode dar para melhorar a saúde de outras pessoas. As doações são necessárias em todo o mundo para que as sociedades possam acessar sangue seguro e seus derivados em situações normais e de emergência. Por meio da campanha, a OMS e os profissionais da saúde apontam que mais pessoas salvem vidas doando sangue periodicamente.



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Para facilitar essa ação solidária que a sociedade precisa agora mais do que nunca na conjuntura da pandemia pela Covid-19, a cocoordenadora de Hemoterapia do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Maria Cristina Pessoa dos Santos, esclarece dúvidas em torno da doação segura de sangue:

Quem pode doar sangue?

Toda pessoa saudável entre 16 e 59 anos - antes da pandemia era até 60 anos, mas pelo novo coronavírus, a partir de 60 já fazem parte da população de risco -, que tenha documento de identidade com retrato, que pese no mínimo 50 quilos e que não esteja em jejum, pode comparecer ao Hemocentro mais próximo de sua residência para doar. Antes da doação acontece uma entrevista com a enfermeira que vai checar as condições de saúde do candidato, de forma a preservar a saúde do doador e também daquelas pessoas que vão receber o sangue. Qualquer dúvida, pode ligar antes de comparecer para 0800 282 708, no Rio de Janeiro.

Quem não pode doar?

Qualquer pessoa que esteja com sua saúde alterada, com febre, pressão alta, que não esteja se sentindo bem, que tenha feito uma cirurgia recentemente, que esteja tomando medicações para doenças crônicas, mães que estejam em fase de amamentação e pessoas anémicas. Especialmente nesta época de pandemia, qualquer pessoa que teve contato com indivíduos que testaram positivo para o Coronavírus. Em geral, existem várias situações que são considerados impedimentos provisórios e têm outras situações que são impedimentos permanentes, por exemplo, pacientes com diabetes e com câncer são pessoas que precisam se reservar para tratar da sua própria saúde.

Por que é necessário doar durante a pandemia?

Porque as doenças continuam existindo apesar da pandemia. Além da própria Covid-19 que é um fator que é mais um desafio, mesmo assim continuam existindo pacientes com câncer, bebês prematuros nas Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), gestantes que precisam de suporte hemorrágico durante o parto, pacientes crônicos, pessoas com anemia falciforme. Outras doenças continuam demandando cuidados médicos, e para podermos efetivar esses cuidados precisamos das doações de sangue.

É seguro doar sangue?

Sim. Sempre é seguro, porque a doação de sangue é feita em um ambiente totalmente controlado cientificamente: a higiene dos materiais, o uso de material descartável, pessoal treinado trabalhando com o distanciamento sugerido pela OMS, estão sendo usados os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e tanto a higienização das mãos quanto dos locais de doação. Então, os centros estão preparados para receber os doadores com segurança, as pessoas podem doar com confiança.

É muito importante que as pessoas doem sangue, doar é seguro, e nós estamos com os estoques muito baixos, precisando da colaboração de todos que estejam saudáveis neste momento. O sangue só conseguimos diante da doação de outro ser humano, não dá para fabricar, nem comprar, só através do gesto humanitário de solidariedade.

Como é usado o sangue doado?

Uma doação de sangue pode ajudar no mínimo a três pessoas. O sangue doado é centrifugado, e o plasma vai para um paciente, a hemácia para outro e a plaqueta para um terceiro.

Pode dar mais uma sugestão para quem ainda têm dúvida sobre doar?

Se você tem saúde pode doar, por favor doe, é uma homenagem que você faz à vida, uma homenagem a ter saúde, hoje em dia isso é um bem inestimável. Essa transfusão quando chegar para os pacientes vai ser fundamental. Contamos com você, as pessoas continuam adoecendo. Vamos dar as mãos neste momento para que consigamos enfrentar unidos esta pandemia e as outras doenças.

 

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